Sob Olhos Nietzscheanos – o cristianismo visto como um atraso à sociedade.

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


Nós, que usamos a Razão como o veículo para a realidade, sabemos que a maioria das religiões e seus extremos atrasam várias sociedades por muitos motivos diferentes, e não é necessário ser um gênio para ver isso.

Não só as religiões, como certas idéias atrasam nações – assim como o Islamismo atrasa o Irã, o hitlerismo atrasou a Alemanha em termos morais. Entretanto, aqui tratarei apenas do cristianismo – sejam ramificações católicas, protestantes ou etc. Aqui vai uma bela leitura para o que colocam a religião em um pedestal anti-críticas.

Não, não citarei Nietzsche aqui incluindo todas as suas ideias, até porque isso daria um texto absurdamente gigantesco. Que fique claro: Estou usando Nietzsche para representar suas ideias de que a humanidade deve evoluir, sempre.

“EVOLUÇÃO DA SOCIEDADE? O QUE EU TENHO A VER COM ISSO?”

A resposta é resumidamente: Você tem tudo a ver com isso. Qualquer pessoa tem a ver com isso. Se você vive em um meio social, consequentemente deve lutar para que a sua casa, seu bairro, sua cidade, seu estado, sua região e por fim, sua nação, evolua! Se um indivíduo não quer que seu meio social evolua, que esta sociedade não vá para frente, então que ESTE indivíduo viva individualmente, dentro de seus próprios interesses e aspirações. É dever da evolução social fazer com que a Medicina salve pessoas da morte e afaste-as das doenças; e é dever da Ciência descobrir sobre Biologia, Química e Física – não só para ajudar a Medicina, mas para que entendamos nosso mundo e como ele funciona.

A imagem do gráfico mostra como a sociedade apenas crescia com as religiões mais supersticiosas e mais-desconhecidas hoje em dia.

Até mesmo os romanos fizeram o que estava em seu alcance em relação ao conhecimento em geral. Com a chegada da Igreja Católica e, consequentemente, da Inquisição, a nossa evolução apenas afundou – aliás, para ser mais claro, não houve evolução!

“Só pense, nós poderíamos ter explorado a Galáxia agora.” Essa frase deveria dar calafrios. E de um jeito figurativo de linguagem, ela me dá.

CONSERVADORISMO E MORAL.

Primeiro falemos sobre moral. O que é moral? Moral é um certo conjunto de normas que regem nossas atitudes para que vivamos em uma sociedade na qual os indivíduos se relacionem um de bem com o outro.

Não posso falar da liberdade como sendo parte indispensável da moral, porque em várias sociedades arcaicas, a liberdade era (e ainda é) restrita a certos grupos ou classes sociais. A moral evolui, e o dever do cidadão é evoluir com ela.

Mas o que define nossa moral? O que a faz evoluir? Não posso dizer que a mesma moral do vigésimo primeiro século é a moral do século XIV, por exemplo. Em seu livro “Deus, um delírio”, Richard Dawkins diz que não culpa George Washington por manter escravos. Mas Washington não é conhecido por defender a liberdade e a democracia? Sim. A questão é que a escravidão, nos tempos dele, não era vista como é vista hoje em dia. Eram outros tempos, completamente diferentes! Isso significa: O que defina nossa moral, e o que a faz evoluir, é a nossa época.

O tão comentado Zeitgeist, o genius seculi!

Aí nos devemos questionar: Se o Zeitgeist da época de Washington era muito diferente do nosso, o que dizer do genius seculi dos tempos bíblicos? A moral que movia os tempos de Moisés, Abraão, Davi e até mesmo o que pregava Jesus, serviria para nossa época? A resposta parece meio óbvia, mas vamos fazer uma análise sobre isso.

Ok, vamos admitir que algumas coisas bíblicas servem para nossa época, como “Não matarás; não roubarás.” e mais algumas outras coisas que me escapam da memória. Mas vejamos algumas outras passagens bíblicas!

II Reis 2, 23-25.

“23. Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo!

24. E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.

25. E dali foi para o monte Carmelo de onde voltou para Samaria.”

Devo concluir que crianças, ao chamarem um dito homem de Deus de careca, devem ser esquartejadas por animais selvagens? Ok. Ainda não lhe pareceu absurdamente horroroso? Imagine então, que no meio daquelas crianças estava seu filho, ou então qualquer outra criança inocente que você considere importante para a sua vida. Imaginou? Ainda concorda com a atitude de Deus nessa passagem? Se sim, procure um psicólogo.

E o que diria o cristianismo sobre o machismo?

Deuteronômio 22, 13-15.

