Manchete, a TV que marcou uma geração.

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 A programação da emissora foi marcada por sucessos e insucessos durante a sua existência. A cobertura do carnaval carioca também teve grande destaque na programação da TV Manchete. A emissora mostrava os preparativos da grande festa popular do país com os “programetes” Feras do Carnaval e Esquentando os Tamborins, exibidos ao longo da programação.

A cobertura do “Carnaval da Manchete” começou em 1984, ano de inauguração do Sambódromo carioca. A emissora de Adolfo Bloch conseguiu exclusividade nas transmissões daquele ano após desistência da Rede Globo, ocorrida por questões de ordem política (desavenças entre Roberto Marinho e Leonel Brizola).

No ano seguinte (1985) a Globo voltou a transmitir os desfiles simultaneamente com a Manchete. Em 1988 a Manchete não transmitiu os desfiles por conta de um impasse com os organizadores dos desfiles e em 1999, a falta de recursos a impediu de transmitir o evento.

telenovelas de sucessos produzidos pela Manchete foram Dona Beija (1986), Helena (1987), Corpo Santo (1987), Kananga do Japão(1989), além da sua primeira produção dramaturgia, a minissérie Marquesa de Santos (1984).

Um dos seus mais notáveis sucessos foi a novela Pantanal, exibida em 1990. Vieram outros como A História de Ana Raio e Zé Trovão (1991),Tocaia Grande (1995) e Xica da Silva (1996).

O canal se tornou conhecido também por exibir as diversas séries de tokusatsus e animes, todas de origem do Japão, com grande sucesso, que também foi responsável da introdução dasproduções japonesas no Brasil, que anos depois, outras emissoras de TVs abertas e assinaturas passaram exibir outros animes.

No final dos anos 1980 e boa parte dos anos 1990 eram exibidas as séries Jaspion, Changeman, Jiraiya, Flashman, Jiban, Lion Man, Black Kamen Rider, Maskman, Cybercops, Spielvan,Kamen Rider Black RX, Patrine, Winspector e Solbrain. Graças ao grande sucesso dessas séries é que chegaram os animes Cavaleiros do Zodíaco (episódios e em OVA), Samurai Warriors,Shurato, Yu-Yu-Hakushô, Sailor Moon, Super Campeões e US Mangá.

Nos anos 1990 os programas infantis foram: Dudalegria (manhã); A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco (ambos na tarde) em 1995. Além desses programas, eram exibidos desenhos considerados “clássicos” das décadas de 50, 60, 70 e 80: Calvin e o Coronel, Dartagnan e os Três Mosqueteiros, Don Quixote de la Mancha, Família Drácula, O Pirata do Espaço, Super Tiras,Patrulha Estelar, Superaventuras, Família Tró-ló-ló, Josie e as Gatinhas, Lorde Gato, Marmaduke, A Turma do Abobrinha, Goldie Gold e Manda-Chuva e os sitcoms Seinfield e Friends.

Outro nome famoso, que ganhou projeção na Manchete foi o do radialista Eloy Decarlo. Conceituado comunicador carioca, se tornou nacionalmente conhecido quando, por todo o tempo de existência da emissora, foi a “voz-padrão” das chamadas da programação do canal e das vinhetas, principalmente nos comerciais.

O jornalismo sempre foi o carro-chefe da emissora. O telejornal Jornal da Manchete, o principal informativo do canal, trazia aprofundamento das notícias e comentários de grandes nomes do jornalismo brasileiro, como Carlos Chagas, Villas-Boas Corrêa, Zevi Ghivelder e Salomão Schvartzman, entre outros e comentaristas como João Saldanha. Também revelou os apresentadoresMylena Ciribelli, Cláudia Cruz e Alexandre Garcia que posteriormente transferiram-se para a Rede Globo.

Nos primeiros anos da emissora, o Jornal da Manchete ficava no ar por três horas, o que nunca ocorreu na história da televisão brasileira, já que os telejornais locais e nacionais da década de 1980 e anteriores, nunca ultrapassaram os 40 minutos de exibição. Sua primeira parte, dedicada ao noticiário cultural, era intitulado Panorama Manchete, apresentado por Íris Lettieri (na época, a voz do aeroporto carioca e do número de telefone que informava a Hora Certa) e Jacyra Lucas. Seguia o Manchete Esportiva, apresentado por Márcio Guedes e Paulo Stein. Ainda tinha oDebate em Manchete, com Arnaldo Niskier.

