Cinco perguntas para: Thaisa Bergmann

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Thaisa Bergmann é formada em Física, e, recentemente, foi uma das vencedoras de uma premiação da empresa Loreal Paris que visa estimular a produção de ciência entre as mulheres. Ela conversou via E-mail com o Ciência em Pauta, no site Livres Pensadores, estrelando mais uma edição da coluna Cinco Perguntas para.

 

Ciência em Pauta: Como você pode resumir os seus anos de faculdade?

Thaisa Bergmann: Foram anos muito bons, onde eu acabei descobrindo o que gostava de fazer: pesquisa científica. Embora eu gostasse de ciência desde jovem, só mesmo na faculdade é que descobri que isto poderia ser uma profissão.

CP: Em que momento da sua vida você decidiu pela Física?

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Thaisa: brincar de ciência virou profissão

TB: Foi aos 18 anos, 6 meses depois de ter ingressado na Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Eu fui influenciada por uma prima 2 anos mais velha que sabia desde cedo que queria cursar arquitetura. Entrei na arquitetura por influencia dela, mas me dei conta disto já no primeiro semestre: êpa, isto é o sonho dela, não o meu!

Aos 12 anos de idade eu tinha um laboratório no sótão da minha casa onde fazia experimentos de química e biologia, mas era só diversão e como disse, não pensava em fazer ciência como profissão. Mas quando cursei Física para Arquitetos no Instituto de Física, e comecei a circular pelos laboratórios me dei conta que era aquilo que eu queria fazer. Mudei de faculdade no segundo semestre.

CP: A sua descoberta com o Telescópio Hubble, nos anos 80, causou barulho na comunidade científica. Você pode explicar um pouco mais para nós?

TB:  Foi na verdade nos anos 90 que eu fiz minhas mais importantes “descobertas”:

1a.) Usando o telescópio Blanco de 4m do Observatório de Cerro Tololo, no Chile, descobri a presença de gás girando a altíssima velocidade (10 000 km/s) , o que só poderia resultar do movimento orbital em torno de um Buraco Negro Supermassivo no centro de uma galáxia. Foi uma descoberta importante, pois a galáxia não é muito ativa, e na época achava-se que os Buracos Negros Supermassivos só se encontravam no centro das galáxias chamadas ativas. Hoje em dia sabemos que os Buracos Negros Supermassivos estão presentes no núcleo da maioria das galáxias, e meu trabalho ajudou a confirmar isto.

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Thaisa: após um semestre de Física para Arquitetos, teve certeza do que queria para a vida

2a.) Usando o Telescópio Espacial Hubble eu participei da construção de um Atlas de Espectros de Galáxias: a partir do Atlas contribuí para vários trabalhos, entre eles: (a) a derivação de uma Lei de Obscurecimento, que mostra como corrigir a luz emitida por galáxias do efeito da poeira que bloqueia a luz; (b) a construção de uma biblioteca de espectros de galáxias que são usados em vários observatórios em todo mundo para estimar os tempos de exposição das observações de galáxias a diferentes distâncias; (c) um estudo mostrando que a quantidade de elementos pesados (ou metais) do gás é semelhante à das estrelas formadas na região, confirmando que foram formadas deste mesmo gás.

 

CP: Como você vê a participação feminina na ciência?

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Thaisa durante a primiação

TB: As mulheres ainda são minoria nas áreas científicas em geral, talvez com exceção da medicina e biologia. Mas na Física, por exemplo, só ~10% dos cientistas brasileiros são mulheres. Acredito que seja uma questão principalmente cultural: a sociedade não promove a ciência como uma atividade feminina; a mídia ainda valoriza mais as mulheres pela sua aparência, os brinquedos mais dados às meninas são bonecas, algumas mulheres procuram ficar famosas namorando homens famosos. Acho que está mudando isto um pouco, mas a mudança é lenta.

CP: Na sua opinião, quais medidas precisam ser tomadas para que o avanço da ciência no Brasil seja cada vez melhor e maior?

 TB: O Brasil precisaria valorizar mais a educação fundamental, investindo em melhores  instalações e pagando melhor os professores da educação básica, seguida pela educação dos 2o. e 3o. graus. Só assim teremos bons professores, que vão querer ser professores e vão poder incentivar e valorizar os estudantes de acordo com seus interesses e aptidões. A educação é a base de tudo. É claro que o Brasil tem muitos outros problemas, como a corrupção, justiça falha e lenta, mas tudo tem como semente a má educação do povo.

 

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