Gliese 581g: as Perspectivas para a Astrobiolobia

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Introdução

Dia 29 de setembro de 2010 foi anunciada a descoberta de Gliese 581g, o qual acredita-se ser o planeta mais semelhante à Terra, e o potencial melhor candidato entre os exoplanetas para abrigar vida encontrados até hoje.

Segundo a Wikipedia:

Gliese 581 g é um dos seis planetas do sistema em torno da estrela Gliese 581 (uma anã vermelha, que fica na Constelação de Libra), tem uma massa três vezes superior à da Terra e parece ser rochoso. Orbita a sua estrela a uma distância que o coloca bem no centro da chamada “zona habitável”, onde a água poderá existir em estado líquido à superfície do planeta. Se Gliese 581 g possuir uma composição rochosa semelhante à da Terra, seu diâmetro pode ser estimado entre cerca 1,2 a 1,4 vezes superior ao da Terra, portanto terá gravidade suficiente para conseguir reter a sua atmosfera.

Veja uma ilustração sobre o posicionamento deste planeta em relação à zona habitável entorno de sua estreja, Gliese 581g.

A intenção deste artigo não é falar sobre a descoberta de Gliese 581g em si, mas você pode ler mais sobre a descoberta deste exoplaneta no artigo “Descoberto planeta potencialmente habitável perto da Terra” do site APEX (Acompanhamento de Planetas EXtrassolares) do GAEA (Grupo de Apoio em Eventos Astronômicos).

O mais interessante a se notar é que o anúncio desta descoberta causou grande impacto, não só na comunidade científica, como também na sociedade como um todo. Já temos até mesmo camisetas com estampas sobre Gliese 581g sendo vendidas, como você pode ver neste link. A estampa pode ser vista abaixo.

Contudo, a existência deste planeta foi colocada em dúvida, como pode ser lido no artigo “Grupo de cientistas não encontra sinais de planeta descoberto recentemente” também do site APEX do GAEA. Dele pode ser lido:

O time contestador da descoberta, liderado por Francesco Pepe do Observatório de Genebra, na Suíça, procurou sinais do 581g, mas falhou em detectá-los. Porém, não excluiu a possibilidade de o Gliese 581g realmente existir. “Não estamos tentando provar a não-existência de um planeta”, disse. “É realmente difícil provar que algo realmente não exista. Estamos somente dizendo que não vimos sinais significativos que não sejam ruídos [comuns no espaço].”

Não é possível julgar este novo estudo como um “ponto final” na pretensa existência de Gliese 581g, afinal teríamos que avaliar pelo menos dois pontos:

  • Possíveis diferenças de capacidades de equipamentos utilizados (o que não posso informar, pois não conheço as especificações dos equipamentos de nenhum dos dois grupos);
  • A possibilidade de haver, ou não, algum cientista entre este novo grupo (que contestou a existência de Gliese 581g) que defenda a teoria da “Terra Rara”.

Contudo, não pretendo discorrer sobre a existência ou não de tal planeta, nem mesmo defendê-la ou não. Pretendo apenas propor um exercício de imaginação: que tal se ignorássemos por um momento toda a discussão entorno da existência de Gliese 581g e fizéssemos uma brincadeira de especulação, descompromissada até, mas, ainda assim científica, sobre a relação da descoberta deste planeta e com a astrobiologia? Se você aceitar a proposta, continue lendo abaixo. :)

Perspectivas para a Vida

Como já dito no artigo “Vida, um produto do universo, não um milagre”, a definição da vida dada pela NASA é a seguinte:

“Vida é um sistema químico autosustentado capaz de sofrer evolução Darwiniana.”

Além disso, havendo energia livre de Gibbs (o que, via de regra, sempre há) e havendo um local apropriado para sua formação e desenvolvimento, ela surgirá e evoluirá. Mas… E daí? Bem, daí que, segundo o que disse o professor de astronomia e astrofísica Steven Vogt neste artigo:

“Se eles [planetas como a Terra] fossem raros, não deveríamos ter encontrado um de forma tão rápida e tão perto. O número de sistemas com planetas potencialmente habitáveis é provavelmente da ordem de 10 ou 20 por cento, e quando você multiplica isso por centenas de bilhões de estrelas só na Via Láctea, isto dá um número grande. Pode haver dezenas de bilhões desses sistemas em nossa galáxia.”

