O episódio de Abraão

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


 

O personagem Abraão recebeu ordens do personagem Deus para matar seu filho.

O quê?! É isso mesmo? Isso mesmo, você leu certo. (Nas palavras de Saramago: “… deixando um pobre pai e um pobre filho na iminência de um assassinato.”)

Mas o caso é que o personagem Deus tinha um bom motivo (na visão d’Ele, é claro) para isso: queria confirmar a fé do personagem Abraão, por isso arquitetou esse teste medonho.

O episódio deixa claro que o personagem Deus não é onisciente como contavam os narradores do texto, seus criadores, distraídos da verdadeira condição de seu estranho personagem.

Onisciente, como todos oniscientemente sabem, significa “que sabe tudo”.

O personagem Deus não é onisciente porque:

 

1. não sabia se Abraão tinha fé;

2. não sabia o futuro – pois não sabia qual seria a atitude de Abraão, por isso teve que ficar assistindo a tudo, esperando até o último momento para só então decidir pela intervenção.

  

Portanto, ficam duas lições simples.

O personagem Deus não pode “ler” a mente dos homens, não pode saber o que eles pensam; e não sabe o futuro, não sabe o que acontecerá nos próximos minutos, horas ou… séculos, por extensão.

 

(Aliás, isso de o personagem Deus não saber o futuro chega a dar arrepios, não?)

 

 

Postado por Perce Polegatto

 


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

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Autor(es):

Perce Polegatto

Nascido em Ribeirão Preto, SP. Publicou seu primeiro livro em 1985, “A canção de pedra”, que traz alguns de seus primeiros trabalhos, ainda sob forte influência do romantismo tardio de autores alemães e franceses. A metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial são algumas das principais marcas de seus textos. É autor de “A conspiração dos felizes”, “A seta de Verena”, “Lisette Maris em seu endereço de inverno” e “Os últimos dias de agosto”, romance recentemente reeditado pela All Print Editora, São Paulo.

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