“Se um homem se casa com uma mulher e começa a detestá-la depois de ter tido relações com ela, acusando-a de atos vergonhosos e difamando-a publicamente, dizendo: ‘Casei-me com esta mulher mas, quando me aproximei dela, descobri que não era virgem, o pai e a mãe da jovem pegarão a prova da virgindade dela e levarão a prova aos anciãos da cidade para que julguem o caso.”

Eclesiástico 42, 14.

“É melhor a maldade do homem do que a bondade da mulher: a mulher cobre de vergonha e chega a expor ao insulto.”

“Abraçar uma mulher é como abraçar um saco de esterco.” – São Odo de Cluny, monge beneditino, 1030-1097. (Sim, ele é um santo canonizado pela Igreja Católica).

Ok, religiosos podem dizer que essas coisas só acontecem no Antigo Testamento ou na ausência de Jesus Cristo. Verdade mesmo?

Lucas 19, 27-28.

“Quanto, porém, àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.

Tendo Jesus assim falado, ia caminhando adiante deles, subindo para Jerusalém.”

Seria essa a moral cristã? Isso deveria ser o nosso Zeitgeist de acordo com o povo de Deus? Aliás, esqueci-me de citar a matança de homossexuais que Yahweh promoveu. Sabemos que se você sair por aí estilhaçando lâmpadas na cara de pessoas respeitosas, mas que gostam do mesmo sexo, você é preso. E a justiça faz certo.

Então com certeza: A Bíblia não serve como instrumento de moral e de vida. Se você seguir as ordens de Deus à risca, você é preso.

Pode até dizer que são metáforas, e é melhor que você pense assim. Mas não tratarei de “interpretação bíblica” nesse texto.

Certamente não preciso dizer nada sobre conservar a moral cristã. Se a pergunta é: Atrasa a sociedade? Veja de novo o gráfico.

A RELIGIÃO E A CURA.

“Eu tinha uma dor de cabeça e agora passou. Foi Jesus!” – É frequente ouvir frases assim em programas religiosos na TV hoje em dia.

Esse assunto do texto não será muito grande, pois não é nenhum pouco difícil derrubar o cristianismo e suas supostas curas milagrosas. Percebemos que as pessoas que fazem tais relatos normalmente são feitos por pessoas de classe baixa na sociedade, e isso torna muito fácil para um pastor que tem muita coisa na conta subornar tais cidadãos para que falem mentiras em rede nacional. Mas não acaba por aqui.

Como uma vez falou o Yuri Grecco (do canal do YouTube, EuAteu), não houveram, até hoje, curas milagrosas que são com certeza curas milagrosas (facilmente podem haver erros de diagnóstico, auto-cura por agentes naturais do corpo e etc).

Você já viu algum pastor regenerar um braço amputado? Eu acho que não. Mas a Ciência já regenerou membros perdidos. E é aí que o assunto começa a ficar seríssimo.

Citando mais uma vez um vlogger ateu, o Bernardo (do NerdCetico) já desafiou o apóstolo Valdemiro, da Igreja Mundial, a ir à um Hospital do Câncer, e curar uma só pessoa com câncer em estado terminal, já que o próprio “homem de Deus” afirmava que tinha o poder para curas milagrosas, e supostamente teria curado 05 paraplégicos. Ele aceitou o desafio?… Bom, não se sabe nem se ele ouviu falar do desafio. Mas no dia 4 de dezembro de 2011 foi divulgada uma matéria que falava da ida do apóstolo ao hospital para tratar um problema no joelho.

“O cara que tem poderes para curar pacientes de câncer e curar paraplégicos não tem poderes para curar o próprio joelho?”, disse Bernardo no vídeo do resultado do desafio.

Para terminar, concluímos que é garantido que com dipirona a sua dor de cabeça será curada, mas recorrer a supostos homens com superpoderes, que são na verdade charlatões e aproveitadores, a sua dor de cabeça persistirá, e parece que a dor não vai pesar só na sua cabeça, mas começará também a pesar no seu bolso.

Mas eu me pergunto se a situação não ficará complicada se pessoas com câncer, HIV e problemas sérios no geral, começarem a procurar religião para se curar. Eu me arrisco a dizer que, infelizmente, essas pessoas tem baixíssimas chances de sobrevivência.

A RELIGIÃO, O ABORTO E MÉTODOS ANTI-CONCEPCIONAIS.

Começarei citando o caso do assassino Paul Jennings Hill, que assassinou o doutor John Britton e seu guarda-costas, James Barrett. Hill teve – assumidamente – motivações não só religiosas, como motivações cristãs, para o ato.

Em seu documentário “A Raiz de Todo Mal? (Root of All Evil?)”, Richard Dawkins entrevista Michael Bray, que assume defender o ato de Paul Hill. Absurdo, não?

