Chiquinha Gonzaga, A Maestrina Que Fez História.
Chiquinha Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, filha do militar José Basileu Neves Gonzaga e de Rosa de Lima Maria.
Desde criança mostrou interesse pela música, dedicou-se ao piano e compôs valsas e polcas.
Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liberdades no país, promotora da nacionalização musical, primeira maestrina, autora da primeira canção carnavalesca, primeira pianista de choro, introdutora da música popular nos salões elegantes, fundadora da primeira sociedade protetora dos direitos autorais.
Era filha de José Basileu Gonzaga, general do Exército Imperial Brasileiro e de Rosa Maria Neves de Lima, uma negra muito humilde. Apesar de opiniões contrárias da família, casou-se após o nascimento da menina Francisca. Chiquinha Gonzaga foi educada numa família de pretensões aristocráticas (seu padrinho era Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias). Ela conviveu bastante com a rígida família do seu pai. Fez seus estudos normais com o Cônego Trindade, um dos melhores professores da época, e musicais com o Maestro Lobo, um fenômeno da música. Desde cedo, frequentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África, pois nesses encontros buscava sua identificação musical com os ritmos populares que vinham das rodas dos escravos.
Inicia, aos 11 anos, sua carreira de compositora com uma música natalina, Canção dos Pastores. Aos 16 anos, por imposição da família do pai, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial brasileira e logo engravidou. Não suportando a reclusão do navio onde o marido servia, (já que ele passava mais tempo trabalhando no navio do que com ela) e as ordens dele para que não se envolvesse com a música, além das humilhações que sofria e o descaso dele com seu sonho, Chiquinha, após anos de casada separou-se, o que foi um escândalo na época.
Leva consigo somente o filho mais velho, João Gualberto. O marido, no entanto não permitiu que Chiquinha cuidasse dos filhos mais novos: Sua outra filha, Maria do Patrocínio e do filho, o menino Hilário, ambos frutos daquele matrimônio. Ela lutou muito para ter os 3 filhos juntos, mas foi em vão. Sofreu muito com a separação obrigatória dos 2 filhos imposta pelo marido e pela sociedade preconceituosa daquela época, que impunha duras punições à mulher que se separava do marido.
Anos depois, em 1867, reencontrou seu grande amor do passado, um namorado de juventude, o engenheiro João Batista de Carvalho, com quem teve uma filha: Alice Maria. Viveu muitos anos com ele, mas Chiquinha não aceitava suas traições. Separa-se dele, e mais uma vez perde uma filha. João Batista não deixou que Chiquinha criasse Alice, ficando com a guarda da filha. Apesar disso tudo, Chiquinha foi muito presente na vida de todos os seus quatro filhos, mesmo só criando um deles. Ela sempre estava acompanhando a vida deles e tendo contacto.
Ela, então, passa a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano para sustentar o filho João Gualberto e mantê-lo junto de si, sofrendo preconceito por criar seu filho sozinha. Passando a dedicar-se inteiramente a música, onde obteve grande sucesso, sua carreira aumentou e ela ficou muito famosa, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Antes, porém, uniu-se a um grupo de músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Callado, apresentando-se em festas.
Aos 52 anos, após muitas décadas sozinha, mas vivendo feliz com os filhos e a música, conheceu João Batista Fernandes Lage, um jovem cheio de vida e talentoso aprendiz de musicista, por quem se apaixonou. Ele também se apaixonou perdidamente por essa mulher madura que tinha muito a ensinar-lhe sobre música e sobre a vida. A diferença de idade era muito grande e causaria mais preconceito e sofrimento na vida de Chiquinha, caso alguém soubesse do namoro. Ela tinha 52 anos e João Batista, apenas 16. Temendo o preconceito, fingiu adotá-lo como filho, para viver o grande amor.
Esta decisão foi tomada para evitar escândalos em respeito aos seus filhos e à relação de amor pura que mantinha com João Batista, da qual pouquíssimas pessoas na época entenderiam, além de afetar sua brilhante carreira. Por essa razão também, Chiquinha e João Batista Lage, ou Joãozinho, como carinhosamente o chamava, mudaram-se para Lisboa, em Portugal, e foram viver felizes morando juntos por alguns anos longe do falatório da gente do Rio de Janeiro.
Os filhos de Chiquinha, no começo, não aceitaram o romance da mãe, mas depois viram com naturalidade. Fernandes Lage aprendeu muito com Chiquinha sobre a música e a vida. Eles retornaram ao Brasil sem levantar suspeita nenhuma de viverem como marido e mulher. Chiquinha nunca assumiu de fato seu romance, que só foi descoberto após a sua morte através de cartas e fotos do casal. Ela morreu ao lado de João Batista Lage, seu grande amigo, parceiro e fiel companheiro, seu grande amor, em 1935, quando começava o Carnaval.
A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a glória de tornar-se a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca ‘Atraente’. A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, resolveu lançar-se no teatro de variedades e revista. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes “A Corte na Roça”, de 1885. Em 1911, estreia seu maior sucesso no teatro: a opereta Forrobodó, que chegou a 1500 apresentações seguidas após a estreia - até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil. Em 1934, aos 87 anos, escreveu sua última composição, a partitura da peça “Maria”. Foi criadora da célebre partitura da opereta Juriti, de Viriato Corrêa.
Por volta de 1900 conhece a irreverente artista Nair de Tefé von Hoonholtz, a primeira caricaturista mulher do mundo, uma moça boêmia, embora de família nobre, da qual se torna grande amiga. Chiquinha viaja pela Europa entre 1902 e 1910, tornando-se especialmente conhecida em Portugal, onde escreve músicas para diversos autores. Logo após o seu retorno do continente europeu, sua amiga Nair de Tefé casa-se com o então presidente da República Hermes da Fonseca, tornando-se primeira-dama do Brasil.
