O risco trazido por meteoros

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Há cerca de duas semanas atrás todos nós fomos inundados de notícias a respeito do “meteoro russo”. Resumidamente, o meteoro, que tinha algo entre 15 e 17 metros de diâmetro e algo entre 10 e 40 toneladas ao entrar na atmosfera, explodiu no céu sobre a cidade de Cheliabinsk no dia 15 de fevereiro de 2013.

Os prejuízos, segundo o site Publico.PT, são imensos: 25 milhões de euros. Isto sem falar das 1.200 pessoas feridas, dentre elas 289 crianças. Agora, já existem até mesmo pedaços de tal meteoro, que foram recuperados no local, sendo vendidos na web.

Chelyabinsk_meteor_trace_15-02-2013

Para se falar do risco de tais rochas flamejantes, primeiro precisamos colocar os pingos nos is. Vamos esclarecer, de uma vez, o que é um meteoro, o que é um asteroide, um meteoroide e, finalmente, um meteorito:

  • Meteoro: não passa do fenômeno luminoso que pode ser observado durante a passagem de um meteoroide ou de um asteroide pela atmosfera.
  • Asteroide: é um corpo rochoso e/ou metálico, que possui órbita definida ao redor do Sol e faz parte dos corpos menores do sistema solar. Em termos leigos, são restos da formação planetária, os quais ficam concentrados principalmente entre Marte e Júpiter.
  • Meteoroides: são fragmentos de materiais que vagueiam pelo espaço e que possuem dimensões mínimas, mas maiores que um átomo ou molécula. São basicamente poeira espacial.
  • Meteorito: é um meteoroide ou asteroide que alcança a superfície da Terra.

Assim, as chamadas “estrelas cadentes” são meteoros, mas que na maioria das vezes é gerado por meteoroides trazendo 0 (zero) de risco a qualquer um. Portanto, quando falamos de algum tipo de risco, falamos do risco de um asteroide entrar em rota de colisão com a Terra. De cair na Terra mesmo. Isto posto, vamos debater o risco em si.

Asteroides, de todos os tamanhos, apesar de estarem mais concentrados entre Marte e Júpiter, estão por todos os lados. Para se ter uma boa ideia veja o vídeo abaixo, o qual mostra os asteroides descobertos entre 1980 e 2010. O importante do vídeo é o final, onde fica claro o que afirmo.

Ainda assim, o risco de um destes nos acertar, embora existente, é meramente estatístico. Para que se tenha uma ideia, um destes que explodiu nos céus russos cai na Terra a cada 100 anos estimadamente. O último também acertou a Rússia, acertando uma região chamada Tunguska em 1908. A queda terminou numa grande explosão ainda no céu (assim como aconteceu desta vez), devastando uma área de milhares de quilômetros quadrados de floresta.

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O próximo objeto desta magnitude a nos acertar deverá ser, estatisticamente falando, dentro de 100 anos. Data ou locais exatos apenas charlatões poderão informar, mas, claro, não passará de besteira pura e concentrada.

De modo mais direto, a verdade é que um objeto deste tamanho pode voltar a nos acertar a qualquer momento. Não há como saber ou prever, ainda mais porque eles são pequenos demais para serem identificados com boa antecedência (devido a nossos equipamentos – principalmente telescópios). Isto sem falar que eles podem vir de um de nossos “pontos cegos”, como foi o caso deste último, que estava ofuscado pela luz do Sol. Mas o risco disto acontecer muito antes destes 100 anos é virtualmente nulo. Ou seja: é possível, mas extremamente improvável.

A verdadeira raridade do evento do dia 15 de fevereiro foi que, no mesmo dia, um outro objeto, chamado 2012 DA14, passou próximo à Terra: cerca de 27,700 km da superfície. Este objeto, sim, era bem mais perigoso devido a seu tamanho e peso: algo entre 45 e 50 metros de diâmetro e uma massa estimada de 190.000 toneladas. Dois eventos assim, no mesmo dia, é algo extremamente raro. E, apesar da raridade… Aconteceu.

Finalmente, apesar desta segurança, a verdade é que nunca se pode ter certeza absoluta. Afinal, cerca de 100 toneladas de rochas espaciais caem na Terra todos os dias. É exatamente por isso que projetos que caçam NEOs (Near-Earth Objects – Objetos Próximos à Terra) são tão importantes. Afinal, quanto antes encontrarmos e rastrearmos tais objetos, mais tempo teremos para poder fazer algo para evitar que uma colisão aconteça.

Outra coisa extremamente importante e que, talvez, finalmente possa sair após a queda de Cheliabinsk é dinheiro para projetos de criação de tecnologias que possam mitigar tais objetos. E são projetos no plural, pois dependendo do tamanho e composição do objeto que nos coloque em risco a melhor forma de mitigação (desvio, colisão, etc) poderá variar bastante.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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