O Senhor dos Deveres Sociais

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


 

 

Nas narrativas sobre Sidharta Gautama (o Buda), há um episódio em que ele sofre três tentações: da luxúria, do medo e da submissão à opinião alheia. (Vejam que curioso esse último item, algo a que as outras religiões nem se referem.) Ele superou a primeira tentação, porque já se havia desfeito das tentações carnais. Então o Senhor da Luxúria se transformou no senhor da Morte.

E lançou contra ele todas as armas de um exército de monstros, para testar seu medo. Mas ele já havia encontrado em si mesmo o ponto da eternidade e não se importava de morrer. As armas, então, se transformaram em flores de reverência. O Senhor da Luxúria e da Morte se transformou no temível Senhor dos Deveres Sociais, e perguntou o que ele havia feito de útil em sua vida prática, já que havia tanta coisa a ser feita.

Sidharta tocou o chão com os dedos da mão direita e não se incomodou com a pressão do Senhor dos Deveres Sociais, com isso vencendo a terceira tentação. Nisso, a voz da deusa-mãe do universo ecoou por toda a floresta: “Este é o meu filho amado, que já se doou de tal forma ao mundo que não há mais ninguém aqui que possa dar-lhe ordens. Desista dessa insensatez.” O elefante, no qual estava montado o Senhor dos Deveres Sociais, curvou-se em reverência a Buda. E todo o exército de monstros se dissolveu, como num sonho.

Nessa noite, ele atingiu a iluminação. Permaneceu no mundo por mais cinquenta anos, ensinando o caminho para se livrar do egoísmo.

 

Postado por Perce Polegatto

 


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

 

Autor(es):

Perce Polegatto

Nascido em Ribeirão Preto, SP. Publicou seu primeiro livro em 1985, “A canção de pedra”, que traz alguns de seus primeiros trabalhos, ainda sob forte influência do romantismo tardio de autores alemães e franceses. A metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial são algumas das principais marcas de seus textos. É autor de “A conspiração dos felizes”, “A seta de Verena”, “Lisette Maris em seu endereço de inverno” e “Os últimos dias de agosto”, romance recentemente reeditado pela All Print Editora, São Paulo.

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4 Comments

  1. Olá!! Muito interessante esta pequena postagem. Vocês estão realizando um ótimo trabalho, porém, não se agarrem ao ateísmo. O site é um convite para o conhecimento, mas um pé na bunda para cristãos ao se depararem com propagandas de ateus. Isso pode ser resolvido através de um equilíbrio, pois é de grande importância acolher a variabilidade de religiões existentes para a expansão do conhecimento, todos temos sabedorias diferentes que podem ser compartilhadas para uma visão mais ampla. Apesar de eu ser cristão, sou desvinculado a qualquer religião, não por ser contra, mas por não querer restringir minha visão.

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    • Olá, Vítor.

      O problema é que esse site é de uma organização ateísta sem fins lucrativos. Jamais vamos parar de postar sobre ateísmo.

      Este blog, aliás, foi criado justamente para cobrir todas as areas de interesse de ateus… Ciência, ceticismo, ateísmo em si, cultura, filosofia, etc… Assim, se um editor se enche de escrever sobre um tema, escreve sobre outro. Sabe?

      De qualquer forma, todos são aceitos e bem recebidos aqui. Isso inclui religiosos, é claro, inclusive se for para discordar do que escrevemos. 😉

      Abraços!

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      • Sim, mas vocês tem um objetivo principal. Eu estaria incorreto em afirmar que é a emancipação da população brasileira, de forma que o conhecimento científico seja o elemento que rege as ações?

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        • têm*
          Acho que ao afirmar “da população brasileira” eu fui utópico, mas dos internautas leitores de suas publicações.

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