Profecia ou autossugestão?

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Quantas vezes você já não ouviu falar sobre Nostradamus, São Malaquias, entre outros e sobre como suas profecias teriam se realizado? Ou mesmo sobre o quanto determinado(a) vidente teria acertado, ou de quão correto, para determinada pessoa, teria sido o horóscopo? Pois é. Mas será que houve “previsão do futuro” em algum desses casos? Ou teria sido tudo mera coincidência?

videncia

Coincidências de fato acontecem. Previsões sobre grandes desastres naturais, quedas de aviões, entre outras, tiram proveito das coincidências. Afinal, todo ano acontece algo assim, talvez até mais de uma vez por ano. Assim como prever que determinada pessoa vá se apaixonar: sendo parte da vida, paixões são coisas que simplesmente acontecem.

Outro ponto é que as previsões são tão vagas que vão sempre ter a aparência de funcionar, não importa para quem. Isto porque quanto mais vaga a previsão é, mais aberta a interpretações ela estará. E, realmente, tais previsões são o cúmulo do vago, ao ponto de poder se aplicar a qualquer um e a qualquer aspecto de sua vida. Mas mesmo a vagueza das previsões e as coincidências, embora verdadeiros, não são os únicos fatores para que profecias funcionem. Ou aparentem funcionar.

Um dos aspectos principais, talvez até mesmo “o” principal, é o da autossugestão. Seu funcionamento, basicamente, se deve à crença da pessoa naquela profecia: a pessoa passa a agir de forma que a profecia possa funcionar, mesmo que involuntariamente. Um bom exemplo disso é a profecia que cumpre a si mesma.

Se a pessoa lê, por exemplo, em seu horóscopo diário algo sobre a “pessoa amada”, o que acontecerá é que ela automaticamente relacionará o texto com a pessoa de quem ela gosta. Por outro lado, se ela não gostar de ninguém, começará a observar as pessoas ao seu redor pensando que a “pessoa amada”, por quem ela será apaixonada “até o fim da vida”, estará entre elas. Mais que isto, a pessoa pode agir de forma a passar a ter uma relação amorosa, apenas devido à previsão do horóscopo.

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Se ela lê algo sobre “oportunidades de negócios”, automaticamente o relacionará à área em que trabalha, mesmo que seja alguém que não trabalhe fechando qualquer tipo de negócio… E por aí vai.

A autossugestão pode fazer com que, inclusive, a pessoa aja de forma que ela não agiria normalmente. Por exemplo, pode fazer com que a pessoa dispense uma oportunidade que ela normalmente não dispensaria e vice-versa. Quer dizer, a autossugestão não passa de uma forma de um autoengano, com o objetivo de manter as crenças e superstições da pessoa.

Assim, se alguém diz que passar por baixo de escadas dá azar, a pessoa passará a evitar fazer isso. Se alguém diz que gatos pretos dão azar, ela fugirá dos bichanos. E fará, em suma, toda uma sorte de esquisitices apenas para manter tais crenças.

sorte

A crença, nesses casos, é algo realmente poderoso e que demanda muito esforço. Um dos componentes da crença preponderantes para isso é o medo: medo de que as coisas passem a não dar certo; medo de perder ou de não ganhar; e, principalmente, medo de não ser aceito(a) pelo grupo a que pertence.

A pessoa realmente acredita naquilo tudo sem sequer perceber o tipo de coisas que faz por isso. É quase uma “maluquice controlada”. Bem, controlada até certo ponto. E, caso a pessoa faça algo que os demais dizem dar azar, ela passa a criar situações para que, de fato, possa se dar mal.

Esta é mais uma das formas que as pessoas utilizam para “validar” suas próprias crenças, fazendo com que suas dúvidas, plenamente naturais, sejam dissipadas. Assim, elas não são obrigadas a enfrentar a realidade, permanecendo na fantasia. Fantasia essa que, apesar de sequer tocar a superfície da realidade, são muito reconfortantes (ou as pessoas se livrariam delas prontamente, por óbvio).

papai noel

Mas… Será que vale a pena todo esse esforço? Será que viver na realidade não seria muito melhor e sem neuras? Não sei, mas eu acho que sim. Não abro mão da realidade e de minha sanidade mental. Por nada.

“Para mim, é muito melhor compreender o universo como ele realmente é do que persistir no engano, por mais satisfatório e tranquilizador que possa parecer.”

— Carl Sagan

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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