[Contos] “O Carroceiro”.

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Num dia qualquer, num lugar longínquo… 
O carroceiro levava a palha seca consigo, levava e trazia vazia,
e a carroça de madeira, vetusta, tanto quanto o pobre homem a manusear-la,
escutava-se os rangidos, não suportando mais o esforço, larga-lhe com truculência…
Com mãos e pernas à tremular, descansa na sombra de um copioso pé-de-jaca,
que subitamente tira-lhe o sossego, por haver ali um bilhete, escrito:

“Senhor, sei que descansaria nesse pé-de-jaca uma hora ou outra, ao lado desse pé há um pedaço de madeira, puxe-o!”.

Com aparente curiosidade, cava um pouco e avista a tal madeira, cavando mais fundo começa a perceber que, na verdade, era outra carroça, e nela um bilhete:

“Isto é um presente, o senhor não se lembra, mas quando eu estava para nascer levastes a minha mãe nessa carroça, e esse pé eu mesmo plantei com as sementes da jaca, que o senhor ofereceu quando minha mãe estava passando fome.

O via todos os dias, mas só soube hoje quem era o senhor, minha mãe deixou em seu leito de morte, uma caixa, nela continham três medalhões e um desenho seu, a qual ela retratava como o bom “homem da palha”.

Pois é, os medalhões eu vendi para restaurar a carroça, e o desenho será a única lembrança viva sua e da minha mãe, e sabe o dia que o senhor ajudou a carrega-la e deu-lhe um pouco de comida? Ela nunca se esqueceu daquele gesto, tal a salvou…”

A carta termina…
E de seus enrugados olhos brotam-se lágrimas, e logo debanda à abrir um sorriso, capcioso…
Feliz, sorbica um pedaço de jaca, na simplicidade de carroceiro pouco pomboca,
ergue a tralha de madeira e em rápidos espalmares limpa-lhe, deslocando o resto da palha, farpeando-a logo à facilitar o carregar da mesma…
E assim segue seu caminho, deixando o rastro da palha e de seu altruísmo,
aguerrido por batalhas pouco afamadas, levando sempre consigo a carroça, instrumento de trabalho e honradez.

Autor: Grégori Fiorini

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Autor(es):

Gregori

Sou nato da cidade de Fortaleza no estado nordestino do Ceará, filho de pais professores, neto de imigrantes italianos e admirador do físico Albert Einstein, desde pequeno sonhava em ser cientista, incentivava os colegas ao mesmo, pesquisava teorias cientificas que explicassem o mundo que nos cerca, a gravidade, as moléculas, a energia, tudo me fascinava... Sempre muito curioso, "bulia" nos objetos a fim de descobrir como tais funcionavam (e quase sempre quebrava-os). Amante de computadores desde 1996, aprendi que essa ferramenta me oferecia oportunidades únicas de aprendizado, o primeiro contato com internet ocorreu em fevereiro de 1999 e guardo na lembrança esse momento, escutava os sons nada harmônicos da conexão 56kbps esperando pelo milagre da "janela colorida", como assim chamava a página de internet; nesse mesmo ano fiz primeira eucaristia no Colégio Santa Cecília, tradicional católico, onde estudava, boas e inesquecíveis lembranças; a eucaristia era quase uma obrigação familiar, saudoso avô (e padrinho) era católico fervoroso, contudo, meu interesse para tal era nulo e por consequência nunca decorei as "benditas" rezas, conclusão: a professora quase me reprovou! O tempo passou e sai desse colégio, indo para de ensino evangélico, onde a religião não era tão enraizada na mentalidade dos profissionais que ali trabalhavam, nesse ambiente fui líder de grupos e fiz parte do editorial do jornal da escola, e assim conheci principal habilidade: a criatividade, promovendo muito das exposições realizadas pela instituição, tive oportunidade de visitar emissoras de T.V. e jornais locais, finalizei o curso alguns anos depois; atualmente estudo Audiovisual e Novas Mídias na Unifor. Esportista radical, cineasta, escritor e poeta; enfim, aqui terão a oportunidade de melhor conhecer-me, um jovem que coleciona belas histórias.

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