Ideias para conversão.

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


Ideias para conversão.

 

– Então, compadre, que podemos fazer para mostrar a esses ateus teimosos que Deus existe?

– Bom, compadre, podemos começar com a mitologia. Todos os povos tinham deuses, deusas, então é porque Deus existe.

– Lógico. Ninguém pode viver sem um deus. Mas não sei, não. Quando chegar na parte das ninfas e dos anjos, eles não vão acreditar de novo, eles duvidam de tudo, se recusam a “ver”.

– E que tal um criador do universo? Se o universo existe, é porque Deus existe, não é óbvio?

– Claro que é óbvio. Mas acho que isso não dá mais, viu… Eles já leram e viram coisas sobre o Big Bang, a origem do Sistema Solar, a origem da vida… Isso não vai “colar” mais, compadre, vai ser difícil. Eles são cegos, acreditam na ciência, sabe como é…

– Então que tal o deus do Antigo Testamento, que conversava com Moisés, que mandava Josué acabar com a raça daquele povo das outras cidades… Não é possível que eles não entendam isso. Quem sabe um deles gosta de jogos violentos, coisas de guerra, e se identifica com ele.

– É, quem sabe, guarde essa ideia.

– E o deus do Evangelho, de bondade, fraternidade, perdão, pode ser que um ateu sensível compre a ideia, e até se emocione.

– Ih, compadre, mas quando virem que esse deus de bondade matou o próprio filho com tanta crueldade, mesmo tendo poder de implantar seu reino na Terra quando bem entendesse, os mais sensíveis vão ficar chocados. E sabe o que é pior? Muitos deles já sabem disso, foram criados em igrejas, conhecem isso tudo.

– Olha, quer saber, compadre, deixa esses ateus pra lá, sabe. O importante é a gente não perder a fé.

– Isso mesmo, compadre, isso é que é importante na vida da pessoa.

– Então tchau, compadre, prazer em vê-lo, fica com Deus.

– Vai com Deus, compadre, amém.

 

 

Postado por Perce Polegatto


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

Autor(es):

Perce Polegatto

Nascido em Ribeirão Preto, SP. Publicou seu primeiro livro em 1985, “A canção de pedra”, que traz alguns de seus primeiros trabalhos, ainda sob forte influência do romantismo tardio de autores alemães e franceses. A metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial são algumas das principais marcas de seus textos. É autor de “A conspiração dos felizes”, “A seta de Verena”, “Lisette Maris em seu endereço de inverno” e “Os últimos dias de agosto”, romance recentemente reeditado pela All Print Editora, São Paulo.

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