Ser um cidadão cosmopolitano

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Dia destes, após ver o dia amanhecer, saí no jardim de minha casa para contemplar a estupenda beleza da natureza. Não tenho flores ou plantas ornamentais em meu jardim, nem é disto que falo. Falo do todo: do Cosmos.

Estar de pé, sobre a grama, olhar para cima e saber que você está em um plano, uma reta, que não é nada além de um pequeno ponto de um imenso globo chamado Planeta Terra, vendo um céu semi-azul, parte de algo chamado atmosfera, sabendo que ele está assim (nesta coloração) devido ao ângulo do Sol e aos raios de luz refletidos por um gás chamado nitrogênio nesta mesma atmosfera… Simplesmente não tem preço. É um prazer inenarrável.

Saber, também, que este pequeno Pálido Ponto Azul orbita uma estrela chamada Sol; uma das bilhares de outras que orbitam um mesmo centro galáctico, de uma galáxia espiral, a qual chamamos de Via Láctea.

Mas não é apenas isto. É também saber que, lá fora, existe um Universo inteiro de possibilidades. Possibilidades de diferentes formatos de galáxias; de diferentes tamanhos, temperaturas, cores e composição de estrelas; de diferentes tamanhos, temperaturas, coloração, composição, órbitas e distâncias de suas estrelas-mães de planetas; e, porque não, até mesmo de diferentes formas de vida.

Eu sou esse cara, em pé, num planeta: realmente eu sou só um pontinho. Comparado a uma estrela, o planeta é só outro pontinho… Pensar sobre tudo isso, pensar sobre o grande vazio do Espaço. Há bilhões e bilhões de estrelas. Bilhões e bilhões de pontinhos!
– Bill Nye

Mais importante do que isto tudo é saber que o universo não está apenas lá fora: ele está dentro de nós. Cada um de nossos átomos faz parte e foi criado por este universo estupendo.

“O conhecimento que os átomos que compõem a vida na Terra – os átomos que compõem o corpo humano – , são rastreáveis para os cadinhos que cozinham elementos leves em elementos pesados em seu núcleo sob extremas temperaturas e pressões. Estas estrelas – aquelas de maior massa entre elas – , ficam instáveis em seus últimos anos, entram em colapso e, em seguida, explodem, espalhamento de suas entranhas enriquecidas através da galáxia. Entranhas feitas de carbono, nitrogênio, oxigênio, e todos os ingredientes fundamentais da vida em si. Estes ingredientes se tornam parte de nuvens de gás que se condensam, colapsam, formam a próxima geração de sistemas solares, estrelas com planetas em órbita. E esses planetas agora têm os ingredientes para a vida em si. De modo que quando eu olho para cima para o céu noturno, e eu sei que sim, somos parte deste universo, nós estamos neste universo, mas, talvez mais importante do que esses dois fatos, é que o universo está em nós. Quando reflito sobre esse fato, eu olho para cima… Muitas pessoas se sentem pequenas, porque são pequenas e o universo é grande. Mas eu me sentinto grande, porque os meus átomos vieram dessas estrelas.”
— Neil deGrasse Tyson

Este, se não é, deveria ser o verdadeiro sentido da palavra “cosmopolitano”: o de cidadão do Cosmos, conforme a definição dada por Sagan, no livro (e posterior série) Cosmos:

“Alexandria foi a maior cidade do mundo ocidental jamais vista. Pessoas de todos os países acorriam para lápara viver, comerciar e aprender. Em qualquer dia, seus portos estavam acumulados de mercadores, estudiosos e turistas. Era uma cidade onde gregos, árabes, sírios, hebreus, persas, núbios, fení-cios, italianos, gauleses e iberos trocavam mercadorias e idéias.Foi provavelmente lá que a palavra cosmopolita cumpriu seu significado real — cidadão, não de uma só nação, mas do Cosmos. Ser um cidadão do Cosmos.”
– Carl Sagan – Cosmos, páginas 346 e 347.

Assim, para ser um cidadão do Cosmos, não basta existir. É verdade, tudo que escrevi acima se aplica a todo e qualquer ser humano, mas é necessário mais do que isto. É necessário ter esta consciência de “uno”, isto é, de que somos um só com o Cosmos.

O Cosmos também está em nós: somos feitos da mesma matéria que as estrelas. Nós somos uma forma do Cosmos se autoconhecer.
– Carl Sagan

Um cidadão cosmopolitano é alguém que não se prende a questões bairristas/nacionalistas referentes a cidades, estados ou nações. É um cidadão do todo, que respeita as leis locais, mas vive sua vida sem fronteiras. (Lembre-se: o ultra nacionalismo já foi motivo de diversas guerras inúteis: só serviram para gerar mortes e sofrimento.)

Então… Seja cosmopolitano. Tenha esta consciência, este sentimento, esta alegria de estar vivo e saber que é finito, mas, acima de tudo, espalhe esta consciência pelo mundo. 🙂

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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8 Comments

  1. Belíssimo texto, Mário!! E pode ser uma ótima mensagem de boas festas e início de ano. Que as pessoas possam despertar esse senso de união com o Cosmo. Um grande abraço!! 🙂

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    • Obrigado, Karlos Junior!
      .
      E, com certeza, se todos tivessem esta visão, as guerras passariam simplesmente a não ter sentido. Não acabaria com a criminalidade, de forma alguma, mas ela diminuiria MUITO.
      .
      Claro, sempre sem dogmatismo, com tudo podendo, sempre, ser debatido. Mas… Conscientizando as pessoas, acho que podemos chegar em algo MUITO próximo. 😀
      .
      Abraços!

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  2. Que texto F-O-D-A!

    Sou um cosmopolitano…

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    • Valeu, cara! 😀

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  3. “Não tenho flores ou plantas ornamentais em meu jardim,” Oh, pobre criatura. 🙁

    Bom, mas isso tudo não fica assim tão bonito se pensarmos que em algumas dezenas de bilhões de anos regiões de reações químicas como nós, pontinhos, provavelmente não terão mais fontes de energia quente para existir, e o universo provavelmente não terá mais vida como a conhecemos :'(

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    • Valeu, Ravick. kkkkkkkkkkk
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      Sobre o fim do universo… Cara… Isso ainda vai levar uns 20 TRILHÕES de anos… É MUITA coisa. 😉
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      Vamos nos preocupar em viver, em buscar a felicidade, melhorar nossa sociedade e em fazer com que a ciência avance. 😉
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      É o que podemos fazer, ao menos por hora. Mas… Quem sabe, no futuro não consigamos migrar pra outro universo? 😉

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  4. Que máximo, adorei o texto, a interpretação. E principalmente, a sua visão, e as citações que colocou ali,sempre geniais! Um beijão!:*

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  5. Parabéns Mário, Excelente Texto e colocações. Somos feito nas estrelas e ter consciência disso, nos torna ainda mais grandioso, sem arrogância, mas com uma humildade colossal. Pois somos feitos iguais, somos todos criaturas do universo. Novamente, bela visão e colocação. Abraços Amigo.

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