Da Origem de Determinados Argumentos Tolos – V

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A Desconstrução de Uma Racionalidade Aristotélica

(mas sua renitente sobrevivência em certos meios)

 

Um pequeno conjunto das tolices deste senhor

 

Aristoteles 1

 

Aristóteles colecionou desastres ao tratar do natural, shop e destacadamente, page no que  iríamos chamar posteriormente de Física. Figuram neste conjunto, que a função do cérebro era esfriar o sangue, que mulheres tinham dentes a menos*, que elefantes cairiam mais rápido do que cães de uma torre (não coloco animal muito pequeno porque nem desejo lembrar da variável da resistência do ar que até poderia ser uma desculpa experimental para o grande grego), que o movimento não seria perpetuado ao não incidir mais no objeto uma força, e por aí vai.
* E ele foi casado comprovadamente com duas mulheres! E é indiscutível sua relação com uma prostituta, Phyllis.

 

aristoteles e phyllis 1

 

O livro “A Historia Da Filosofia”, de Will Durant, disponível na coleção “Os Pensadores” – no sebo mais próximo de você! – fornece uma ótima panorâmica nos erros deste senhor, e no quanto esteve perto de perceber e deduzir, pasmemos, o processo evolutivo nos seres vivos.

will durant 1

Mas notemos que aqui não pretendemos um “anti-ad verecundiam”, desmerecendo o trabalho do grande homem.

Recomendaria, leitor, antes de prosseguirmos, que passasse os olhos, se já não o leu, pelo texto:

Richard Dawkins; Ciência, Ilusão e o Apetite pelo Fascínio – ateus.net

 

Os “aristotelismos classificatórios”

 

Tratei deste meu conceito e suas implicações, o hilemorfismo dos apedeutas  – sim, exatamente isso! – da Montfort, no texto:

 

Scientia est Potentia – Aristotelismos classificatórios

 

Neste mundinho de ideias cristalinas e estanques, que consideram que quanto perco uma unha de meu pé por um tênis não muito macio durante uma longa caminhada, deixo de ser eu mesmo (!) e principalmente para nossa discussão um ser humano – sim, releia, pois as decorrências desta tolice que considera as coisas do mundo completamente herméticas e adiabáticas, indissolúveis e não contínuas de forma alguma sob todos os aspectos, pode ter estas perigosas e ridículas consequências – pelas suas premissas e raciocínios trôpegos e rotos, um elefante só dá origem a um elefante, um rato a um rato, mas curiosamente, já tolera os sexos, que garanto que já entre os gregos incluiriam morfologicamente os hermafroditas, pois o termo oriundo do mito é deles, e pela sua população, não deveria ter deixado de nascer entre eles os indiferenciados neste aspecto.

 

elefante embriao 1

 

 

Observação: Para uma devastação completa desta bobagem morta e enterrada, que nega inclusive que  matéria que forma um elefante de seu óvulo até suas toneladas de corpanzil, seja formada absorvendo plantas, a qual só encontro nefelibatas que a defendem em patéticos personagens como os da Montfort e alguns pobres coitados esporadicamente perdidos pela internet em suas verborreias tolas, recomendo o Apêndice que acrescentei a este texto.

Em suma, o que Aristóteles aqui legou ao mundo foi uma classificação, muito útil*, mas conjuntamente, um fixismo que impera nas mentes que estancam aprender mais sobre como realmente a natureza seja, e não como Aristóteles ou meia dúzia de sacerdotes hebreus um dia devem ter pensado que era.

*Aliás, por isso, é tratado por seus estudiosos mais sérios – e com tal concordo – como o fundador mais primitivo da Biologia.

 

A Lógica

 

Não negaríamos jamais que a contribuição de Aristóteles para o que hoje é LINGUAGEM é seminal e inigualável. O “pequeno problema”, e algumas deduções de Aristóteles exatamente isso mostram, como sua análise do que sejam movimentos e forças, é que partindo-se de premissas falsas, e em Física, assim como em qualquer ciência natural, isto levará inexoravelmente ao desastre, e podemos dizer que até a conclusões simplesmente idiotas, e não há outro termo.

