A farsa da teologia da prosperidade

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A teologia da prosperidade é uma doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as “doações” para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. Seus defensores ensinam que a doutrina é um aspecto do caminho à dominação cristã da sociedade, argumentando que a promessa divina de dominação sobre as Tribos de Israel se aplica aos cristãos de hoje. Tendo isso em vista, é fácil entender por que a teologia da prosperidade é tão bem sucedida (para os líderes religiosos que a pregam) e tão perigosa (para a sociedade).

Muitos pastores (deixando bem claro que não são todos) convencem os fiéis de suas igrejas a entregarem dinheiro, bens materiais, cartões de crédito (sem a senha não vale, certo Marco Feliciano?) e assim, sem o menor escrúpulo ou remorso, tiram das pessoas o pouco que tem (muitas vezes tudo o que tem). Conseguem isso sob a alegação de que quanto maior for a doação, maior será o retorno. Reparem que não há garantia nenhuma deste retorno, apenas dizem algo como “Deus irá trazer muitas “bênçãos” para sua vida”. As tais “bênçãos” são, literalmente, vendidas sob encomenda e, os fiéis sofrem uma forte lavagem cerebral para não perceberem isso. Vale lembrar que, uma vez que não há garantias de que o retorno virá, isso se chama estelionato… crime previsto pelo código penal brasileiro:

Estelionato
Art. 171. – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
1º – Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a
pena conforme o disposto no artigo 155, 2º .
2º – Nas mesmas penas incorre quem:
Disposição de coisa alheia como própria
I – vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria;

Cabe ressaltar aqui que, mesmo o a pessoa acreditando que deus irá lhe abençoar, não há uma maneira concreta de garantir isso, logo essa promessa caracteriza o estelionato.

Outro ponto em que a teologia da prosperidade se mostra fraudulenta é que é pregado que as “bênçãos” dadas em retorno das “doações” virão na forma de “bênçãos” financeiras, pois este seria o desejo de deus para os cristãos. De todas as (muitas) críticas que podem ser feitas à bíblia e ao cristianismo, o materialismo, com certeza, não é uma delas. Segundo a bíblia, Jesus, caso realmente tenha existido, pregava a pobreza material, chegando a afirmar que seria mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus (Mateus 19:24). Além disso, os únicos que parecem ser “abençoados” com o ganho financeiro são os pastores, enquanto os fiéis que lhes entregam volumosas somas de dinheiros e bens materiais não recebem suas “bênçãos”, apenas são instruídos a doarem o que tem e manter a fé que, “algum dia”, a “benção” financeira virá.

Tendo isso em vista, fica claro que os fiéis tem a sua crença no pastor em vez de deus (por mais que afirmem o contrário) e que para eles o que está escrito na bíblia é, simplesmente, irrisório! O que importa mesmo é a palavra do pastor, por mais absurda que seja! Afinal, quem parece ter o discurso mais atrativo? Um homem vestindo terno Armani, usando relógio Rolex e que promete riqueza, ou um homem pobre que anda descalço e manda as pessoas venderem tudo o que tem para dar aos (mais) pobres? Se o pastor diz que ateus, praticantes de outras crenças e LGBTs são aberrações, os fiéis não questionam por um instante que seja, simplesmente assumem que isso é verdade e agem de acordo, chegando a hostilizar, discriminar e perseguir estes grupos.

Mas esse não é o único perigo da teologia da prosperidade! Também é pregada a dominação cristã da sociedade, o que gera constantes ameaças à democracia e ao estado laico. Hoje vemos em nosso país bancada evangélica, acordo do Brasil com o Vaticano para que o Brasil seja declarado um país católico, lei do pai nosso, obrigatoriedade de participar de sessões solenes para a leitura da bíblia na câmara de vereadores, ataques contra centros de Umbanda, preconceitos motivados pela religião e outras atrocidades contra o estado laico que nos levam, pouco a pouco e cada vez mais, na direção de uma teocracia cristã no nosso país.

A já notória impunidade brasileira garante o sucesso da teologia da prosperidade no nosso país… os pastores que a pregam sabem que podem ficar tranquilos. Sabem que será extremamente difícil (para não dizer impossível) que tenham que responder pelos seus crimes de estelionato e por disseminarem seus discursos de superioridade (alô tio Adolf) que, direta ou indiretamente, induzem seus fiéis ao ódio, ao mesmo tempo em que os exploram e controlam suas vidas como se fossem marionetes.

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Autor(es):

Daniel

Sou desenvolvedor de softwares, ateu, cético, gamer, fã de Star Wars, mochileiro das galáxias, lutador de Hapkido, jogador e mestre de D&D. Converso sozinho e disfarço quando as pessoas percebem, defendo tudo aquilo que acredito estar certo, critico tudo aquilo que acredito estar errado, acredito que um mundo melhor é possível se cada um fizer a sua parte e observo o mundo ao meu redor para melhor entendê-lo, sempre em busca de novos e eternos aprendizados.

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