A união pela fé

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Muitas pessoas alegam que a fé teria, remedy ao menos, visit o benefício de unir as pessoas. Afinal, ampoule muitas famílias se unem ao menos uma vez semanalmente, durante a missa de domingo. Isto sem falar na interação com outras pessoas da comunidade, que apenas a missa dominical seria capaz de proporcionar. Mas será isto verdade?

Primeiro, será que apenas uma reunião semanal, para uma família, é algo saudável? Será que, ao invés disto trazer um benefício, isto não demonstraria um problema ainda maior dentro desta família? Acho que esta é uma questão fundamental e, para mim, a resposta é, sem dúvida alguma, sim.

Famílias são uniões de seres humanos baseadas na consanguinidade (parentesco). Sendo assim, e como qualquer outra união de seres humanos, problemas surgirão. Isto é totalmente natural. Afinal, pessoas têm discordâncias, brigam umas com as outras e até cometem atos graves uns contra os outros.

Imagine uma família cujo pai tenha abusado dos filhos durante suas infâncias, ou que seja violento com sua esposa e que esta não o denuncie ou abandone, até mesmo devido a motivos de fé. Em famílias assim é natural que os filhos acabem abandonando o lar, ao chegar a determinada idade. E, num quadro como estes, será mesmo positivo que haja uniões semanais? Será que tais uniões não serviriam apenas para aumentar os ressentimentos ou, quem sabe, até mesmo piorar condições psicológicas dos envolvidos?

Bem, mesmo que tais uniões não piorem em nada a situação. De que adiantaria uma família se unir para missas semanais, se sequer se falam ou se olham ao sair pela porta da igreja? O ponto aqui é: um lar destruído, com ou sem fé, continua destruído. E a destruição de lares não são “ações do capeta”, nem falta de fé. São devidos à ação das próprias pessoas deste lar, sempre.

E quanto à união da comunidade, será que ela é verdadeira? Vejamos, será que todos de uma mesma comunidade seguem, obrigatoriamente, uma mesma religião? Óbvio que não. Não precisamos sequer citar ateus e agnósticos, até porque o número destes em nosso país é muito pequeno. Mas podemos, sem dúvida alguma, citar religiões como aquelas afrodescendentes, orientais como o budismo, islamismo, judaísmo e até mesmo as diferentes divisões dentro do cristianismo (que são inumeráveis). Ou seja: tal união é falsa, já que é exclusiva (a aqueles de determinada religião) e não inclusiva (que soma todos).

Ainda que esta união seja verdadeira, quer dizer, que todos daquela comunidade sejam da mesma religião, do que adianta tal reunião? Em missas são discutidos os problemas da comunidade, ou decididas exigências a serem levadas ao prefeito (ou subprefeitura, no caso de grandes cidades)? Claro que não. Para isto já existem as reuniões comunitárias, reuniões de condomínio, etc.

Reunião comunitária na aldeia Queimadas - Fonte: http://tremembedeacarau.blogspot.com.br/2010/09/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

Mas então, se a fé não é o que une, o que afinal o faz? A resposta a isto é, sem dúvida alguma, o amor. Amor maternal, paternal, fraternal, o amor de amizades (pelos amigos e amigas), amor a uma causa (que une diferentes pessoas para lutar a favor dela), etc. Este, sim, é o verdadeiro e único motivo de uniões.

Por isto mesmo a união, seja de que tipo for, não pode, jamais, ser forçada. Tem de acontecer naturalmente, ou jamais renderá bons frutos. É como um casamento: se não houver amor entre as duas pessoas (sejam elas um homem e uma mulher, dois homens, duas mulheres ou a combinação que for possível e imaginável), sequer esta união durará.

Entendam, não estou querendo, com este texto, refutar por completo a fé. E nem poderia fazer isto, afinal este é um sentimento muito forte para quem o tem. Minha intenção aqui é demonstrar que o discurso de determinados clérigos (pastores, padres, imãs, o que for) é tão falso como uma nota de 3 reais.

O que eles fazem é querer elevar a fé ao posto de sentimento mais importante do ser humano, quando ele não o é. O sentimento mais importante é e sempre será o amor.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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4 Comments

  1. tem coerencia a sua argumentação e em parte concordo com ela, acrescento que a união propriamente dita é valida quando a valores e interesses em comum, pois eu creio que independente da crença ou discrença o que pode unir as pessoas são os seus interesses individuais dentro do coletivo, você pode contestar esta ideia mais acredito que se o nacionalismo se for bem empregado pode unir todos em prol de um bem comum, usar da bandeira, do sentimento patriotico pode unir as pessoas buscar os seus direitos a partir do momento que elas cumprem os seus deveres (como pagar impostos)pois se por exemplo se somos brasileiros e vivemos no Brasil o que une um ateu e um teista é a sua origem e ambos tem os mesmos direitos e deveres. parabens pelo trabalho.

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  2. Com esse artigo contrariou todo o seu lado racional, isso é assunto para um poeta ou um romancista, amigo.
    O amor é um tema bastante complicado, pois vejo poucos trabalhos que o racionalizam.
    Para mim o amor é algo bem preciso, o amor é um sentimento que agente tem por alguem que nos desperta paz, aconchego, harmonia e serenidade, que agente não constuma ter quando estamos sozinhos. Ao encontro do que você escreveu, é realmente esse o sentimento que faz com as pessoas se une em busca de paz, aconchego e harmonia e pode ser esse o sentimento que as pessoas confundem com a fé.
    Por outro lado, alguns usam esse sentimento como um simples pretexto para ter o direito de ter ciúmes ou para ter uma atitude mais possessiva com alguem, só porque o ama. Isso não é amor!
    Precisamos racionalizar o amor para sabermos que sentimento é esse e não permitimos que abusos sejam feitos pelo simple amor. É fácil falar que ama uma pessoa, mas esse amor não lhe dá o direito de fazer o que quer com outra pessoa. Amor é atitude, paz, liberdade, harmonia, aconchego…
    E para você o que é o amor? Um sentimento? Uma química? Um direito? Um dever?
    O que é?
    Mais uma vez, brilhante texto.

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    • Fala, Henrique, tudo bem?

      Eu só não sei se agradeço pelo “Mais uma vez, brilhante texto.”, ou se tento contra-argumentar pelo “Com esse artigo contrariou todo o seu lado racional, isso é assunto para um poeta ou um romancista, amigo.”… HEHEHE

      Concordo contigo sobre a necessidade de racionalizar o amor, mas esta não é uma tarefa fácil. Nem para poetas, nem para romancistas, nem para cientistas, nem para filósofos. Porque a gente só sabe o que é amor quando o sente e, neste mesmo momento, perdemos toda nossa racionalidade.

      Assim, se alguém que esteja amando tentar racionalizar o amor, sairá algo extremamente confuso, contraditório e sem sentido. Já se alguém que não esteja amando tentar racionalizar o amor, escreverá algo que não tem qualquer relação ou aplicabilidade na prática… Ou seja: é pra lá de complicado!

      Ainda assim, tudo o que tentei fazer neste texto foi mostrar que a fé (crença em alguma divindade) não é o que une as pessoas, mas sim o amor (em seus diversos tipos). 😉

      Abraços!

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  3. Grande trabalho! Continue assim!

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