Quando Dawkins perguntou a Bray se “não lhe ocorreu que o médico tinha uma esposa para se lamentar por ele?”, Michael respondeu que sabia que Hill estava no Céu. Além de tais alegações absurdas, o membro do “Exército de Deus” afirma que a homossexualidade e o adultério, se provados em um tribunal, devem levar a sentença de morte.

Paul Jennings Hill cometeu tal assassinato dizendo que estava ajudando a salvar vidas, evitando abortos.

Qualquer biólogo e/ou médico que se preze concordará comigo: Ele não estava ajudando a salvar vidas, ele estava ajudando a salvar blastocistos que num futuro poderiam se tornar um bebê com vida. E Dawkins, que é biólogo, fala mais sobre isso em seu livro “Deus, um delírio.”

Mas, se ele se preocupava tanto com vidas, por que cometeu um assassinato de uma pessoa adulta, com sentimentos, com família, com medos, defeitos e qualidades? O doutor Britton e seu colega Barrett eram pessoas assim. Os blastocistos que ele tentou salvar com certeza nem ao mesmo possuem um cérebro. Devo terminar por aqui?

A Igreja Católica é, com certeza, um dos maiores divulgadores da propaganda antiaborto e anti-métodos-anticoncepcionais que há no planeta.

No vídeo “Por que vocês ateus tem tanta raiva? (Why Are You Atheists So Angry?)”, Greta Christina fala de um caso em que a Igreja Católica excomungou uma menina aqui no Brasil por ela ter feito aborto, porque havia sido estuprada (a Igreja Católica não fez nada com o criminoso). Eu me pergunto se a Igreja Católica realmente divulga a paz e a ordem do mundo afirmando que adolescentes devem ter filhos. Ter filhos com pouca idade não só atrapalha a vida social da pessoa, como atrapalha a vida escolar, profissional e etc.

Não posso confiar em uma instituição que promove que crianças estupradas devem ter o filho, e não podem fazer um aborto, porque estão “matando” um embrião.

CONCLUSÃO.

Minha intensão neste texto não foi divulgar a o fim do Cristianismo, mas sim, divulgar que ele deve parar de entrar em áreas que não é de seu interesse.

Como eu sempre digo, o nosso Estado é laico (pelo menos no papel, por enquanto), e não é direito das religiões terem bancada de deputados, não é direito das religiões legislarem, não é direito das religiões colocarem aulas de religião em escolas públicas. Eu sou ateu, e fico ofendido se o tribunal que me julga tem um crucifixo na parede, e até hoje nos EUA (e acredito que também no Brasil), um pai pode perder a guarda dos filhos pelo simples motivo alegado pelo juri: “He’s an atheist.”

A religião deve ficar no seu devido lugar. Entretanto nós, humanistas seculares, não divulgamos também um Estado ateu, mas sim, LAICO. Há uma grande diferença. Nenhuma posição filosófico-religiosa deve interferir na justiça, nem mesmo o ateísmo.

“Milhares de anos de religiões nos levaram à Idade Média. Dois séculos de Ciência nos levaram à Lua.”


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

Sob Olhos Nietzscheanos - o cristianismo visto como um atraso à sociedade., 8.2 out of 10 based on 5 ratings

Autor(es):

Victor Cavalcanti

Ateu e nerd.

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6 Comments

  1. Alguns erros de português ficaram evidentes: não existe a conjugação “houveram”, por se tratar de um verbo impessoal; intenção se escreve com “ç”, não com “s”; após dois pontos não há letra maiúscula. Além disso, não houve abordagem em nenhum momento do visão de Nietzsche sobre o cristianismo…

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    • Obrigado por corrigir os erros, Thales. Não sou muito de errar nos meus textos, mas acho que não prestei muita atenção neste.
      Como costumo dizer, as críticas são bem-vindas.

      Mas sobre a visão de Nietzsche sobre o cristianismo, recomendo ler o seu livro ‘O Anticristo’. A visão dele não foi abordada no texto porque, como disse no começo, eu só usei o nome de Nietzsche para expressar sua ideia de que o a sociedade deve continuar sua evolução sem cessar.

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      • (Corrigindo: “[…]sua ideia de que a sociedade deve[…]”)

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  2. Certo! Essa é a verdadeira virtude do sábio: reconhecer o erro! Quando li o título imaginei uma abordagem do cristianismo como religião da décadence – valorização do antinatural; contrariedade aos instintos.

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    • É, eu concordo com Nietzsche quando ele trata o cristianismo como antinatural e dédadent.
      Mas esse texto foi mesmo apenas sobre a ideia dele de que nós – como sociedade – devemos sempre evoluir.
      Mas acho que fazer um texto sobre a décadence do cristianismo e a sua valorização do antinatural não é má ideia.

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      • décadent*

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