Cinco perguntas para: Salvador Nogueira

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Autor de vários livros e dono de uma carreira invejável, Salvador Nogueira é divulgador científico da Folha de São Paulo e colabora com o Globo News. Nascido em São Paulo, ele é, para muitos, a inspiração para os trabalhos de divulgação científica. Ele topou falar com o Ciência em Pauta, através do Livres Pensadores, por e-mail e estreia a coluna Cinco perguntas para.

 

Ciência em Pauta: Em que momento você decidiu que iria ser jornalista científico?

Salvador Nogueira: Meu gosto por ciência, sobretudo por astronomia, sempre foi muito grande. Contudo, preciso confessar que, quando chegou a hora de escolher o que cursar, me faltou convicção. Optei por jornalismo justamente por sentir que comunicação era um dos meus alvos preferenciais e pelo fato de que se trata de uma profissão que oferece muitas possibilidades. Cursei jornalismo e comecei na antiga Folha Online, depois saltei para a editoria de Ciência, e aí finalmente me encontrei profissionalmente. Isso lá pelo ano 2000. Faz tempo já. Agora, olhando para trás, fico muito feliz de ver como as coisas se desenrolaram. Mas se eu disser que planejei isso de antemão, é mentira. Tive uma bela ajuda da sorte para achar meu caminho.

 

CP: Como você avalia o peso da sua contribuição para o mundo da ciência brasileira e na divulgação da ciência internacional?

SN: Juro que não penso nisso. Sou movido por um sentimento muito elementar, que é o de contagiar as pessoas com aquilo que gosto e tentar, de algum modo, prepará-las para um mundo que cada vez mais vai exigir a alfabetização científica para a plena cidadania. Estamos num momento muito especial da história humana, e a forma como conduzirmos — democraticamente, espero — os rumos da civilização nos próximos anos definirá nosso potencial e nosso destino. Isso vale para o mundo de forma geral e vale para o Brasil, no concerto das nações. Faço muita força para as pessoas perceberem isso, se entusiasmarem e se envolverem. Então, não me vejo ajudando a ciência per se, seja brasileira ou internacional, mas sim ajudando as pessoas a chegarem ao mundo da ciência e a se envolverem com ele. Acho que, indiretamente, isso promove o desenvolvimento científico.

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Salvador também adora a cultura nerd, sendo fã de séries como Star Trek

CP: Quando você foi convidado pelo apresentador Jô Soares para uma entrevista sobre ciência e divulgação, lemos na internet duras críticas pelo fato do apresentador ter convidado um jornalista e não um cientista. Como você encarou isso?

SN: Sinceramente, se houve essas críticas, não passaram por mim. Eu não vi. Mas tenho absoluta tranquilidade. Nunca fui de aceitar argumento de autoridade. Não é o diploma que você guarda em casa ou no escritório que diz o que você pode fazer ou não. Tenho paixão pela ciência e entendo o suficiente para poder contagiar os outros com essa paixão. Se há os “doutores” que não apreciam isso, paciência. Não se pode agradar a todos. Mas, sinceramente, acho que essa atitude é absolutamente minoritária. A maioria dos cientistas com quem converso são absolutamente simpáticos ao meu trabalho, quando não entusiasmados. E, no fim das contas, o que eu faço é bater bumbo para eles.

CP: O que podemos esperar do Mensageiro Sideral para os próximos anos?

SN: Espero poder continuar na mesma toada. Não tenho planos concretos no momento, mas estou cheio de ideias. Pode apostar em mais livros para o futuro.

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A página do Mensageiro Sideral, sua coluna no site da Folha de S. Paulo, conta com mais de 38 mil curtidores

CP: Você acha que a divulgação científica é uma forma de ‘salvar’ a ciência no Brasil? Quais seriam outros meios?

SN: Acho que a divulgação científica não é uma forma de salvar a ciência no Brasil. É uma forma de salvar o Brasil. Se não desenvolvermos ciência de ponta, ficaremos para trás. E se o público não entender isso e não se entusiasmar pelo tema, nunca teremos essa produção e esse foco por parte dos formuladores de políticas. Então, a divulgação serve a um propósito duplo: alfabetizar uma população que no Brasil, infelizmente, ainda é largamente analfabeta em termos científicos, e dar ao Brasil uma chance de se sobressair no futuro, conforme a economia gira cada vez mais em torno de produtos científicos e tecnológicos.

 

Yara Laiz Souza, acadêmica de Ciências Biológicas da UEA, manauara. Ex-aluna do IFAM/CMDI, ex-pesquisadora de PIBIC. Escreve sobre ciências para o Amazonas Atual, para a organização Livres Pensadores e para o Núcleo de Pesquisas de Ciências – NUPESC e para o site Ciência e Astronomia.

Participe da coluna: mandesuapautaprayara@gmail.com

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