Antes de tecer maiores considerações, vamos fazer algumas contas, conforme o professor Vogt sugere? Bem… Segundo as estimativas mais recentes, nossa galáxia teria algo em torno de 200 bilhões de estrelas. Adotando este número como correto e exato, o que teríamos? Se adotarmos o número de 20%, teríamos um total de 40 bilhões de sistemas com planetas potencialmente habitáveis. 40 bilhões. Se adotarmos o número de 10%, teríamos um total de 20 bilhões de sistemas com planetas potencialmente habitáveis. Quer dizer, de uma forma ou de outra, o número é realmente gigantesco.

Mas sejamos mais conservadores. Bem mais conservadores. Digamos 1%. O que teríamos? Um total de 2 bilhões de sistemas com planetas potencialmente habitáveis. 2 bilhões!!! Ainda assim, é muita coisa.

Seguindo com os números, digamos que apenas 10% desses 2 bilhões sejam, de fato, habitáveis. Teríamos 200 milhões de sistemas com planetas habitáveis. Mesmo se apenas 1% disso tiver vida, teríamos 2 milhões de sistemas com planetas habitados. E com vida tecnológica? Vamos chutar, de novo, 1%. Teríamos 20 mil civilizações tecnológicas em nossa galáxia. É muita coisa, deixa até mesmo a estimativa do Dr. Frank Drake, de 10 mil civilizações tecnológicas, dita numa entrevista que pode ser lida aqui (resposta à penúltima pergunta, na quinta página), com cara de conservadora.

Só que, claro, é sempre bom lembrar alguns pontos bastante importantes:

  1. Não temos como saber quantas dessas civilizações ainda existem, pois, pelo menos algumas delas, podem já ter se destruído seja através de um holocausto nuclear, seja devido a problemas climáticos (o que, só agora, estamos enfrentando).
  2. Das que restam, é provável que estejam distribuídas entre:
    1. Menos evoluídas do que nós: ainda usando ferramentas feitas com paus e pedras, ou até algo equivalente à nossa idade média;
    2. Tão evoluídas como nós: desde algo como nossa renascença, até, digamos, 2 séculos mais avançados do que nós;
    3. Mais evoluídas do que nós: a partir de 200 anos mais avançados do que nós. E, nesse caso, o céu não é o limite, mas sim a evolução do universo.

Por isso tudo, restam algumas perguntas:

  1. Como continuar a dar suporte a Hipótese da Terra Rara que, basicamente, afirma que sejamos algum tipo de “aberração galática”? (Não só nós, humanos, nem só a vida, mas o próprio tipo de planeta da Terra – de tamanho, massa, atmosfera e posições “ideais para a vida”.)
  2. Como não afirmar que a vida é, muito provavelmente, uma verdadeira praga no universo? (Atenção para o grifo.)

Haveria Vida em Gliese 581g?

 

Cconcepção artística de Gliese 581 g e sua estrela vermelha.

Como já foi dito, Gliese 581g muito provavelmente tem sua rotação travada em relação a sua estrela mãe, o que significa que um mesmo lado está sempre virado para a estrela, Gliese 581, num dia eterno, enquanto o outro lado está em noite eterna. Isso trás, como consequência, que um lado estará sempre muito quente, enquanto o outro estará muito frio.

Isto, claro, pode ser amenizado por correntes atmosféricas, que fariam com que o calor migrasse de um lado para outro do planeta, fazendo com que a temperatura de ambos os lados fique mais razoável. Ainda assim, a diferença será algo como um dia de muito calor no deserto do Saara e uma noite muito fria no ártico.

Isso quer dizer que não poderia haver vida em tal planeta? Pelo contrário. Antes de mais nada, é bom lembrar que, aqui na Terra mesmo, temos vida tanto no Saara, quanto no ártico. Além disso, como podemos ver aqui na Terra também, a passagem da área mais quente (zonas equatoriais) para as áreas mais frias (árticos) não é brusca: há toda uma zona temperada, onde a temperatura vai mudando gradativamente conforme se vai para o ártico ou para o equador.

Assim, se esse planeta estiver mesmo travado em relação à sua estrela mãe, ele terá uma área temperada, uma coroa, que vai de um pólo ao outro, exatamente em sua zona de penumbra (onde a luz da estrela não bate diretamente).

Mas… Há vida em tal planeta? Essa é uma pergunta ainda é virtualmente impossível de ser respondida, porque ainda não sabemos sequer a composição atmosférica de tal planeta. Contudo, podemos afirmar que, de fato, ele pode ter vida sim.

