A Liberdade

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No dia 27/03 eu estava em Caraguatatuba/SP e viajei para o sítio de meus pais, que fica numa cidadezinha minúscula de MG, chamada Munhoz. E… Bem, eu odeio viajar de carro, ficar mais de 3hs dentro de um carro sem poder fazer coisa alguma, sem poder fumar, etc. Então, o que eu normalmente faço é ouvir música.

Eu devo ter quase 3GB de músicas, é música que não acaba mais. E, neste dia, por “desígnios do acaso”, digamos assim, acabei ouvindo uma música do Raul Seixas que não ouvia a muito tempo: a música A Lei. Veja abaixo um clipe desta música:

Veja a letra da música:

Todo homem tem direito
de pensar o que quiser
Todo homem tem direito
de amar a quem quiser
Todo homem tem direito
de viver como quiser
Todo homem tem direito
de morrer quando quiser

Direito de viver
viajar sem passaporte
Direito de pensar
de dizer e de escrever
Direito de viver pela sua própria lei
Direito de pensar de dizer e de escrever
Direito de amar,
Como e com quem ele quiser

A lei do forte
Essa é a nossa lei e a alegria do mundo
Faz o que tu queres ah de ser tudo da lei
Fazes isso e nenhum outro dirá não
Pois não existe Deus se não o homem
Todo o homem tem o direito de viver a não ser pela sua própria lei
Da maneira que ele quer viver
De trabalhar como quiser e quando quiser
De brincar como quiser
Todo homem tem direito de descansar como quiser
De morrer como quiser
O homem tem direito de amar como ele quiser
De beber o que ele quiser
De viver aonde quiser
De mover-se pela face do planeta livremente sem passaportes
Porque o planeta é dele, o planeta é nosso.
O homem tem direito de pensar o que ele quiser, de escrever o que ele quiser.
De desenhar, de pintar, de cantar, de compor o que ele quiser
Todo homem tem o direito de vestir-se da maneira que ele quiser
O homem tem o direito de amar como ele quiser, tomai vossa sede de amor, como quiseres e com quem quiseres
Há de ser tudo da lei
E o homem tem direito de matar todos aqueles que contrariarem a esses direitos
O amor é a lei, mas amor sob vontade
Os escravos servirão
Viva a sociedade alternativa
Viva Viva

Direito de viver, viajar sem passaporte
Direito de pensar de dizer e de escrever
Direito de viver pela sua própria lei
Direito de pensar de dizer e de escrever
Direito de amar, como e com quem ele quiser

Todo homem tem direito
de pensar o que quiser
Todo homem tem direito
de amar a quem quiser
Todo homem tem direito
de viver como quiser
Todo homem tem direito
de morrer quando quiser

O que gostaria de falar sobre esta música é algo bem simples e breve: concordo quase totalmente com sua letra. Apenas removeria a parte “E o homem tem direito de matar todos aqueles que contrariarem a esses direitos” e mudaria a palavra “lei”, onde ela aparece, por “moral”.

A questão é que, na época em que esta música foi escrita (19…) a legislação brasileira era fortemente baseada na moral da época, que era justamente a moral religiosa. Como exemplo, poderia citar a lei que inocentava maridos do assassinato de suas esposas, por “legitima defesa da honra”. Quer dizer, bastava que o marido alegasse que a esposa o traía e apresentar uma ou mais testemunhas que afirmassem isto e pronto: o marido estava inocentado.

Felizmente, esta lei deixou de ser seguida, ou foi declarada como não recepcionada pela constituição de 1988, não sei.

O ponto é: desde o iluminismo, nossa moral, que era fixa, estática, passou a evoluir devido à religião ter sido tirada, separada, do poder. Foi o nascimento do laicismo, filosofia segundo a qual religião e estado devem estar separados, e do secularismo, que é a aplicação do laicismo ao estado. Quer dizer, é o laicismo colocado em prática.

E hoje, devido às ações de neo pentecostais, que se metem na política diretamente, se candidatando e sendo eleitos, nosso secularismo está fortemente em risco. Por isto, temos de lutar, cada vez mais, para defendê-lo: seja através de paradas, seja escrevendo, seja falando em vídeos, etc.

Caso contrário… Estaremos mal. E voltaremos a ter leis baseadas em moral religiosa.

P.S.: Reparem na parte “Pois não existe Deus se não o homem”.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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