Chiquinha é convidada pela amiga para alguns saraus no Palácio do Catete, a então morada presidencial, mesmo sob a contrariedade notavelmente imposta pela família de Nair. Certa vez, em 1914, num recital de lançamento do Corta Jaca, no palácio presidencial, a própria primeira-dama do país, Nair de Tefé, acompanhou Chiquinha no violão, e empunhou o instrumento, tocando um maxixe composto pela maestrina. O que foi considerado um escândalo para a época.
Foram feitas críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os “escândalos” no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças vulgares, segundo a concepção da elite social aristocrática. Levar para o Palácio do Governo a música popular brasileira foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos. Após o término do mandato presidencial, Hermes da Fonseca e Nair de Tefé mudaram-se para a França, onde permaneceram por um bom tempo. Em decorrência desse afastamento, Chiquinha e Nair acabam por perder contato.
Chiquinha participou ativamente da campanha abolicionista, por conta da revolta que sentia por seus ancestrais maternos terem sido escravos e sofrido muito, e da proclamação da república do Brasil. Também foi a fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.
Galeria de Fotos
Pai de Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga no colo de sua mãe com um ano de idade.
Com 18 anos de idade (Já casada)
Chiquinha apresentou ao Rio de Janeiro seu primeiro sucesso, em 1877. A compositora tinha então 29 anos.
Chiquinha Gonzaga oferecendo aulas particulares.
Notícia do “Escandâlo no Catete”, música de Chiquinha Gonzaga executada por Nair de Teffé.
Coleção de composições de Chiquinha Gonzaga
Contrato de composições de suas musicas.
Partitura de sua composição, “Atraente”.
Maria, sua filha.
Orquestra de Chiquinha Gonzaga
Aos 47 anos de idade, usando o broche contendo os primeiros compassos de sua valsa Valquiria, presenteado por colegas, e a medalha recebida pela oficialidade do navio francês Duquesne em 1894.
Seus filhos.
Aos 78 anos, quando recebeu homenagem consagradora da SBAT. No semblante, um ar vitorioso.
Foto datada de 1933, no palco do Teatro Recreio (RJ), após o ensaio geral da operetta “Juriti”, de Viriato Corrêa. Ladeando a notável compositora Chiquinha Gonzaga estão Vicente Celestino, Gilda de Abreu e o autor da peça, Viriato Corrêa
Última foto, feita em seu aniversário de 85 anos.
Busto em homenagem a Chiquinha Gonzaga
Linha do Tempo
1847: Nasce no Rio de janeiro a 17 de outubro.
1863: Casa-se com Jacinto Ribeiro do Amaral.
1864: Nasce seu primeiro filho: João Gualberto.
1865: Nasce sua filha Maria.
1866: Embarca com o marido no navio São Paulo, por este fretado, que transporta tropas para a Guerra do Paraguai.
1869: É homenageada pelo compositor Joaquim Antônio Callado com a polca “Querida por todos”.
1870: Nasce seu terceiro filho, Hilário.
1875: Nasce Alice, sua filha com o engenheiro João Batista de Carvalho. Sofre processo de divórcio movido pelo marido no Tribunal Eclesiástico.
1877: Primeira obra editada: a polca Atraente, que em nove meses chega à 15ª edição.
1879: Começa a instrumentar, com autodidatismo.
1880: Anuncia-se publicamente como professora de várias matérias.
1883: Tentativa frustrada de musicar libreto de Arthur Azevedo.
1885: Estréia como maestrina.
1888: Extinção da escravidão no Brasil, pela qual durante tantos anos Chiquinha Gonzaga lutara.
1889: Proclamação da República, outro anseio da compositora.
1890: Nasce a primeira neta.
1891: Falecimento do pai.
1897: Falecimento de Rosa, sua mãe.
1899: Carnaval. Compõe Ó Abre Alas. Conhece João Batista, jovem português de 16 anos que seria seu companheiro até o fim da vida.
1902: Viaja para a Europa.
1904: Segunda viagem à Europa.
1906: Vai morar em Portugal.
1909: Retorna ao Brasil.
1911: Inicia intensa atividade musicando peças teatrais para os espetáculos por sessões dos cine-teatros da Praça Tiradentes (RJ).
1912: Estréia Forrobodó, seu maior sucesso teatral.
1913: Deflagra campanha em defesa pelo direito autoral dos compositores e teatrólogos.
1914: Lançamento, com grande sucesso, do tango Corta-Jaca.
1917: Participa da fundação da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
1919: Grande éxito da peça de costumes regionais Juriti.
1925: Recebe homenagens consagradoras da SBAT e reconhecimento do país inteiro.
1928: Seu filho João Gualberto morre em São Paulo.
1933: Aos 85 anos, escreve sua última partitura para teatro: Maria.
1934: Falecimento da filha Maria.
1935: Morre no dia 28 de fevereiro. Dois dias depois realiza-se o primeiro concurso oficial das escolas de samba.
A Corte na Roça - Antonio Adolfo e Sivuca
Flor Amorosa - Chiquinha Gonzaga
Maxixe da Zaferina- Beth Carvalho
Água do Vintém - Chiquinha Gonzaga
Chinelinha do Meu Amor - Suzana Salles
O Poeta e a Maestrinha - Olívia Hime e Chico Buarque
Grupo Seresteiros de Diadema interpretam “Lua Branca” (Tv Cultura).
Parte única
Obs.: A música inicia-se à partir do minuto 3:30
Documentário “Abre Alas” no “De Lá Pra Cá” da Tv Brasil.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Chiquinha Gonzaga, A Maestrina Que Fez História.,




































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