Existe no pensamento excessivamente aristotélico sobre como se produz conhecimento, quando se trata da natureza, um tendência pela pressa, com conclusões mais que apressadas.

 

lineu 1

 

 

Vide o tanto de diferença que existe entre o grego e Lineu, ou mesmo Darwin e outros de seu tempo, com observações e mais observações preenchendo páginas e páginas, antes de apresentar suas classificações e hipóteses.
Que todos os discípulos de Aristóteles reconheçam que o experimento é o verdadeiro mestre a ser seguido na Física. – Blaise Pascal

 

O legado (ou maldição) a Tomás de Aquino

 

Como os raciocínios de Aristóteles conduziam a algo que se pareceria com a divindade única judaico-cristã*, uma causa incausada, “primeira”, motor do mundo, etc, é bem claro que não tardou até um pensador dentro da igreja passar a adotar seus exercícios de linguagem (pois mais que isso não são) como demonstrações de tal ser.

 

* Pulemos aqui o problema do pai de si mesmo e sendo direto, seu filho de si próprio um tanto rude quando trata de tirar vendedores de certos espaços públicos e até justo em proteger da lei vigente alguma moça de conduta um tanto não aceita. – Em caso desta nota não ser entendida, o Novo Testamento, por favor.

 

Some-se a isto mais alguns argumentos similares – como o argumento ontológico de Anselmo – partindo da existência de místicos e perfeitos, digamos, unicórnios, como fundamento de que ao se pensar em algo ‘assim ou assado’, necessariamente este algo exista, e “portanto”, unicórnios existem, especialmente, como sabemos, nós, os crentes – diria certos, e absoluta e roseamente certos – da eficiência da ironia de U.R.I..

Logo, os métodos puramente linguísticos de Aristóteles, tão confiáveis quanto eu afirmar que não havendo jamais refutação da existência de um corvo vermelho, este existe (!), e não só isso como não se tendo a comprovação de que não habitavam o espaço interestelar e inclusive um espaço além de todo o espaço pensável, um além do mundo  (“lugar” exatamente onde se coloca um deus não contínuo com sua criação), existiam e são causa contemporânea no mais longínquo passado da formação do mundo. Ou seja: por lógicas igualmente sólidas, podemos colocar corvos, e no caso de reclamações de ser este apenas um pássaro, coloquemos um transcendente a qualquer coisa unicórnio rosa invisível, e a lógica continua sólida, e não se conclui de forma alguma por um deus que poupou o filho de Abraão, ou liquidou cidades onde o comportamento não era muito hebraico, ou mesmo, sangrou em uma cruz pelos nossos pecados.

 

doutores da igreja 1

 

Três grandes doutores da igreja. À luz da Filosofia contemporânea (e até anterior a esta), um tanto apressados em suas conclusões.

 

Claro que além do religioso, no campo do filosófico, os grandes Kant e Hume trataram de fazer em pedaços este tipo de análise/construção metafísica, em marcha de desconstrução que até hoje jamais produziu novamente um tijolo de linguagem confiável sobre o outro, estando todos lá, esparramados por uma razão fragmentada que não junta mais seus cacos. Destes estilhaços, ainda em constante pulverização, nasceu uma razão muito mais poderosa e inquebrantável em sua perfeição, que apenas livrou-se de maldições de uma metafísica inconstruível, que apenas é repetida como conjunto de mantras patéticos em cursos de teologia pelo mundo afora, como se fossem hoje mais que tolices mortas e enterradas, apenas maldições que foram legadas primeiro a Agostinho, Anselmo e sua maior vítima, Tomás de Aquino.

