O que será do ateísmo quando as religiões desaparecerem?

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Como todos devem saber (ou não, não sei) as religiões deverão desaparecer em 9 dos países mais desenvolvidos do mundo até 2050. Em todo o mundo isto deverá demorar ainda mais, afinal tudo depende de quanto os governos aplicam em educação – mas, ainda assim, isto deverá acontecer, leve mais ou menos tempo.

Então, digamos que as religiões desapareçam, no mundo todo, em 500 anos. O que acontecerá com o ateísmo? Será que ele também desaparecerá? Afinal, “ser ateu” nada mais é do que ter uma posição de oposição ao statu quo, isto é, uma posição de não crença e de não religiosidade (isto é, de não seguir religiões).

É exatamente por este motivo que muitos dizem que o ateísmo simplesmente deixaria de existir, afinal “todos seriam ateus”. Mas seriam mesmo? Pergunto, pois estes se esquecem que “fim das religiões” não é o mesmo que “fim das crenças infundadas”. É verdade, são exatamente este tipo de crença que sustenta as religiões, mas elas também sustentam visões filosóficas como aquelas que tiveram Voltaire e Einstein: falo do deísmo e do panteísmo. (Apesar de eu considerar, ambas, mais visões filosóficas do que crenças, mas não importa no momento.)

Voltaire à esquerda e Einstein à direita.

Eu, como cético que sou, não vejo qualquer razão para abraçar tais visões, embora eu tenha passado por elas antes de me tornar ateu. Mas também não vejo qualquer motivo para me opor a elas: elas em nada prejudicam seus seguidores, tão pouco pregam o ódio ou o que quer que seja (o que é bem diferente do que as religiões fazem). Isto sem falar que deístas e panteístas também podem ser livres pensadores, bastando, para isto, que sejam céticos científicos e que baseiem suas opiniões e conclusões na ciência.

Assim, por mais tentadora que seja a ideia do fim do ateísmo junto ao fim das religiões, o que significaria termos chegado a uma sociedade plenamente racional e a um nível de igualdade jamais visto, isto não será algo automático. Ao menos não até que outras crenças, muitas das quais totalmente benignas (como disse acima) também acabem. O que, ao menos hoje, não vislumbro, portanto ateus continuarão, sim, existindo.

E devemos nos lembrar de muitas outras crenças que podem não desaparecer tão facilmente. Falo de coisas como pseudociências (ufologia, homeopatia, entre outras) e até mesmo de simples superstições (não passar por baixo de escadas, não cruzar com gatos pretos em sextas-feiras 13 e muitos outros), as quais, infelizmente, não são tão combatidas como deveriam.

 

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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2 Comments

  1. É por isso que não sou muito fã de muitos ateus, porque tentam ridicularizar outras crenças. Sou deísta, e essa definição de deísmo é no mínimo ” Zoação ”, exatamente como fazem os religiosos para afastar o pensamento lógico dos religiosos. Deus se aposentou? O Que é isso? O deísmo não é algo tão simples assim, porque o deísmo não é dogmático, portanto, existem diversas posições em relação a esse suposto Deus, não precisando ser, necessariamente um ser antropomórfico. O que o deísmo tenta entender, é a questão da origem do universo, tentar de alguma forma, entender o que formou o universo. ” Um deus criador que não cuida de suas ovelhas ” é algo mais difundido entre os Deístas Espirituais, cabendo aos Deístas Clássicos como eu, definir deus de forma científica e racional, e é irracional pensar que um deus existe. Dessa forma, acreditamos que ” Algo ” criou o universo e continuar sustentando-o, como ”uma força motriz do universo”, não há consenso entre deístas sobre a origem do universo, porque pensamos, raciocinamos, e tentamos, de alguma forma, estabelecer um teoria que vá além do Big-Bang, fato que deve ser aceito por todos os deístas. Diferentemente dos Ateus que, simplesmente, não acreditam em Deus. Me senti muito ofendido com essa definição infantil do deísmo, pesquisada na Wikipedia.

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    • Desculpe então, Jonata. É que não é muito fácil definir o deísmo, ainda mais quando existem tantas visões diferentes do próprio deísmo, de forma simples e rápida.

      Vi essa definição sendo defendida por ateus como Dawkins, mas também por deístas (estou tentando lembrar o nome de um cara agora, mas não consigo…).

      De qualquer forma, minha crítica é quanto ao Teísmo. T. Não deísmo. Sacou? 😉

      Abraços!

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