Ciência: Criada para Destruir a Religião

VN:F [1.9.22_1171]
Rating: 10.0/10 (3 votes cast)

Muitos entendem a afirmação contida no título da postagem como se fosse algo literal. Isto é, page como se os pensadores que moldaram a ciência tivessem realmente pensado “ah, capsule vamos fazer a religião sofrer e ser destruída!”. É óbvio que isto não é a realidade e sequer haveria cabimento nisso – afinal, information pills a ciência é muito maior do que isto. Mas a afirmação continua sendo válida.

Podemos demonstrar isto através de uma análise histórica, onde veremos que já tivemos uma diversidade imensa de deuses para cada fenômeno ou elemento natural: trovão (Ambisagrus, Júpiter, Kadlu, Loucetios, Taranis, Tinia, Thor, Tupã, Zeus), fogo (Agni, Angra, Bastet, Belenus, Brighid, Camaxtli, Creidhne, Goibniu, Grannus, Hefesto, Huracán, Loki, Luchtaine, Manco Capac, Ometecuhtli, Ptah, Varuna, Vulcano, Xiuhtecuhtli, Xocotl), vento (Euro, Noto), da terra (Enki, Kaus, Urash)… Em contraste, o que temos hoje? Todo um corpo de conhecimentos, os quais explicam perfeitamente tais fenômenos através de leis naturais. Mesmo os deuses de elementos (como o fogo e a terra), já não são mais adorados.

“Quanto mais aprendemos, de menos deuses precisamos.”

— Dan Barker

Deus Thor e a Serpente de Midgard (1905) por Emil Doepler.

Outro bom indicador disto, acho, é o número de cientistas ateus e agnósticos, frente aos que seguem alguma religião. Segundo o artigo “Scientists and Belief”, do site (aparentemente religioso) The Pew Forum, temos os seguintes gráficos (com tradução minha) comparando o público em geral e cientistas, que ilustram bem:

Gráfico 1:

Gráfico 2:

Já numa carta publicada na revista Nature de 23 de julho de 1998 (volume 394), que pode ser lida aqui, retira-se o seguinte (tradução minha):

Nosso grupo de “grandes” cientistas escolhidos eram membros da National Academy of Sciences (NAS). Nossa pesquisa descobriu algo próximo de uma rejeição universal do transcendente por cientistas naturais da NAS. A descrença em Deus e na imortalidade entre os cientistas biológicos da NAS foi de 65,2% e 69,0%, respectivamente, e entre os cientistas de físicas da NAS foi de 79,0% e 76,3%. A maioria dos demais eram de agnósticos sobre ambas as questões, com poucos crentes. Nós encontramos o maior percentual de crença entre os matemáticos da NAS (14,3% em Deus, na imortalidade 15,0%). Cientistas biológicos tiveram a menor taxa de crença (5,5% em Deus, na imortalidade 7,1%), com os físicos e astrônomos foi ligeiramente superior (7,5% em Deus, na imortalidade 7,5%). A comparação global para as pesquisas de 1914, 1933 e 1998 aparecem na Tabela 1.

A tabela mencionada é esta abaixo (novamente, tradução minha):

Mas nem precisaríamos ir muito longe: basta ver que toda e qualquer pessoa que entende minimamente a Teoria da Evolução (TE), por mais que seja religiosa, não será criacionista. Evidência disto é argumento/ofensa que criacionistas costumam usar contra quem defende a TE:

“Então você realmente acredita que veio do macaco?”

– Criacionista desconhecido

O ponto em tal “argumento” é que qualquer um que conhece minimamente de TE sabe que não “viemos” do macaco: nós somos macacos. Contudo, uma vez que a ciência consegue atingir aquela pessoa, todo esse ranço religioso vai caindo por terra. Primeiro o criacionismo, depois a própria ideia de sagrado da bíblia e, finalmente, a própria existência de um ser divino, criador dos céus e da terra.

