Como comemorar o natal sendo ateu?

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Como ateus, não temos uma figura de deus. Assim, não faria muito sentido comemorar o natal, afinal esta data seria o pretenso aniversário do deus cristão, Jesus Cristo. (“Pretenso”, porque sequer evidências de que ele realmente existiu temos até hoje.)

Então o que devemos fazer? Se trancar no quarto até a data passar? Em minha opinião, não. Eu, de fato, sempre gostei do natal, mesmo sem nunca ligar para mitos da era do bronze. Gosto de estar com minha família, gosto das comidas, gosto dos enfeites. Quanto aos enfeites, gosto principalmente da árvore. Só nunca gostei do presépio, que nunca vi muito sentido (sempre preferi maquetes de cidades, principalmente quando criança, para poder brincar com carrinhos nela.)

Outra questão é o comportamento humano nesta data. É realmente uma tremenda hipocrisia que neste época todos fiquem tão solidários, ajudem os mais necessitados, doem cestas básicas, reúnam presentes e os levem para orfanatos, só para citar alguns exemplos, e, no resto do ano, simplesmente esqueçam que estas pessoas existem. Isto tudo é mesmo uma triste verdade, mas… Sinceramente, eu prefiro pensar que pelo menos nesta data as pessoas se importem umas com as outras.

Em outras palavras: é hipocrisia sim, é muito pouco… Mas pelo menos já é alguma coisa.

Outro tema é o Papai Noel. Como e o que pensar sobre ele?

Eu não vejo tanto problema no Papai Noel, há não ser a chantagem que os pais fazem com seus filhos o ano todo, usando-o:

“Se você não for bonzinho, o Papai Noel não vai te trazer presentes no natal!”

Deixando isto um pouco de lado, o próprio Papai Noel provavelmente não tem origem cristã, como pode ser lido no texto “Papai Noel, São Nicolau ou Odin?” de Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa. Mas isto sempre foi algo mais do que óbvio, afinal quem são os ajudantes do Papai Noel mesmo? Duentes. Ah, mas espera… O que duendes têm a ver com o cristianismo mesmo? Pois é: nada. São uma figura vinda das religiões pagãs européias, anteriores à chegada do cristianismo nestes locais. Assim, ensinar sobre o Papai Noel para crianças não teria grande problema. Afinal, ele é só mais um mito e que pode ser totalmente separado da mitologia cristã.

Ainda assim, se você não se sentir bem comemorando o Natal, comemore o Newtal: o aniversário de Isaac Newton.

Newton de fato não nasceu no dia 25 de dezembro, nasceu em 4 de janeiro, mas foi registrado nesta data. Segundo a Wikipedia:

Newton nasceu em 4 de janeiro de 1643 em Woolsthorpe Manor, embora seu nascimento tivesse sido registrado como no dia de Natal, 25 de dezembro de 1642, pois àquela época a Grã-Bretanha usava o calendário juliano.

Assim, ateus podem comemorar o natal sim, sem nenhum problema. Não só podem, como de fato comemoram, só que de uma forma um pouco diferente e com significado diferente. Isto é mostrado muito bem, aliás, no artigo “No Natal, ateus celebram o nascimento de Newton” da Folha.com.

Até porque, o que de fato há de importante no natal não são os mitos, mas sim nossa família e amigos e o fato de ficarmos todos mais próximos nesta época. :)

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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15 Comments

  1. Religião é a politicagem da fé. E com politicagem, temos regras.

    Por uma data pra ser bonzinho alivia a pressão de sê-lo o ano todo.
    Temos que lidar com gente, com comportamento, com variância de personalidade, ganância, trapaça, bipolaridade, transtornos obsessivos, e ainda ser bonzinho e caridoso? Um dia só tá bom né? :D

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  2. É isso aí Mário, excelente!

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  3. Bem, não entendo o “pretenso” da história, sendo que existem sim evidências que comprovam a existência de Jesus.
    Já o fato do aniversário dele, este sim, concerteza não é dia 25 de dezembro, isso só alguém muito alienado pra ainda dizer que ele nasceu neste dia.

    Vale a pena dar uma pesquisada antes…

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    • Hmmmm… Interessante… E onde estão essas pretensas evidências?

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      • Abaixo.

