Por que buscamos pela vida ET com tanto afinco?

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Artigo originalmente agendado para dia 22 de fevereiro, mas que, por erro do WordPress, não foi publicado na data.

Introdução

Há algum tempo atrás, não lembro onde nem quem (se foi você que está lendo, realmente me desculpe), me fizeram a seguinte pergunta:

“Por que as pessoas se interessam tanto em saber sobre a vida em outros planetas e busca de maneira tão empenhada vida fora da Terra?”

Eu respondi e, exatamente por ser um tema tão interessante, o salvei num arquivo de texto, para usar depois num artigo. E é o que faço agora.

Antes de qualquer coisa, aqui entra um debate mais filosófico que qualquer outra coisa, mas vou tentar expô-lo utilizando-me da ciência, o máximo possível.

Nossa evolução

Durante nossa evolução como espécie, acabamos nos destacando das demais formas de vida, devido ao crescimento de nosso cérebro e consequente autoconsciência. Evidentemente, isto não aconteceu de uma forma que pudesse ser colocada num papel na forma de linha reta: a estrutura ficaria mais parecida como uma árvore, com diversos galhos, onde os dois principais (ou mais conhecidos) são o nosso (homem de cro-magnonHomo Sapiens) e o homem de neandertal.

Família neandertal.

Quer dizer, devido à forma como a evolução acontece, tivemos, durante nossa evolução, outras espécies com quem poderíamos dialogar. Mas isto deixou de ser a realidade há alguns milhares de anos.

A realidade de hoje

Hoje, o homem sente uma tremenda solidão. É como se fossemos mais de 7 bilhões de seres humanos totalmente solitários sobre a face da Terra. Faz-nos falta ter com quem conversar. E nisto criamos mitos (que podem, sim, ter um fundo de verdade) como o do pé grande (que varia de nome conforme o local do mundo), os ETs e até monstros como lobisomens.

No caso da busca por pés grandes, lobisomens, bruxas, etc, é infrutífero. E olha que muita gente já procurou, mas até hoje nenhuma evidência forte o bastante foi encontrada (apesar de alguns locais do mundo poderem muito bem abrigar novas espécies de primatas, ainda não conhecidas, para o caso dos pés grandes). Contudo, no caso dos ETs a coisa é diferente.

A busca pela vida extraterrestre

Primeiro que ainda mal ‘saímos de casa’: fomos até a Lua e mandamos sondas, as quais só pousaram em 5 lugares: na própria Terra, retornando de viagem; na Lua; em Marte; na lua Titã, de Saturno; e, finalmente, num asteroide. Quer dizer, ainda há muito onde procurar, incluindo em um deles, onde a coisa ainda é inconclusiva: Marte (mas apenas para vida microbiana, claro). E há outros lugares em nosso Sistema Solar onde pode haver vida, como os próprios Marte e a lua Titã, além de luas como Europa (de Júpiter), etc.

Ao contrário do que muitos pensam, quem busca por vida extraterrestre não é a ufologia: é a astrobiologia, uma ciência que é um ramo da astronomia misturada com a química e biologia. Exemplos de estudos da astrobiologia estão o instituto SETI e sua busca por sinais de vida inteligente no Cosmos, assim como o instituto de astrobiologia da NASA, que envia sondas para outros locais de nosso Sistema Solar, buscando por vida microbiana.

A ufologia, na realidade, só estuda objetos não identificados que aparecem em nossos céus, tentando identificá-los (mesmo que seja como sendo uma “nave extraterrestre” – o que nunca ocorreu, por mais que muitos aleguem o contrário). Nesse caso, uma das hipóteses usadas para tentar explicar estes casos (de OVNIs), mas que hoje só são consideradas para um pequeno número de casos, é a Hipótese Extraterrestre.

Conclusão

Por mais que o homem jamais encontre nenhuma outra forma de vida inteligente (afinal, podemos ser extintos antes disto), ele sempre o procurará. Faz parte de nossa natureza curiosa, até mesmo para procurar outras perspectivas sobre a própria realidade.

No caso dos pés grandes, por exemplo, a hipótese mais provável é que tudo não passe de identificação erronia (ex.: uma pessoa vê um urso, mas tem a impressão de que seja outra coisa), ou mesmo de alucinações (causadas por drogas ou álcool). Ainda assim, a busca continua sendo válida e podemos aprender muito com ela – descobrir novas espécies animais, vegetais, ou mesmo criar novas tecnologias para observação do mundo natural, por exemplo.

Sobre a vida extraterrestre, hoje já é praticamente um consenso na comunidade científica que, por mais que ainda não tenhamos encontrado nenhum exemplar, mesmo de um microorganismo, ela existe. E, óbvio, ela existindo evoluirá e poderá chegar a alguma forma de vida inteligente (comparável com alguns animais terrestres) ou mesmo a alguma forma de vida tecnológica (como nós).

Assista ao vídeo abaixo e entenderá do que falo.

É possível, por mais que seja improvável, que sejamos a primeira forma de vida tecnológica no universo. Sem dúvida alguma. Mas isto não é desculpa para sentar nossos traseiros e dizer “é, acho que somos os primeiros, então não procurarei mais”. Por outro lado, também há aqueles que indaguem qual seria a aplicação prática da descoberta de uma outra civilização, tão ou mais avançada que a nossa, há anos luz de distância. Mas a ciência não tem nada a ver com “aplicações práticas”: tem a ver com o estudo, descoberta e acumulo de conhecimento, que servirá como um ponto de partida para as próximas gerações. Aplicações práticas são avaliadas apenas por aqueles que financiam as pesquisas (quem tem o dinheiro) – não por cientistas.

Sobre a busca por mitos como lobisomens, bruxas e fantasmas, até ela eu apoiaria, desde que esta busca seja feita de forma científica, utilizando-se inclusive de ceticismo (como acontece, por exemplo, no programa Monsterquest, do History Channel – o que é o oposto do que acontece em programas como Caçadores de Fantasmas, do SyFy).

Assim, este tema é deveras interessante e levanta diversas perguntas, as quais acabam dizendo muito mais sobre nós mesmos, nossa natureza, do que sobre aquilo que é procurado. A procura, em si, também pode nos trazer diversos benefícios, como disse acima, desde que a façamos seguindo sempre o sábio conselho de Carl Sagan:

“Você deve manter sua mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia.”
— Carl Sagan

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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One Comment

  1. Quero viver para ver o dia em que acharemos um outro pleneta com vida vou ficar muito feliz se um dia ver isso =)

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