Sendo assim, como poderia ser as formas de vida por lá? Sobre isso, a série O Universo, do The History Channel, dá uma possível resposta no episódio “Rostos Alienígenas”, de sua terceira temporada. Elas poderiam se parecer muito com as formas de vida apresentadas no planeta fictício Eronel, apresentado no trecho desse episódio do vídeo abaixo.

E Vida Inteligente? Tecnológica? Poderia existir lá?

Podendo haver vida complexa, poderá haver algum grau de inteligência em algumas espécies. Afinal, pelo que já aprendemos aqui na Terra mesmo, com relação à evolução da vida, a inteligência tem se mostrado uma vantagem imensa na competição pelo alimento, pela reprodução e, enfim, pela vida.

Temos uma imensa gama de exemplos de vida inteligente em nosso próprio planeta, mas ao contrário do que poderia indicar o senso comum, a inteligência não é monopólio dos primatas (macacos). A inteligência se manifesta em outros animais, principalmente entre os mamíferos: porcos, cães, gatos, cavalos, elefantes, baleias, golfinhos, etc. E não apenas entre mamíferos, muitas aves são extremamente inteligentes, como o papagaio e até outras aves, que chegam a criar ferramentas para utilizar na busca pelo alimento. Insetos também, principalmente formigas e abelhas, mas é um tipo diferente de inteligência: é a inteligência coltiva. Quer dizer, enquanto uma abelha ou formiga isolada poderia ser considerada “estúpida”, em grupo são extremamente inteligentes. Veja mais sobre isto neste artigo do Wikipedia.

 

Uma pequena brincadeira com relação à inteligência animal

Para ilustrar isto, procure assistir ao episódio sobre qual seria o animal mais inteligente (depois do homem, claro) da série Animal Planet ao Extremo. Eu pretendia colocar este episódio aqui, através de um vídeo do Youtube, mas infelizmente não o encontrei. Atualizarei, caso venha a encontrá-lo.

Agora… Havendo vida inteligente, a vida tecnológica (ao exemplo do ser humano) se desenvolverá? Bem, aí já é uma pergunta para a qual não temos respostas. O que sabemos é que, para que tal vida se desenvolva, algumas características corpóreas são necessárias. Entre elas, teríamos:

  • Um cérebro grande e bem protegido (como no caso do nosso, que é grande e protegido pela caixa craniana);
  • Dedo pinça ou algo que o valha (como uma garra, que sirva de pinça, ou mesmo um tentáculo como de polvos), para criar e manipular ferramentas cada vez mais elaboradas;
  • Dois membros livres (os braços em nosso caso), no final dos quais ficariam as ‘pinças’, como citado acima, pelo mesmo motivo.
  • Entre outros pontos, alguns deles não tão claros assim.

 

Ilustração de uma "possível" forma de vida ET

Mas, mesmo havendo uma criatura desse tipo, não é garantia de que ela chegue ao desenvolvimento de uma sociedade avançada, ou mesmo à tecnologia. Isso dependerá muito de várias variáveis, sendo que algumas delas ainda sequer conhecemos. Mas seriam coisas como: a ausência de uma grande extinção em seu caminho evolutivo (como aconteceu no caso de algumas espécies de dinossauros extremamente inteligentes que existiram na Terra), a ausência de um competidor à altura (o que poderia jogar ambas as espécies numa guerra interminável), etc.

Neste aspecto, nós mesmos tivemos um bom competidor, o Homem de Neandertal. Contudo, pelo visto ele não era um competidor tão bom assim, além de ser de uma variante de nossa própria espécie. Mas o que ocorreria se tivéssemos como competidores uma variante da espécie dos felinos como competidores, tão inteligentes quanto nós mesmos? Esta é outra resposta extremamente difícil de ser dada.

 

Possível aparência de uma família de neandertais.

Além disso, porque outras espécies não chegaram a desenvolver uma inteligência tão avançada quanto a nossa? Esta questão já é muito mais simples de ser respondida: nós nos tornamos em um competidor não só à altura, mas até desleal, e acabamos por termos levar (ou ajudar a levar) várias outras espécies à extinção (como é o caso dos Mamutes, entre outros, e até mesmo mais recentes, veja: “Fotos de 10 animais extintos dos Séculos XIX, XX e XXI”).

Assim, outra espécie inteligente e tecnológica só poderá surgir em nosso planeta no dia em que desaparecermos: formos extintos, decidirmos não mais influir sobre as demais espécies, ou deixarmos este planeta, rumo ao cosmos.

Equação de Drake

 

Dr. Frank Donald Drake (28 de maio de 1930, Chicago): astrônomo e astrofísico americano.

