A “farsa” da ida do homem à Lua II

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Há algum tempo, eu escrevi e publiquei aqui no LP o texto A “farsa” da ida do homem à Lua. Tivemos 6 comentários postados nele, mais a reação de colegas da comunidade de astronomia do Orkut, dentre outros, que foram muito boas.

Até por causa dessa resposta positiva, eu havia decidido fazer uma segunda postagem sobre o tema, para cobrir alguns pontos que acabaram ficando de fora daquele artigo. Contudo, não é o caso deste artigo.

Aqui quero me focar num trecho, do “capítulo” (digamos assim) entitulado “Por que essa história cresceu tanto?”. O trecho é o seguinte:

Que eu saiba, só conheci uma pessoa que acreditava que o homem nunca havia ido à Lua. Acreditava, no passado, porque essa pessoa já é falecida. Mas essa pessoa era alguém simples, do povo mesmo. Era genial no que fazia (um pouco de marcenaria e era pedreiro), mas todo o que tinha era sua intuição e o que aprendeu na prática mesmo: nunca teve a chance de estudar. E sabemos muito bem como as igrejas atingem essas pessoas.

Pode ser difícil de acreditar, mas no interiorzão de nosso país, onde a educação chega mal e porcamente (quando chega), existem muitos que ainda acreditam que a Terra é plana, que o céu é “perfeito e imutável” e que, portanto, nunca poderíamos ter ido à Lua.

São pessoas assim, e até alguns poucos melhor informados (mas ainda manipulados pelas igrejas, portanto abertos para toda e qualquer teoria da conspiração), que acabam caindo nesse tipo de estória ao ter acesso à internet. Afinal, para os poderosos a coisa é assim: inclusão digital (e mais dinheiro pro comércio eletrônico) sim, inclusão educacional jamais (afinal, as pessoas acabariam ficando “espertas demais”).

Bem, o ponto deste artigo é demonstrar isto, o que eu não fiz no primeiro e, talvez, tenha ficado parecendo apenas “retórica ateísta”. Aliás, para falar a verdade, eu não sabia muito bem como demonstrar isto. Cheguei a pensar em fazer entrevistas sobre o tema em algum lugar, talvez na cidadezinha (bem ‘zinha’ mesmo) natal de meus pais, sei lá. Até que o Kauê (editor aqui do LP também) me passou este link do ótimo blog Não Intendo.

Encerrando a enrolação, eis o vídeo:

Pode ser engraçado ver as pessoas falando besteiras tão monumentais como estas (e realmente é engraçado, eu concordo), mas ao mesmo tempo também é triste. Extremamente triste. Porque mostra a realidade, o ponto em que está a educação de nosso país, independente do que políticos digam.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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One Comment

  1. Mário

    De fato a educação no Brasil é algo lamentável.

    Temos os grandes centros onde se apresenta uma educação vendida com um curriculo questionável; professores desmotivados, alguns, despreparados; políticas públicas engenhosamente construidas para dar errado; escolas em petição de miséria; e alunos cada vem mais alienados. Reiterando: isso nos grandes centros.

    A educação vive, hoje, da boa vontade de muitos professores que ainda acreditam na profissão, que ainda acreditam que a educação pode modificar, mas, estes são silenciados pelas amarras burocráticas.

    Indo para as pequenas cidades, aquelas mais pobres, não sei se podemos chamar de educação o que vemos. São esforços muitas vezes unitários de pessoas que buscam dar aos pequenos os olhos do conhecimento. Dão aulas mistas, em salas improvisadas, tendo latas como cadeiras.

    Não vou me alongar para falar da produção do fracasso escolar, isso daria um artigo de congresso, mas, quero chegar ao seu post.

    Nesse país de contrastes educacionais, onde o direito de todos é direito diferenciado, saber se o homem foi à lua, ou não, passa a ser um supérfluo. Não tiro o valor da ciência. Eu acredito e defendo a história. Porém, para aqueles que veem São Jorge na lua, que não veem portas, que acham a lua muito longe, melhor é que vivam nesse ostracismo cognitivo, pois, a certeza de tamanha informação, seria muito para essas mentes esfomeadas, não de conhecimento, mas de certeza da refeição de amanhã.

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