Um cão ameaçado de morte por rabinos

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Introdução

Já temos associações de defesa dos animais por todo o mundo. Em nosso país, existe até mesmo uma lei que pune maus tratos a eles. O texto do Artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605/98 é o seguinte:

Art. 32.  Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

Pena –  detenção,  de três meses a um ano,  e multa.

§ 1º.  Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,  quando existirem recursos alternativos.

§ 2º.  A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

Este trecho foi retirado desta página: http://www.ibama.gov.br/leiambiental/home.htm#cap5

Esta proteção, óbvio, não é exclusividade do Brasil. Mas porque ela ocorre? Bem, a coisa é extensa, mas vou tentar resumir.

Primeiro, há a proteção à natureza. Esta proteção ocorre, basicamente, porque sem ela não teríamos alimentos (frutos, grãos, mesmo carne, etc.), nem medicamentos (que são sempre descobertos a partir de substâncias naturais, mesmo aqueles já industrializados hoje), nem mesmo oxigênio para respirar (que é retirado do CO2 por plantas e algas marinhas), etc.

A afirmação acima, sobre os alimentos, pode ser surpreendente. Mas o ponto é que nossos alimentos, além de serem plantas, precisam de material proveniente da putrefação de corpos de plantas e animais (humos), além de depender de insetos (como as abelhas) para polinização. Aliás, esta é a grande dificuldade para se produzir alimentos no espaço: a polinização.

Já a proteção à vida animal vem mais devido ao equilíbrio na cadeia alimentar. Se você elimina os predadores naturais de ratos, por exemplo, o tamanho da população destes animais dispara. Outro exemplo são grandes felinos brasileiros que estão atacando animais de fazenda e chegando cada vez mais próximos de cidades, devido à devastação das matas e da queda do número de presas que eles têm.

Animais domésticos também têm sua função na cadeia alimentar, principalmente controlando o número de ratos nas cidades, apesar de hoje já usarmos veneno para isto.

Contudo, para mim, o melhor argumento para defender animais, sejam domésticos ou não, é que, para mim, eles têm o mesmo direito à vida que nós. São seres vivos como nós e, mais que isto, biologicamente são nossos parentes. Toda a vida na Terra, aliás, é aparentada, pois o mais provável é que tenha evoluído de uma única e simples forma de vida. Isto sem falar, claro, que eles sentem tanta dor quanto eu ou você, tanta fome quanto, etc.

Não deveria haver diferença, portanto, entre a proteção da vida de animais e seres humanos. Só deveria ser permitido retirar a vida de animais sob 3 condições:

  1. Para alimento humano e/ou de outros animais (sim, apesar do que vegetarianos gostariam de nos empurrar, continuamos dependendo de proteína animal para viver);
  2. No caso de o animal ter um grave ferimento sem chances de recuperação (para aliviar o sofrimento, portanto);
  3. No caso de testes de medicamentos (infelizmente ainda não há uma outra forma).

E as religiões… Elas conseguem distorcer tudo. Não apenas o que é dito em debates, mas a própria realidade, como pode ser visto na matéria abaixo. A matéria entitulada “Corte judaica teria condenado à morte cão suspeito de ser advogado reencarnado”, retirado deste link do site da BBC.

Corte judaica teria condenado à morte cão suspeito de ser advogado reencarnado

Um tribunal judaico de Jerusalém (Israel) condenou um cão vira-latas à morte por apedrejamento, devido ao temor de que ele fosse a reencarnação de um advogado que insultou juízes da mesma corte, segundo apontam relatos.

Cães são considerados animais impuros no judaísmo tradicional

De acordo com o site de notícias israelense Ynet, o cachorro entrou há algumas semanas no tribunal – composto por rabinos – e não saiu mais de lá, o que fez um juiz lembrar de uma maldição imposta a um advogado secular, já morto.

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Na ocasião, há cerca de 20 anos, os juízes do tribunal do bairro ultraortodoxo de Mea Shearim desejaram que o espírito do advogado entrasse no corpo de um cão – animal tido como impuro no judaísmo tradicional – depois que ele proferiu insultos à corte.

Mesmo sentenciado à morte por apedrejamento, o cachorro conseguiu escapar do prédio do tribunal antes que a condenação fosse levada a cabo, afirma o Ynet.

Segundo relatos, um dos juízes do tribunal pediu às crianças da localidade que encontrassem o cachorro e executassem a sentença. Devido ao caso, uma organização de proteção aos animais registrou queixa na polícia contra uma autoridade da corte.

Vingança

Segundo o site Ynet, o tribunal nega que os juízes tenham condenado o vira-latas à morte.

No entanto, um representante da corte disse ao jornal Yediot Aharonot que o apedrejamento foi ordenado como uma “maneira apropriada de ‘se vingar’ do espírito que entrou no pobre cão”.

Os tribunais rabínicos (battei din) são investidos do poder de julgar questões religiosas em Israel e em algumas outras comunidades ultraortodoxas pelo mundo.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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