Dois exemplos rotineiros de arrogância.

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


1. Evento evangélico aqui na vizinhança, música etc.

O pastor fala ao microfone que, independente da religião de qualquer pessoa, só Jesus salva e é o caminho certo para Deus.

Portanto, repetindo, para não deixar dúvidas: não importa a sua religião, só Jesus salva. (Demonstração de arrogância clássica num país de maioria cristã.)

 

2. Final de uma reunião de início de ano numa escola em que trabalhei. Um dos professores pediu que nos déssemos as mãos, formando um círculo, discursinho desejando um bom ano a todos, em seguida disse algo assim: “Respeitando a religião e as diferenças religiosas de cada um de nossos colegas aqui, vamos agora rezar a oração que o mestre nos ensinou.”

Segue o velho e carcomido Pai-Nosso.

(Demonstração de arrogância não-intencional num ambiente de trabalho.)

 

Mas e se alguém dissesse: “Ei, espere aí, meu mestre é outro, eu sou budista, meu mestre é Sidartha Gautama.”

Como ficaria?

 

Sim, eu fico surpreso com essas coisas, sério mesmo. É totalmente inesperado. A contradição é muito gritante. Tenho vontade de perguntar ao cara: “Escute, você é louco? Jesus não é o meu mestre. Você não disse que me respeitava?”

 

É notável que não tenham noção da própria arrogância. Nem lhes passa pela cabeça que alguém ali pode ter outro nível de consciência e não acreditar em Jesus. Declaradamente, demonstram um limite muito estreito, uma falta de visão de mundo que chega a dar pena de tão simplória (ou chega a ser perigosa, se pensarmos bem).

É diferente se alguém diz que, independente da religião, devemos respeitar o próximo, lutar pela justiça, fazer o bem… Mas a arrogância está entranhada na própria ideologia. Eles realmente não percebem.

 

 

Postado por Perce Polegatto


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

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Autor(es):

Perce Polegatto

Nascido em Ribeirão Preto, SP. Publicou seu primeiro livro em 1985, “A canção de pedra”, que traz alguns de seus primeiros trabalhos, ainda sob forte influência do romantismo tardio de autores alemães e franceses. A metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial são algumas das principais marcas de seus textos. É autor de “A conspiração dos felizes”, “A seta de Verena”, “Lisette Maris em seu endereço de inverno” e “Os últimos dias de agosto”, romance recentemente reeditado pela All Print Editora, São Paulo.

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One Comment

  1. Muito bom Artigo! Nota 10!

    Eu não sei o que é pior, a Religião ou a Corrupção (ou talvez sejam a mesma coisa), sendo uma subjetiva e a outra objetiva, respectivamente.

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