Para quem é familiarizado com a astrobiologia já ouviu falar da famosa Equação de Frake, proposta em 1961 pelo Dr. Frank Drake, pioneiro no uso de radiotelescópios para a busca de sinais de vida inteligente fora da Terra, para tentar ajudar a estimar o número de civilizações com quem poderíamos esperar estabelecer contato. Sobre este tema, recomendo o ótimo artigo, escrito por Carlos Orsi, “40 bilhões de planetas habitáveis. Quantas civilizações?”, para seu blog no site do Estadão.

Conclusão

Antes de mais nada, quero lembrar que grande parte do que escrevi não passa de uma brincadeira de especulação. Especulação com bases científicas, claro, mas ainda assim só especulação.

Quanto à descoberta do planeta em si, como eu disse esta luta ainda terá muitos rounds, mas mesmo que no fim sua existência seja descartada logo virá não um, mas vários outros para substitui-lo. Afinal, lembrem-se: há possíveis 140 planetas de tamanhos semelhantes à da Terra ainda a serem confirmados pela NASA. E este anúncio está marcado para dia 1º de fevereiro de 2011, o que já está quase aí.

Assim, Gliese 581g existindo ou não; caso exista, tenha uma atmosfera que possa abrigar vida ou não; existindo e tendo atmosfera, tenha ele água ou não (o que só poderia ser confirmado analisando-se sua atmosfera, o que ainda não é possível), o fato é que as perspectivas para a vida extraterrestre estão cada vez melhores.

Se você quiser ler mais sobre atmosferas de exoplanetas, o que já sabemos ou não, indico o ótimo artigo “Sobre as atmosferas dos exoplanetas, o que sabemos? E o que não sabemos?” também do site APEX do GAEA.

E não digo isto apenas em relação a vida simples, que com certeza pode existir até mesmo em outros locais de nosso próprio Sistema Solar (como em Marte, Titã, etc.), mas também de vida complexa, inteligente e até mesmo tecnológica.

Mais que isto, daqui para frente teremos cada vez mais e mais novidades nesta área, as quais podem chegar a qualquer momento (afinal não é apenas o projeto Kepler da NASA que faz a busca por exoplanetas).

Assim é bom que todos fiquemos de olhos abertos, aguardando apenas para nos deliciarmos com as novidades. :)

Gliese 581g: as Perspectivas para a Astrobiolobia, 10.0 out of 10 based on 1 rating

Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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7 Comments

  1. Ótimo!Quem dera se existisse vida lá.
    MARAVILHOSO!!!!!!!!!!!!!!

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  2. Ótimo post, fala tudo mesmo sobre a astrobiologia referente ao planeta Gliese 581 g. Muito bom, apesar de ser especulações, ou seja, informações ainda não oficialmente confiramadas.

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    • Exato, Paulo Rômulo. É bastante especulação sim. Mas, desde que não passemos a acreditar em tais especulações como verdades fossem, não há problemas. :)

      Abraços!

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  3. Concordo com suas afirmações Mário César, mas penso que essas possíveis 20 mil civilizações inteligentes alienigenas em sua maioria seriam uma especie de primata. Pois o primata apresenta vários fatores que contribuem para sua evolução: polegar, é bipede, reconhecimento das cores e possui grande capacidade craniana. O golfinho por exemplo, possui inteligencia equivalente a de uma criança humana, mas não possui mãos eficientes para elaborar qualquer tipo de tecnologia. Muitas outras especies que se demonstram “inteligentes” são incapazes de produzir tecnologia eficiente. Atualmente, cientistas da NASA descobriram cerca de 1,000 planetas situadas na zona habitável.

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    • Sem dúvidas, Fernando.

      Contudo, temos que nos lembrar que estamos falando de planetas alienígenas. Quer dizer, lá a evolução pode ter tido um caminho bem diferente – por exemplo, pode ser que sequer tenha surgido algo como um primata e, por exemplo, possa ter surgido algo como um golfinho que jamais teve de migrar para a água. Saca?

      Ou seja: as possibilidades são, praticamente, infinitas. :)

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      • Sem dúvida, as possibilidades são infinitas. Alguma espécie até aquatica poderia ter desenvolvido um polegar assim como os primatas que anteriormente, na arvorie evolutiva não possuiam.
        Mas falo pelos padrões evolutivos e das espécies do Planeta Terra, em outros planetas podem existir seres que os cientistas jamais imaginassem que pudesse existir, como a bactéria que come arsênico, por exemplo.

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        • Sem dúvidas!

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