Liberdade vs. Segurança

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Já falei sobre a liberdade em diversos artigos aqui no Livres Pensadores, see mas nunca havia escrito sobre este aspecto – que é extremamente importante. A questão é que o ser humano vive buscando um equilíbrio entre estes diferentes valores fundamentais.

Por um lado, information pills a liberdade nos garante total amplitude de escolhas quanto a formas de agir, clinic de pensar, de comportamentos, etc. (age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem à escolha, segundo Descartes). Por outro, a segurança nos garante, em última análise, a continuidade de nossa vida. Contudo, elas são sempre excludentes: quanto mais liberdade se tem, menos segurança se tem; quanto mais segurança se tem, menos liberdade se tem.

Segurança é a percepção de se estar protegido de riscos, perigos ou perdas. Assim, a segurança, como bem comum, se dá através da imposição de um conjunto de convenções sociais, as quais acabam por reduzir a liberdade individual das pessoas. São dois os motivos disso: primeiro, por ser uma imposição, isto é, algo que é imposto muitas vezes contra a vontade de muitos; segundo porque estabelece requisitos para a própria convivência social, como por exemplo:

  • A obrigação de cumprimentar outras pessoas;
  • De se despedir;
  • De não fazer determinadas coisas (como liberar gazes – eructação ou flato) na presença de outros;
  • De não falar determinadas palavras, consideradas de baixo calão;
  • Entre outras.

A segurança ainda se dá de outras maneiras, como com a presença ostensiva de policiamento, ou da instalação de câmeras de segurança. Isto reduz ainda mais a liberdade das pessoas por uma variedade de razões. Apenas para enumerar duas destas razões, poderia citar a truculência policial e o risco de imagens filmadas por tais câmeras de segurança vazarem e exporem a pessoa ao ridículo.

Mas a coisa vai ainda mais longe. A própria busca por estes valores é antiga: o ser humano já chegou a abrir mão de quase toda sua liberdade em nome de alguma segurança, o que se deu no período chamado de “Idade das Trevas” (Idade Média): toda sua esperança de segurança foi debitada nas mãos da religião (da Igreja Católica Romana, no caso), que removeu quase por completo a liberdade dos indivíduos. Depois, com a Independência dos Estados Unidos da América e com a Revolução Francesa, o ser humano voltou a lutar pela liberdade.

A Liberdade Guiando o Povo, por Eugène Delacroix.

Hoje vivemos no que é chamado de Estado Democrático de Direito, no qual a liberdade é mais do que valorizada: é um dos valores sobre os quais está fundado o Estado constitucional. Nossa constituição lista diversas liberdades individuais (como as liberdades de expressão e de crença) em seu “núcleo duro”, no qual jamais poderia remover-se qualquer coisa (ah menos que fosse feita uma nova constituinte).

Ainda assim, existem diversos movimentos que tentam diminuir tais liberdades em nosso país. Como exemplo temos as ações de evangélicos que se candidatam, se elegem e depois conseguem aprovar leis impondo a oração antes de aulas em escolas públicas, ou que proíbem o culto de outras religiões (principalmente daquelas derivadas de religiões africanas antigas, como o candomblé ou a umbanda). O que, por óbvio, fere frontalmente nossa constituição, no que diz respeito à liberdade religiosa.

Outro exemplo assim são movimentos de esquerda que tentam calar, ou ao menos remover qualquer credibilidade, da imprensa livre de nosso país. É verdade que nossa imprensa é extremamente pobre, mentirosa, manipuladora, simplesmente ignora e não noticia diversos assuntos importantes (como escândalos relacionados a religiões), mas este tipo de perseguição não ajuda em nada. Pior: ajuda a que outro tipo de imprensa, igualmente pobre, mentirosa, manipuladora, que simplesmente ignora e não noticia diversos assuntos importantes da mesma forma. Em outras palavras, agindo desta forma apenas faz com que mude o favorecido pelas mentiras e manipulações.

Enfim, a discussão é longa e envolve diversos outros aspectos, que não abordei aqui. Mas espero que o texto sirva, ao menos, para levantar o brainstorming e o debate sobre o tema. Até porque a balança nunca está equilibrada: ela está sempre pendendo, seja para um lado, seja para o outro.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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