 

O nascimento do empirismo

 

Talvez arrume discussões árduas, mas atribuo a Bacon o pensar empirista no científico. Nele percebo os alicerces mais profundos da Filosofia da Ciência que se desenvolveria séculos depois, mesmo com os espasmos positivistas de uma hierarquia inquebrantável da Lógica sob a Matemática e esta sob a Física, e desta, todas as demais ciências.

 

Wikipedia – Empirismo

 

Nesta opinião, aparentemente, não estou sozinho:

 

www.mundodosfilosofos.com.br – Bacon

 

bacon 1

 

Seria a marcante cor do fundo um meme que perpetuou-se no meu “corvo vermelho”?

Jamais poderei dizer, até por ser um empirista radical, que não.

Expliquemos a banalidade de onde nasce tal maneira de pensar sobre o próprio filosofar que produza ciência, soberbamente a natural e as mais formais, voltando ao meu bichinho filosófico preferido: como pode alguém afirmar que não exista corvo vermelho, por puro discurso, por mais aparentemente lógico que o seja?

 

corv vermelho 1

 

Perdão, mas descaradamente copiado e editado de theredcrowstudio.artcodeinc.com
Repitamos as devidas perguntas simples:

 

1) Já viu por acaso todos os corvos do mundo?

2) Já viu todos os corvos em toda a história deste animal? Como pode saber se houve alguma população ou exemplares deles? (Nem falemos do futuro, aqui deixado em aberto pois não quero colocar o apriorismo kantiano de tempo como uma questão a ser um problema para a própria Cosmologia e Física.)

3) Por acaso tem como garantir que populações ou mesmo indivíduos de corvos vermelhos foram abduzidos por alienígenas no passado ou mesmo hoje? (A questão pode parecer ridícula, mas em Filosofia, no desconstruir argumentos alheios, pouco nos interessa o julgamento por um absurdo, se existe a mais remota e ínfima possibilidade de algo. – Em suma, em Filosofia, aponta-se o preto e o branco como questões a serem respondidas, e não nos interessa entre existir e não existir um não definível “cinza do existir”. Aqui, busquemos o terceiro excluído de Aristóteles, e ele nos será útil.)

Acredito que só com estas questões resolvamos o problema. O entendimento da natureza, seja sobre a cor dos corvos, seja sobre o mais profundo dos segredos da natureza não pode ser obtido sem a experimentação e observação do mundo, e mesmo assim, estas não são absolutamente confiáveis.
Ciência é o que você sabe. Filosofia é o que você não sabe. – Bertrand Russel
Recomendo:
Antônio Rogério da Silva; Racionalismo e Empirismo – www.algosobre.com.br

 

A consolidação da falseabilidade

 

Claro que a partir deste “testar” e “ver” chegamos no afirmar e buscar o falseamento. Assim, primeiro eu atiro um  pobre coitado cão de uma torre, talvez com um gordo porco e em caso de extrema necessidade de verificação, um relutante elefante. E vejo se caem com mesma velocidade. Eu não concluo/deduzo que por serem mais pesados, e pelo lugar do mais pesado ser mais em baixo, que sequer o porco cairá mais rapidamente que o cão.

 

elefante queda livre 1

 

Editado de biglicknews.blogspot.com

Nem pelo mesmíssimo motivo, partindo de premissas mais que suspeitos por passos lógicos ainda mais suspeitos, eu faço afirmações sobre o tudo, o antes nada, mesmo o “antes e depois”, sobre todo e tudo sobre o que seja tempo, se ali (ou não-ali) havia um ser pensante, que controla o mínimo das coisas (o que raios é o mínimo das coisas? como o afirmo?), etc.

 

Pausa: Já foi dito que um cosmólogo, que pode se ver tentado a afirmar que trata do “tudo-que -existe” com soberba segurança, gosta tanto de conversar com um filósofo como gostaria de ser pego pelos seus assistentes ou alunos saindo de um ‘cinema pornô’.