Então vinha o Jornal da Manchete 1ª Edição, apresentado por Carlos Bianchini e Ronaldo Rosas. No final da noite, entrava no ar o Jornal da Manchete 2ª Edição, ancorado por Luiz Santoro, Roberto Maia e Claudia Ribeiro, depois substituída por Leila Richers. A partir de agosto de 1989, o casal de jornalistas Eliakim Araujo e Leila Cordeiro, que estava na Globo, foi contratado e assumiu o comando do Jornal da Manchete, até o final de 1992.

A emissora passou a usar certos apelativos como cenas de nudez em novelas como Dona Beija, Pantanal entre outras produções da casa e até espetáculos de strip-tease impróprios para o horário como o da jornalista Íris Lettieri na contagem regressiva para o carnaval e no programa de calouros de Raul Gil em horário vespertino além de programas de striptease com telessexo.

A partir de 1998 surgiu uma crise incontrolável na emissora. Salários atrasados, tentativas fracassadas de venda e programas que saíam do ar arranharam a imagem da estação, até que no dia 10 de maio de 1999 a emissora mudou de nome (passou a se chamar TV!) e de dono, encerrando a história iniciada em 1983.

 


 

 

 

Sede da emissora, hoje abandonada, na Sumaré

 

Interior da antiga TV Manchete é obra de Oscar Niemeyer: das janelas, descortinam-se uma das mais belas paisagens do Rio

 

 

 

Inauguração da Rede Manchete, no ano de 1983

 

 

 

Vinheta de Encerramento da emissora

 

 

 

Vinheta de Abertura da novela “Pantanal”


 

 

 

Intervalo Comercial de 1996

Vinheta  de 13 anos da Manchete

Vinheta do Jornal Da Manchete (1994 e 1995)

Abertura da novela “Xica Da Silva”.


 

 

 


 

 

jds Linha do tempo…

Brasília, 19 de agosto de 1981. O empresário Adolpho Bloch assina o contrato para a implantação de sua  rede de televisão,  composta por cinco emissoras próprias.

O nome da Rede seria o mesmo da revista semanal “Manchete”, o carro-chefe do Grupo Bloch e os investimentos ficariam na casa dos 50 milhões de dólares.  Surgia então a Rede Manchete de Televisão.

As emissoras próprias eram nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

A emissora foi ao ar pela primeira vez em 5 de junho de 1983, um domingo. Foi colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para o discurso de Adolpho Bloch, e logo após foi apresentado um clipe onde uma nave, representada pelo “M” (logotipo da emissora), sobrevoava as principais cidades brasileiras e aterrissava no alto do prédio da Rua do Russel, local sede da emissora no Rio de Janeiro.

O primeiro programa a ser exibido foi um show denominado “Mundo Mágico”, contando com a participação de diversos conjuntos musicais e artistas, que foi transmitido ao vivo. Depois do show, a Rede Manchete colocava no ar o primeiro filme exibido em sua história: “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, de Steven Spielberg, que colocou a emissora na liderança em audiência, alcançando 27% contra 12% registrados pela Rede Globo na capital carioca.

Foi adotado o slogan “Televisão de Primeira Classe” e dentre os programas que ganharam destaque nos primeiros meses de transmissão Manchete foram:  “Conexão Internacional”, com Roberto D’Ávila, “Bar Academia”, com Walmor Chagas, “Um Toque de Classe”, com grandes nomes da música erudita nacional e o “Jornal da Manchete”, telejornal exibido em horário nobre. O primeiro diretor de programação foi Rubens Furtado.

Já em 1984 a Rede Manchete transmitiu pela primeira vez ao vivo e para todo o Brasil os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, com a inauguração do sambódromo da Marquês de Sapucaí.

O ano de 1984 marcou também pela criação do núcleo de dramaturgia e pela transmissão dos comícios das “Diretas Já”.  No mês de agosto a Manchete lançou “Marquesa de Santos”, sua primeira minissérie. Protagonizada por Maitê Proença e Gracindo Jr..

Em janeiro de 1985 entrava no ar o “Clube da Criança”, revelando como apresentadora infantil a modelo e manequim Xuxa.  Em julho do mesmo ano entrava no ar “Antônio Maria”, a primeira novela produzida pela Rede Manchete e a série humorística “Tamanho Família”.