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  4. Primeiramente deve-se ter em mente de que a história, ao contrário da ciência, não pode ser levada para o laboratório e muito menos remontada, então para se valer de algum fato são tomados outros mecanismos de verificação

    Um dos maiores problemas dessa mitificação de Jeusus é reconhecidamente a pobreza de documentos referente ao período em que ele viveu, ao contrário do que muitos esperam, já que ele seria um pessoa com grandes feitos, deveria-se ter muita coisa escrita sobre eles através de várias fontes, mas também deve-se atentar para o fato de que Jesus não foi reconhecido pelos seus contenporâneos e sua mensagem não foi bem recebida por eles, por ser dura de mais para sobrevaler as suas tradições, tanto que foi condenado à morte pelo povo ao qual deveria ter apoio. Ademais seu ministério foi relativamente curto percorrendo um limite inferior a 400 km de diâmetro.
    Junte isto ao fato que mesmo grandes figuras do passado nem sempre tem a sua historiecidade bem atestada por documentos contemporâneos como muitos supõe. Não temos por exemplo nenhum texto grego anterior ao terceiro século AC que confirme figuras históricas e famosas como sócrates, platão e até mesmo Alexandre O Grande.
    Outro exemplo é o grande rei Nabucodenosor , tal como seu império Babilônico, ambos relatados na bíblia, que tiveram sua historicidade mitificada por muitos anos (muito pelo fator de desconsiderarem a biblia como documento histórico) mas que foi confirmada somente no século 19 cerca de 2500 anos após a morte de Nabuco. O faraó tutankamon também não seria conhecido se não fosse acerca de testemunhos encontrados séculos após sua morte o que levaram a buscas em torno de evidências materiais ou escritos sobre ele.
    Levando em conta este fatos, a historiecidade da maioria destes personagens também poderia ser questionada não? E por que não são?

    Uma das explicações para essa pobreza está no fato que muito se perdeu no grande incêndio da biblioteca de alexandria, ao qual ninguém pode garantir que dentre os 700 mil livros e manuscritos não se encontravam referências a Jesus. Sem contar que não é errado também supor que existissem mais coisas a respeito de Jesus que foram arruinadas pelo incêndio em Roma causado por Nero em 66 D.C .

    Outro fato interessante é que até o presente momento só foi encontrado um esqueleto de um pessoa crucificada (encontrado em 1968), mas os relatos, que não são só bíblicos, levam os estudiosos e historiadores a não ter dúvida alguma sobre isto.

    Existem fontes judias e romanas que sobrevivem e oferecem todas evidências sobre a existência de Jesus. Há também referências contemporâneas, como a menção de Talos na História dos Africanos e a carta de Mara Bar-Serapion, que oferece evidência indireta.

    Talos foi um historiador samaritano que viveu ao redor de 52 d.C.
    Ele escreveu idéias tentando dar uma explicação natural para as trevas que ocorreram na crucificação de Jesus.
    Sua obra original é considerada perdida, mas outra obra referente Julius Africanus em Cronografia, XVIII do terceiro século afirma citando Talos :

    “O mundo inteiro foi atingido por uma profunda treva; as pedras foram rasgadas por um terremoto, muitos lugares na Judéia e outros distritos foram afetados. Esta escuridão Talos, no terceiro livro de sua História, chama, como me parece sem razão, um eclipse do Sol.”

    O importante aqui é evidentemente que Talos não negou a existência de Jesus, mas só tentou explicar as estranhas circunstâncias (Cf. Mc. 15:33) em torno de Sua morte.

    Carta de Mara Bar-Serapion

    Mara Bar-Serapion escreveu uma carta a seu filho na prisão, em aproximadamente 73 d.C., exortando-lhe a buscar sabedoria e menciona as mortes de Sócrates, Pitágoras e de um “rei sábio” dos judeus:

    “Que vantagem tem os judeus executando seu sábio rei?…O rei sábio naõ morreu; ele vive nos ensinos que deu.”

    A pessoa mencionada aqui tem um grande semelhança com Jesus, mas já que não é mencionado pelo nome, há espaço para os ateus duvidarem do Jesus que é mencionado na Bíblia, mas até agora não foi encontrado nehum outro considerado “rei dos judeus”.

    Tácito

    Cornélio Tácito foi um historiador romano que viveu em c.55-117 d.C.. Ele escreveu de “Cristus” em seus ANAIS Livro XV, Capítulo 44,:

    “Nero procurava por um bode expiatório e infligiu as torturas mais diabólicas a um grupo de pessoas odiado por todos por seus crimes. Esta era a seita conhecida como cristãos. Seu fundador, um Cristus, foi executado pelo procurador Pôncio Pilatos no reino de Tibério. Isto suprimiu a superstição abominável por um tempo, mas voltou e expandiu, não só pela Judéia, onde se originou, mas inclusive até Roma, o grande depósito e terra coletiva de todo tipo de depravação e sociedade. Aqueles que confessaram ser cristãos foram presos em seguida, mas por seu testemunho grande númerro de pessoas foi convertida, não tanto pela acusação de incêndio, mas pelo ódio da raça humana inteira.”

    Esta passagem se encaixa diretamente com o relato bíblico da condenação e execução de Jesus.
    Suetônio
    Suetônio foi um oficial judicial e analista de Adriano em torno de 120 d.C., quem escreveu:

    “Como os judeus estavam fazendo perturbação constante a instigação de Crestus, ele os expeliu de Roma.” A Vida de Cláudio, 25.4,

    Você pode até negar que este “Crestus” não se refere a Jesus, mas segundo as historidicidade é mais plausível que tenha sido um erro gramátical ou fonético do que uma outra pessoa com nome parecido.
    Sem contar que no evangélio de Lucas se faz referência a mesma expulsão em At. 18:1-2 .