 

Logo, como bem aprendi com o professor Cirne Lima, sobre Heidegger, o objetivo deste era “destruir a Metafísica Ocidental”. Tal já foi feito, e coisa alguma mais se ergue com segurança sobre este terreno árido e simultaneamente movediço.

 

Exatamente isto que os teólogos e “crentes menores” tem feito, ao tentar sustentar o não mais sustentável, contradizendo o aqui sábio texto bíblico: “outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se”.

 

O que fazem, e nem percebem ou sabem, é continuar a realizar apenas exercícios de linguagem estruturada, algo tão comprobatório da existência de U.R.I. como a lógica rígida por trás de um diagrama a ser completado de sudoku.

 

Como diz provérbio português que há pouco aprendi, insistir conosco (ou quem tenha estudado de Filosofia mais que sua história clássica e mesmo de seu período renascentista e moderna) é: “É semear na areia, o cantar a um surdo.”

Para os iniciantes: O problema da indução e a falseabilidade – deusnagaragem.ateus.net

Para os intermediários: Ver o apêndice.

Para os avançados: Rume agora para um sebo e compre Karl Popper, Lógica da Pesquisa Científica.

logica invest 1

 

 

[Ciência é] uma série de julgamentos, revisada sem cessar. – Pierre Émile Duclaux (1840-1904) – bacteriologista francês – Num inspirado insight do que seria mais tarde a falseabilidade de Popper e outros .

 

Uma  nova herança maldita: as causas no Design Inteligente

Podemos aqui com um link trazer páginas e páginas do que já escrevi sobre o tema:

As Quatro Causas de Aristóteles em sua filosofia – sites.google.com

 

poster DI 1

 

Destaquemos:

 

“Aristóteles identifica causas materiais, aquilo da qual alguma coisa é feita; causas formais, a estrutura da coisa ou fenômeno; causas eficientes, a atividade imediata produzindo um fenômeno ou objeto; e as causas finais, propósito de qualquer objeto que estamos investigando.

[…]

Aristóteles nunca em suas causas teleonômicas implicou design inteligente na natureza.”
Como vimos, se sequer a lógica pura e isolada pode provar ao menos a cor de um corvo, ou sua não existência, como raios provaria que um determinado artesão o montou, ou mesmo seus olhos, ou mesmo os flagelos das bactérias em seus intestinos, ou sua hemoglobina? E mesmo pulando o desastrado problema do “artesão atrapalhado” que intervém em sua obra incompleta, por si chutando o até bonitinho argumento de Anselmo, ou mesmo a falácia do “deus das lacunas”, exatamente o deus de defeitos ou que deixa partes incompletas em sua obra, um permanente apelo à ignorância.

 

poster DI 2

 

 

Antes do derradeiro parágrafo deste texto, lapidemos alguns pontos de uma série de metáforas: cantarolar desafinado não é cantar, propriamente dito, da mesma maneira que o escrever algo não significa que seja nem coerente, nem estiloso, nem mesmo seja ininteligível – até dentro de uma relativa racionalidade – a outros ou, seja bem dito, um conjunto completo de erros; e referenciar em cima de erros do passado não é referenciar, no sentido estrito do termo, e sim, mostrar que não se está muito bem informado da história de determinadas questões..

Assim, tentar manter Aristóteles e seus exercícios de linguagem em Metafísica não é só cantar ao surdo, mas apresentar ao surdo que nem pode ouvir tal péssimo cantar a letra em Braille da canção, que ele nem sabe ler, e mesmo quando transcrito para uma escrita para quem vê, perceptível como uma inacreditável perpetuação de uma velhíssima tradição de erros e caminhos tortuosos há muitos e por muitos abandonados.

