Randy Pausch, O Professor Que Nos Ensinou a Viver.

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Em outubro de 2007, com apenas 46 anos de idade, o professor Randy Pausch resolveu se despedir simbolicamente de seus estudantes, uma prática comum entre os professores da Universidade Carneguie Mellon, nos Estados Unidos. Algo como tentar ensinar aos estudantes tudo o que aprenderam até então. A forma escolhida pelo professor Randy para se “despedir” foi uma palestra chamada “Como Fazer para Realizar Seus Sonhos de Criança”, onde ele conta um pouco da história de sua vida, sua infância, seus pais, suas experiências e sobre as lições que aprendeu durante o percurso. E tudo isso, pouco tempo após ter descoberto que estava sofrendo de câncer do pâncreas e contando com poucos meses de vida. No caso de Randy, infelizmente a palestra se tornou uma despedida real…

 

Biografia de Randy Pausch 

 

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Randy Pausch, jovem


  • Co-fundador do CMU’s Entertainment Technology Center
  • Desenvolvedor de Realidade Virtual com Engenheiros da Disney
  • Palestras motivacionais sobre a vida
  • Batalha contra o câncer

Prêmios

  • Karl V. Karlstrom Outstanding Educator Award
  • ACM Special Interest Group on Computer Science Education
  • Award for Outstanding Contributions to Computer Science Education
  • Uma das 100 Pessoas mais influentes do ano de 2007

Randolph Frederick Pausch, conhecido como Randy Pausch, foi um professor de Ciência da Computação,Interação homem-computador e Design na Carnegie Mellon University (CMU) em Pittsburgh, Pennsylvania, EUA e autor de um best-seller, ganhando fama com o multiaclamado The Last Lecture, livro baseado em uma palestra dada em 18 de setembro de 2007 na Carnegie Mellon University.

Pausch nasceu em Baltimore, Maryland, e cresceu em Columbia.

Em agosto de 2006, Pausch teve um câncer pancreático diagnosticado. Ele começou então um tratamento pesado, que incluía em sua maioria técnicas experimentais de quimioterapia. Porém, em agosto de 2007, ele mesmo disse que sofreu uma metástase para outros órgãos, significando que havia se tornado terminal. Ele começou então um novo tratamento em quimioterapia, com outro objetivo: estender sua vida ao máximo. Com isso, os médicos deram-lhe mais 3 a 6 meses.

Em 2 de maio de 2008, um exame PET mostrou que seu câncer se espalhou ainda mais, para alguns órgãos vitais, principalmente no peritônio e no retroperitônio, evidenciando sua piora no estado de saúde.

Livros

  • Learning to Program with Alice, Brief Edition (com Wanda P Dann e Stephen Cooper) (2006) ISBN 0-13-239775-7
  • The Last Lecture (2008) ISBN 1-4013-2325-1 (A Lição Final no Brasil)

Entrevista de Randy no programa da Oprah Winfrey
Obs.: Ativar as legendas no botão “CC”.

Trechos do livro “The Last Lecture”

As Lições que Estou Deixando para Trás

Por Randy Pausch

 

Em muitas universidades, professores são convidados a dar uma “última aula”. Nesta conversa, eles refletem sobre o que mais importa para eles. Enquanto eles falam, a platéia se faz a mesma pergunta: Que sabedoria você deixaria para o mundo se soubesse que esta seria sua última chance?

Ano passado, concordei em dar uma última aula na Universidade Carnegie Mellon, onde sou professor no departamento de ciências da computação. Algumas semanas mais tarde, soube que tinha apesas meses de vida – estava morrendo de câncer no pâncreas.

Sabia que podia cancelar. Tenho três filhos pequenos, sou casado com Jai, a mulher dos meus sonhos, e ainda há tantas coisas a fazer. Mas falando, sabia que poderia colocar a mim mesmo numa garrafa, que um dia poderia aparecer na praia para os meus filhos, Dylan, Logan e Chloe. Aqui vai o que quero compartilhar.

Divirta-se Sempre

Antes da minha palestra, o presidente da Carnegie Mellon, Jared Cohon, me disse, “Por favor conte a eles sobre diversão, porque é por isso que vou me lembrar de você”. Cheguei a uma conclusão rapidamente. Cada um de nós deve tomar uma decisão, melhor resumida nos personagens de A.A. Milne, em Winnie-the-Pooh. Sou o Tigre que adora se divertir ou sou uma tristonha Eeyore? Minha posição é bem clara.

No meu último Halloween, Jai, nossos filhos e eu nos fantasiamos de “Os Incríveis”. Coloquei uma foto nossa no meu site e expliquei que a químio não tinha afetado meus superpoderes. Recebi emails com sorrisos como resposta.

Não vou desistir do Tigre dentro de mim. Alguém me perguntou o que quero escrito na minha lápide. Eu disse: Randy Pausch: Viveu 30 Anos Após um Diagnóstico Terminal”. Eu poderia encaixar muita diversão em 30 anos. Mas se não tiver que ser assim, vou encaixar muita diversão no tempo que tenho.