    Estas são algumas fontes “pagãs” a respeito, existem outras judaicas, como Flávio Josefo, mas não vou entrar neste mérito.

    É estranho que apesar de tudo isso, existem ainda críticas de estudiosos modernos sobre todas estas evidências, apesar de ignorarem que são os mesmos fatores que tem sido utilizados para comprovar grande parte do que temos historicamente até hoje.
    Sem contar que aqui podemos nos valer de um fator comumente utilizado por evolucionistas, que é o fato de a muito ainda a ser revelado e descoberto a respeito deste assunto. Se William Buckland não tivesse (oficialmente) descoberto o primeiro fóssil de dinossauro a 200 anos atrás, ainda achariam que o Beemot era apenas um ser mitologico também.

    Té mais

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    • O problema, Roberto, é ter algo DA ÉPOCA de Jesus. Algo escrito enquanto ele estaria vivo.

      Além disso, há um outro problema. Mesmo que tenha existido um “Jesus”, o qual seria a fonte do mito, ainda assim ele não seria o Jesus apresentado na bíblia, porque teria sido apenas um ser humano. Nada de milagres, nada de ressurreição, etc. Este, o bíblico, realmente não tem como ter existido.

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      • Este problema Mário, foi o que te relatei a cerca de Sócrates, Platão,Alexandre O Grande e ainda questionei a respeito destas historiedicidades não serem contenstadas apesar de se valerem dos mesmo pontos de pesquisa, pois para ambos também não existe nada da época, o que se tem são de décadas ou até séculos posteriores. E como o exemplo citado da babilônia, talvez tenhâmos muito ainda a redescobrir.
        Cláro, concordo com você,muitos mitos foram criados a cerca de Jesus, mas um ponto interessante é justamente a negação de sua existência.

        O fato é que sim, pelo menos o tal “Jesus histórico” existiu, como é citado pelo historiador F.F Bruce: “Alguns escritores podem brincar com a imaginação de um ‘Cristo-mito’, mas eles não o fazem no campo da evidência histórica. A historicidade de Cristo é tão axiomática para um historiador imparcial como a de Júlio César. Não são os historiadores que propagam as teorias de um ‘Cristo-mito'”

        Já a questão dos milagres e da ressureição daí entram em outros fatores que se for de interece poderiámos comentar, mas acredito que este não seja o foco do diálogo.

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        • O problema, Roberto, é que as fontes cerca de Sócrates, Platão, Alexandre O Grande e outros são mais confiáveis do que as fontes de Jesus, que é majoritariamente a bíblia.

          A bíblia, como fonte histórica, é uma piada. Basta pra isso citar o gênesis, o dilúvio, a “divisão das águas” do mar (seja lá onde isso hipoteticamente aconteceu), etc.

          Uma infinidade de personagens ali não passam de lendas judaicas e de outros povos, dos quais os judeus se apropriaram culturalmente.

          Com tantas histórias fantasiosas pregadas como “verdades absolutas” na bíblia, fica complicado confiar em QUALQUER coisa ali dentro.

          Jesus só foi citado de passagem, tempos depois de sua pretensa morte, quando a “lenda Jesus” já havia se instalado.

          E quanto a historiadores, os únicos que consideram que jesus tenha existido são os cristãos.

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          • Mário, você pode entender sobre computação, ufologia, etc… Mas quando você entra em uma área a qual você não possui um conhecimento amplo, é bom manter-se quieto pra não falar bobagens…

            Desculpe mas não me formei em história, ou melhor os meus professores não se graduaram na Universidade Hebraica de Jerusalém, pra ter que ouvir uma dessa…

            Você precisa rever seus conceitos Mário, talvez tu esteja tão ideológicamente engajado em uma causa que não consegue ver nada além dela. E isto te torna tão igual aos religiosos bitolados. Pois já de cara nega tudo o que seja contrário.

            Abraço

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          • Típico. Perde os argumentos, parte pra ad hominen. :)

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          • Típico, não tem provas, parte pra falácia.
            Entrão me mostre provas de que são só os historiadores cristãos que acrediam, assim meu ad hominem será relamente um ad hominem e a tua “falácia” não será apenas “falácia”.

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          • Bem rapazes, o último argumento do Roberto foi relaente um ad hominem, mas o seu Mário, contra o dele também foi.
            A diferença é que ele (Roberto) durante a discussão apresentou evidências aos argumentos dele, enquanto você (Mário) apenas contestou, mas sem base alguma.
            Desta forma fica até compreensível partir para uma ad hominem…

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  5. O ruim é mostrar os argumentos e o fanatismo cego ainda sim não ver.
    E esse ad hominem é o que Dawkins faz de melhor…

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  6. Que eu saiba Isaac Newton era cristão. E um Grande cristão!!!

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