 

Apêndice

 

Hilemorfismo

 

Como bem alertado no site de onde foi copiado, “salve-se antes que da internet suma”, atente-se para a questão das partículas subatômicas, que “transformam-se umas nas outras”, e coisa alguma sustentam já por si que possa haver algo que seja um “ente indissolúvel e indecomponível” na natureza, embora, aqui, nossa discussão específica possa se resumir desde que eu seja fruto de meu pai e minha mãe, até que contenha átomos que venham de madeira queimada, assim como seja a modificação, nas linhagens de meu pai e minha mãe, de primatas carniceiros das savanas africanas, e antes disso, mamíferos, etc, aquela tal de árvore que Darwin pensou de maneira original e devastadora para quem se achava especial entre as formas de vida:

 

www.filoinfo.bem-vindo.net

 

É a teoria, primeiro elaborada por Aristóteles e ulteriormente ampliada na filosofiaescolástica, relativa à composição de todos os seres corpóreos, que são um todonatural, os quais estão integrados por matéria (hyle) e forma (morphe), na qualidade de componentes essenciais. Como corpos que, compostos desta maneira, constituem uma unidade, é costume considerar os elementos, os compostos verdadeiramente tais (mixta), os vegetais, os animais e os homens. Opõem-se ao hilemorfismo, por um lado, o atomismo o dinamismo filosófico-natural, os quais admitem um únicofundamentoessencial dos corpos, e, por outro lado, o dualismounilateral que admite no ser vivo, ao menos, no homem, dois entes, aliás independentes, unidos só por uma interação acidental. O hilemorfismo denomina-se também sistema peripatético, do mesmo modo que os sequazes de Aristóteles foram chamados peripatéticos, qualificativo derivado de peripatos. O átrio onde Aristóteles dava suas preleções. A hipótese da unidade integrada por dois constitutivos origina-se, em Aristóteles, do problema filosófico-natural do devir no mundo corpóreo. A observação cotidiana mostra haver na natureza mudanças e transformações dos corpos, os quais, pelo menos segundo as aparências, produzem algo de espécie inteiramente diversa. Tais processos, p. ex., a evaporação da água, são interpretados por Aristóteles — nos mais dos casos, apressadamente — como devir substancial, como mudanças substanciais; isto é, operam-se neles nãosimples mudanças na posição das partículas mais pequenas ou variações de seu estado de movimento, mas a produção de substancias corpóreas novas, especificamente diversas; por exemplo, da água se origina o “ar”. Pelo que, Aristóteles, para designar estas novas produções, emprega também no domínio do inorgánico o vocábulo “geração” (generatio, genesis), vocábulo que significa, portanto, produção de uma nova substância a partir de outra já existente; inversamente chama “corrupção” (corruptio, phthora) ao processo de deperecimento de uma substância que se transforma noutra. Mas se o devir substancial não deve ser completa aniquilação e produção inteiramente nova, mas sim transformação autêntica, tem de haver algum substrato permanente comum ao corpo que perece e ao que se origina: esse substrato comum é a matéria informavel. Se, por outra parte, a substância dos dois corpos deve ser distinta, requer-se a existência neles de um princípio substancial sujeito a mudança, fundamento da diversidade específica: a forma substancial. Como porém, segundo a opinião de Aristóteles, todos os corpos são fundamentalmente transformáveis entre si, requer-se, em derradeira instância, uma matéria primitiva comum, uma “matéria prima“, substrato último de todo devir substancial. A produção de uma nova forma explica-se, dizendo que uma causa eficiente extrínseca a “tira da matéria” (eductio formae a materia); o que, claro está, não significa que a forma já de antemão estivesse contida realmente na matéria, mas só que esta se converte agora naquilo que podia vir a ser, naquilo para o qual estava em potência.