“Se você acha que sua crença é baseada na razão, você a defenderá com argumentos e não pela força, e renunciará a ela se seus argumentos se mostrarem inválidos. Mas se sua crença se baseia na fé, você perceberá que a discussão é inútil e, portanto, recorrerá à força, ou na forma de perseguição ou anestesiando e distorcendo as mentes das crianças no que é chamado ‘educação’.”

— Bertrand Russell

Mas a ciência não funciona assim apenas com a religião, mas com qualquer crença infundada, como as pseudociências, por exemplo. Ufologia, astrologia, homeopatia… Tudo isto cai diante do menor pensamento cético e crítico, que é algo ensinado pelo próprio pensamento científico: o da investigação de tudo, não importa o quão “sagrado” as pessoas o vejam.

“Eu afirmo que existe muito mais maravilhas na ciência do que na pseudociência. E, além disso, em qualquer medida que este termo tenha algum sentido, a ciência tem a virtude adicional, que não é desprezível, de ser verdadeira.”

— Carl Sagan

Portanto, é óbvio que a ciência não foi criada com nenhuma outra intenção que não a de descobrir a verdade sobre como nossa realidade funciona. Contudo, o efeito que ela causa é justamente o de destruir crenças infundadas das pessoas que adquirem seus conhecimentos. Assim, afirmar que “a ciência foi criada para destruir a religião” se torna uma metáfora plenamente válida, o que é irônico, visto que a maioria daqueles que deram forma à ciência eram deístas ou mesmo teístas.

Isto se mostra verdade até mesmo devido à própria existência de pesquisas que buscam explicar de onde vem nosso universo, sobre a origem da vida, entre outros.

E, claro, é sempre muito bom, e até divertido devo confessar, estudar mitologias. Sejam elas antigas, ou mesmo recentes (como a mitologia cristã). Mas temos sempre de ter muito cuidado para separar a realidade da ficção, ou estaremos basicamente abrindo mão de nossos cérebros.

“Aprecie a fantasia, a diversão, as histórias, mas certifique-se de que existe uma linha divisora desenhada no chão. Agir diferente é aderir à loucura.”

— James Randi

Ciência: Criada para Destruir a Religião, 10.0 out of 10 based on 3 ratings

Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

Todas as postagens do(a) autor(a)

2 Comments

  1. concordo com a maior parte de suas alegações, crer em Deus é mais uma questão pessoal do que uma coisa puramente logica. pois como já disse em diversos comentarios a minha crença tem base pessoal e não posso prova-la impiricamente e sou honesto comigo mesmo eu posso estar enganado e que as experiencias que eu tive no sentido de crença possam ser explicadas de forma cientifica sem alegações de metafisica.
    Até eu provar para mim mesmo que tudo que sempre acreditei não passou de algo similar a homeopatia não vejo motivo para deixar de acreditar, pelo menos no momento. em todo caso sou leitor assiduo do site e confesso que aprendo muito com o material vindo de pessoas ateias da na net, gosto de seu trabalho, a maneira séria que escreve os seus artigos me faz um grande admirador seu.

    VA:F [1.9.22_1171]
    Rating: 0 (from 0 votes)
    • Boa, E. Nigma!

      Sabe, eu até escrevo sobre a existência ou não de deidades, mas procuro evitar isso. Procuro atacar as religiões mesmo, pois são apenas elas (não a crença em deidades, em minha opinião), que podem prejudicar (e, de fato, algumas vezes prejudicam) as pessoas.

      A crença em deidades deve ser isso mesmo que você falou: pessoal. Se toda pessoa que crê em um deus tivesse essa visão teríamos menos intolerância contra quem é diferente (que crê em um ou mais deuses diferentes, ou que seja LGBT, ou mesmo ateu). 😉

      Abraços!

      VN:F [1.9.22_1171]
      Rating: 0 (from 0 votes)

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

ChatClick here to chat!+