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[CONTOS] As Flores do Orfanato.

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Sem título


Marta e Olívia, shop [1] duas jovens estudantes de Artes se encontravam em uma banca no intervalo de aula, nurse [2] fronte a universidade para comprarem a apostila da cadeira, [3] enquanto o vendedor da banca conversava com o jornaleiro, estava comentado que o orfanato que fora criado necessitava de melhorias, uma pintura que representasse a vida de forma bela, visto muitas delas terem sido abandonadas pelos pais e sentirem solidão. Olívia, para de ler o livro e escuta a conversa, pergunta para o jornaleiro qual era o endereço do lugar e, posteriormente, se compromete a dar novos ares ao orfanato, Marta se anima e concorda com Olívia.
O jornaleiro lhe entrega um papel com o endereço, diz a Olívia que o orfanato não teria condições de lhe pagar, infelizmente os custos para mantê-la funcionando são altos. Olívia diz ao jornaleiro que não se importava com o dinheiro, ela era órfã e passou a infância entre orfanatos da cidade onde nascera, e o valor da beleza do lugar é essencial para alimentar a esperança de crianças em ter novas vidas.

Marta e Olívia chegam ao orfanato, logo na entrada se observa os paus de madeira improvisados como porta, mofada pelo tempo. Ao abrir a porta, a fragilidade do material lhe fazem temer que quebrasse, o chão batido de cimento e areia reforçam a ideia de decadência, como se jogassem ao relento os sonhos infantis, as lágrimas já eram companheiras de Olívia, formando um rastro de poucos metros no caminho até a segunda porta, enxugando-o com o pé. Adentrando ao recinto, Marta e Olívia veem um menino, aparentemente emburrado por broncas anteriores a chegada das duas, com carrinho de corrida nas mãos. Serena, uma das cuidadoras, o segurava pelo braço. Marta, Olívia e Serena conversam rapidamente, Serena aponta para as tintas, amontoadas em um pequeno baú centenário, ao qual exalava um cheiro de mofo oriundo do carvalho envernizado. Marta vê desenhos simplistas e coloridos das criança órfãs, colados na parede branca e descascada, estragada pelas infiltrações dos tetos de telhado de barro. Marta aponta os desenhos para Olívia, que já pega o pincel e o lápis e arrisca rabiscos redondos sobre a parede. Depois de algumas horas, flores já dominavam parte do cenário do orfanato, crianças atentas passeavam timidamente, com aparente curiosidade, viam o lugar onde vivera se tornar mais agradável, agradecendo silenciosamente entre olhares inocentes pela pouca idade que possuíam.

Olívia e Marta, suadas e com as roupas sujas de tinta, conversam baixo entre si sobre o trabalho que acabara de terminar. Uma das crianças que ali estavam surpreende Olívia com um abraço, a timidez fora vencido pela gratidão de tão admirável ato, o abraço se estende a Marta. A roupa da carente criança é tingida por gotas de tinta do pincel, ainda encharcado, que Marta segurava, lembrança do presente das estudantes de Artes. Sem que Marta e Olívia soubessem, papéis em branco davam lugar a um colorido desenho das duas, mãos pequenas e delicadas de órfãos preenchiam bonecos primitivos de cabelos e sorrisos entre flores. As duas foram calorosamente abraçadas pelas crianças, alguns encabulados não se aproximaram de momento, até ambas tocarem carinhosamente nos papeis desenhados, criando o elo necessário para tal afeto acontecer. Com as garatujas em mãos, saem do orfanato com o ar de missão cumprida, ali ninguém mais a esqueceriam, Olívia e Marta deram uma melhor infância àquelas crianças, um dia florescerão as rosas desenhadas, amadas até que o tempo apaguem e o destino os levem para novos lares.

Autor: Gregori Fiorini