 

Na escolástica medieval, a par das considerações filosófico-naturais adquiriram maior relevo as controvérsias de ordem lógico-metafísica. Determinou-se o limite do devir substancial diante da transmutação essencial (trans-substanciação), tal como esta, segundo o dogma católico, se. opera quando o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo. Enquanto na mutação substancial ordinária um elemento essencial, a matéria, persevera como sustentador das formas que se mudam, na transmutação essencial transforma-se a substância toda (matéria e forma), permanecendo só os acidentes sensorialmente perceptíveis. — Além dos processos do devir, tenta-se aduzir, como fundamento da composição essencial dos corpos, a oposição de unidade e multiplicidade na substância extensa contínua, a circunscrição do ser em si espiritual ao ser não espiritual, e, finalmente, a multiplicação dos indivíduos dentro da mesma espécie, a qual só parece possível mediante um sujeito arbitrariamente reiterável, distinto da forma especificante, ou seja: a matéria (indivíduo). Esta última ideia leva S. Boaventura e outros escolásticos a estender o hilemorfismo a todo ente criado, inclusive ao espírito criado puro, o qual, de maneira análoga, é concebido como composto de uma “matéria” espiritual e de uma forma substancial. Discutível é a maneira exata de entender a estrutura d t essência, principalmente nos seres viventes. A escola tomista opina que um ser natural rigorosamente uno (unum per se) exige a unidade (unicidade) de forma substancial, isto é, a composição da matéria primitiva inteiramente indeterminada, que é pura potência, e da alma como única forma substancial; portanto, todo o corpóreo é já efeito da alma; se se admitisse a composição de uma alma e de um corpo, que independentemente desta já possuísse realidade, o todo resultante não sei ia mais que uma coordenação de duas ou mais substâncias independentes (unum per accidens). A objeção principal contra a concepção tomista reside na dificuldade de explicar a produção das novas formas substanciais que se devem admitir, p. ex., na morte de um vivente. No esquema medieval do universo, a representação de um misterioso influxo dos corpos celestes, que dominava o nascer e o perecer do “sublunar”, amortizava a força desta dificuldade. Contudo, fora da escola tomista, na maior parte dos casos, defendia-se geralmente a concepção natural que considera os seres vivos compostos de um corpo já de si real e da alma, pensando-se, portanto, que o corpo era composto, por seu turno, da matéria-prima e de uma ou mais formas substanciais; quer dizer, admitia-se uma pluralidade de formas essenciais pelo menos nos seres viventes (e muitas vezes também nos “mistos”).

 

Na apreciação do hilemorfismo, precisamos distinguir entre a composição física dos seres vivos, demonstrável com certeza pelos processos vitais (vitalismo) e também pela cooperação de corpo e alma na percepçãosensorial (corpo e Alma [Relação entre]), e uma composição análoga dos corpos inorgânicos, cuja demonstração depende da existência de mudanças substanciais nos mesmos. Os resultados da física moderna insinuam, pelo menos, tais mudanças, p. ex., na geração de um par de eletrões (ou seja, de um eletrão carregado negativamente e de um “positrão” com carga positiva) a partir de um “quanto” de luz. Prescindindo desta composição física, existe igualmente a possibilidade de considerar, à base das reflexões especulativas anteriormente indicadas, uma composição “metafísica” dos corpos situada num plano mais profundo; esta ordem de considerações independe da mudança a que está sujeito o esquema científico-natural do universo. — De Vries. [Brugger]

 

Sobre falseabilidade

 

Método Científico II – Os Filósofos da Guerraastropt.org

 

metodo cientifico 1

 

Onde destaco:

 

“Na ciência uma teoria é construída a partir da indução e, assim, deduzem-se novos factos. A indução consiste em propor uma lei como “todos os metais aumentam de volume quando aquecidos”. O problema da indução é que qualquer lei baseada nela requer uma excepção. Na dedução o enunciado “metais aquecidos expandem” é dada como garantida. “o cobre é um metal”. Ao usar a lógica podemos deduzir que o cobre é um metal e, sendo assim, irá expandir quando aquecido. Contudo, não se pode ter a certeza que foram examinados todos os metais. Assim, “a indução abre as portas à falseabilidade”.”

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