Os primeiros sinais de prejuízo surgiram em fevereiro de 1986. A Rede Manchete acumulava um prejuízo de 80 milhões de dólares e uma dívida que chegava a 23 milhões de dólares. Apesar disso a emissora lançou em abril a novela “Dona Beija”.

Ainda em 1986, a Rede Manchete transmitiu a Copa do Mundo de Futebol, diretamente do México.

Com o agravamento da crise, no mês de setembro aconteceu a primeira greve de funcionários.

José Wilker chega no final de 1986 para reforçar o núcleo de dramaturgia e coloca no ar em março de 1987 a novela policial “Corpo Santo”.

Em abril de 1987 a emissora estréia “Nave da Fantasia”, um programa infantil que revela o talento de ngélica, então com apenas 13 anos.

Julho de 1987. Nova crise na Rede Manchete e são demitindos cerca de 100 funcionários. A linha de shows é desativada.   Adolpho Bloch confirma a intenção de vender a rede.

Também em 1987, no segundo semestre, Angélica  passa a apresentar o “Clube da Criança”, totalmente reformulado.

No ano de 1988 a dívida da Rede Manchete havia saltado para a casa dos 34 milhões de dólares. Mesmo assim a emissora transmitiu as Olimpíadas de Seul.

Em mais uma tentaviva de salvar a emissora são colocados no ar 19 novos programas, entre eles: o humorístico “Cadeira de Barbeiro”, com Lucinha Lins e Cacá Rosset e o “Sem Limite” com Luiz Armando de Queiroz. Nas manhãs o espaço era do jornalismo com a exibição do notíciário “Repórter Manchete”. À tarde faziam sucesso os seriados “Jaspion” e “Changeman”.

Em 1989, no mês de julho ia ao ar “Kananga do Japão”, protagonizada por Christiane Torloni e Raul Gazolla. No esporte, destaque para as transmissões ao vivo dos jogos da “Copa Rio”. E no jornalismo “Documento Especial: Televisão Verdade”, apresentado por Roberto Maya e dirigido por Nélson Hoineff. Ainda em 1989, a Rede Manchete lançou o “Cabaré do Barata”, com o humorista Agildo Ribeiro.

O ano de 1990 foi de grande sucesso para a Rede Manchete com a exibição da novela “Pantanal”. A emissora transmitiu também naquele ano a Copa do Mundo da Itália. Em dezembro, ia ao ar a novela “A História de Ana Raio e Zé Trovão”.

Em 1991, o “Cinema Nacional” ganhou destaque na programação.

Com o agravamento da crise, no início de 1992,  e o fracasso da novela “Amazônia”, a emissora começa a ser negociada com o grupo IBF, de Hamilton Lucas de Oliveira.

Entra no ar “Almanaque”, programa de variedades apresentado por César Filho e Tânia Rodrigues.

Em maio de 1992 concretizava-se a venda da Rede Manchete de Televisão para o Grupo IBF, 670 funcionários foram demitidos e a base de operações foi transferida para São Paulo.

Já na nova administração estréia, com apresentação de Clodovil Hernandez, o programa “Clodovil Abre o Jogo”.   “Documento Especial: Televisão Verdade” passa a se chamar “Manchete Especial: Documento”, com apresentação de Henrique Martins.

Depois de vários meses sem salários, os funcionários interromperam a sua programação da emissora no fim da tarde do dia 15 de março de 1993, colocando no ar um slide denunciando a falta dos pagamentos. No mesmo dia é deflagrada uma nova greve de funcionários.

Através de medida cautelar, a emissora retornou ao controle da família Bloch em abril de 1993.

De volta à Bloch, a emissora colocou no ar a novela “Guerra sem Fim” no final de 1993 e lançou “Raio Laser”, programa de video-clips, com apresentação de Nato Kandall.

Em 1994 entrou no ar a novela “74.5 – Uma Onda no Ar”, produzida pela TV Plus e foi transmitida a Copa do Mundo, direto dos Estados Unidos.

Em 1995 aconteceu o embargo de bens da emissora pelo Banco do Brasil. As emissoras afiliadas começavam a deixar a Rede, passando para a Record e para a CNT. Vai ao ar a novela “Tocaia Grande”, baseada em obra de Jorge Amado.

No segundo semestre de 1996, entrou no ar “Xica da Silva”. Protagonizada pela atriz Taís Araújo, foi um grande sucesso de audiência. Logo após foi produzida, no segundo semestre de 1997, a novela “Mandacaru”.

Ainda em 1997, foram destaque no jornalismo da emissora “Na Rota do Crime”“Operação Resgate”“24 Horas” e “Câmera Manchete”. O programa “Uma História de Sucesso” mostrava o dia a dia de personalidades famosas da música e da televisão.

Em junho de 1998, a equipe da emissora instalou-se na França para a cobertura da Copa do Mundo.

Estréia “Brida”, novela baseada no best seller de Paulo Coelho. A novela não alcançou bons índices de audiência   teve que ser encerrada às pressas diante do estouro da nova crise na emissora. 600 funcionários são demitidos e vários programas extintos.

Nova greve de funcionários se inicia no mês de outubro, motivada pelo atraso no pagamento de salários.

No lugar de “Brida”, a Manchete colocou no ar a reprise da novela “Pantanal”. Nos finais de semana ia ao ar o musical “Mexe Brasil”.  

Em setembro de 1998, funcionários da Manchete de São Paulo colocaram no ar slides exigindo soluções para a crise.

As dívidas com a Embratel passaram a ser descontadas através dos cortes diários do sinal da emissora no satélite, entre as 23 horas da noite e 6 horas da manhã.

Em janeiro de 1999 ficou fora do ar por alguns dias o “Jornal da Manchete”.

Em mais uma tentativa de salvar a emissora, o grupo Bloch arrendou toda a programação para uma igreja evangélica. Por contrato a igreja evangélica se responsabilizaria pelas finanças e pela programação da Manchete durante um período de 15 anos.

Mais um fracasso: após um mês nas mãos de uma igreja evangélica, a Rede Manchete retornou ao comando da família Bloch. O arrendamento foi desfeito devido à falta de pagamento da primeira parcela do contrato.

Em 8 de maio de 1999, depois de várias reuniões, concretizou-se a venda da Rede Manchete para o Grupo TeleTV, organização presidida pelo empresário Amilcare Dallevo Júnior.

Era o fim da Rede Manchete de Televisão e o início da Rede TV! .

 


 

Antena construída para a Tv Manchete, hoje pertencente a Rede Tv!


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Autor(es):

Gregori

Sou nato da cidade de Fortaleza no estado nordestino do Ceará, filho de pais professores, neto de imigrantes italianos e admirador do físico Albert Einstein, desde pequeno sonhava em ser cientista, incentivava os colegas ao mesmo, pesquisava teorias cientificas que explicassem o mundo que nos cerca, a gravidade, as moléculas, a energia, tudo me fascinava... Sempre muito curioso, "bulia" nos objetos a fim de descobrir como tais funcionavam (e quase sempre quebrava-os). Amante de computadores desde 1996, aprendi que essa ferramenta me oferecia oportunidades únicas de aprendizado, o primeiro contato com internet ocorreu em fevereiro de 1999 e guardo na lembrança esse momento, escutava os sons nada harmônicos da conexão 56kbps esperando pelo milagre da "janela colorida", como assim chamava a página de internet; nesse mesmo ano fiz primeira eucaristia no Colégio Santa Cecília, tradicional católico, onde estudava, boas e inesquecíveis lembranças; a eucaristia era quase uma obrigação familiar, saudoso avô (e padrinho) era católico fervoroso, contudo, meu interesse para tal era nulo e por consequência nunca decorei as "benditas" rezas, conclusão: a professora quase me reprovou! O tempo passou e sai desse colégio, indo para de ensino evangélico, onde a religião não era tão enraizada na mentalidade dos profissionais que ali trabalhavam, nesse ambiente fui líder de grupos e fiz parte do editorial do jornal da escola, e assim conheci principal habilidade: a criatividade, promovendo muito das exposições realizadas pela instituição, tive oportunidade de visitar emissoras de T.V. e jornais locais, finalizei o curso alguns anos depois; atualmente estudo Audiovisual e Novas Mídias na Unifor. Esportista radical, cineasta, escritor e poeta; enfim, aqui terão a oportunidade de melhor conhecer-me, um jovem que coleciona belas histórias.

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