Sonhe alto

Tinha oito anos no verão de 1969, quando o homem chegou à lua. Estava na colônia de férias, nós crianças fomos levados até a casa principal para ver aquele momento na TV. Mas os astronautas estavam demorando, e estava ficando tarde. Os orientadores nos mandaram de volta às nossas barracas para dormir, e nós perdemos os primeiros passos.

Fiquei possesso. Pensei: “Minha espécie sai deste planeta e há um mundo novo pela primeira vez, e vocês aí acham que a hora de dormir ter importância?”

Quando cheguei em casa, meu pai me deu uma foto que ele tinha tirado da TV no segundo exato em que Neal Armstrong pisou na lua. Ainda temos esta foto.

Dê a si mesmo permissão para sonhar. Incentive o sonho de seus filhos também. De vez em quando, isso pode significar deixá-los acordados depois da hora.

 

Peça o que deseja

 

Numa viagem à Disney World, meu pai e eu estávamos no monorail com meu filho Dylan, então com quatro anos. Dylan queria sentar na cabine da frente com o motorista, e meu pai achou que seria legal também.

“Pena que eles não deixam qualquer pessoa sentar lá,” meu pai disse.

“Na verdade, aprendi que há um truque para se sentar lá na frente,”eu disse. “Quer ver?”

Caminhei até o atendente e disse: “Com licença. Será que poderíamos sentar no carro da frente, por favor?

“Certamente,” disse o atendente. Ele nos levou até a cabine da frente. Foi uma das únicas vezes que vi meu pai sem palavras. “Falei que era um truque,” disse a ele. “Não falei que era um truque complicado”.

Agora me tornei melhor ainda em “só pedir”. Como todos sabemos, pode-se levar dias para receber resultados de exames médicos. Não quero passar meu tempo esperando, então pergunto: “Quanto antes posso receber estes resultados?”

“Oh,” eles normalmente respondem, “talvez possamos dá-los a você em uma hora”.

Peça. Mais do que você imagina, a resposta que você vai ouvir é “Claro”.

 

Ouse arriscar

 

Num curso de realidade-virtual que ministrei, encorajava os alunos a tentar coisas difíceis sem se preocupar com fracasso. No final do semestre, dei um pingüim de pelúcia – “O Primeiro Prêmio Pingüim”— à equipe que apostou mais alto sem alcançar seu objetivo. O prêmio veio da idéia de que quando os pingüins pulam na água onde pode haver predadores, bem, um deles tem que ser o primeiro pingüim. Essencialmente, foi uma prêmio por um “glorioso fracasso”.

Experiência é o que você ganha quando não consegue o que quer. E isto pode ser a coisa mais preciosa que você tem a oferecer.

 

Procure o melhor em todo mundo

Recebi este conselho de Jon Snoddy, meu herói na Disney Imagineering. “Se vicê esperar o bastante,” ele disse, “as pessoas vão surpreender e impressionar você”. Quando você fica frustrado com as pessoas, quando você está zangado, pode ser porque você ainda não os deu tempo suficiente. Jon me alertou que isto necessitava de muita paciência, talvez anos. “No final,” ele disse, “as pessoas vão te mostrar o lado bom delas. É só ficar esperando. Ele aparece.”

 

Encontre tempo para o que importa

Quando Jai e eu saímos em lua-de-mel, queríamos ficar sozinhos. Como meu chefe exigia uma forma que as pessoas pudessem entrar em contato comigo, gravei este recado. “Oi, aqui é o Randy. Esperei até os 39 anos para casar, então minha esposa e eu vamos viajar por um mês. Espero que isso não seja um problema para você, mas é para o meu chefe. Aparentemente, tenho que estar disponível”. Então dei os nomes dos pais da Jai e a cidade onde eles moravam. “Se você ligar para a operadora, você consegue o telefone deles. E então, se você conseguir convencer meus sogros de que a sua emergência merece interromper a lua-de-mel da única filha deles, eles têm nosso telefone”. Não recebemos nenhum telefonema.

Tempo é tudo que você tem. E você pode descobrir um dia que você tem menos do que imagina.

 

Deixe as crianças serem elas mesmas

 

Por eu ser tão franco sobre meus sonhos de infância, as pessoas me perguntam sobre os sonhos que tenho para os meus próprios filhos. Como professor, já vi como pode ser perturbador quando os pais têm sonhos específicos para seus filhos. Minha tarefa é ajudar meus filhos a cultivar uma alegria de viver e desenvolver mecanismos para satifazer seus próprios desejos. Meus desejos para eles são bem exatos e, considerando que não vou estar presente, quero ser bem claro: Filhos, não tentem descobrir o que eu queria que vocês fossem. Quero que vocês sejam o que vocês quiserem. E quero que vocês sintam como se eu estivesse aí com vocês, qualquer que seja o caminho escolhido.

 

E com vocês, a última lição do Professor Randy…

Parte 1 

 

 

Parte 2

 

 

Parte 3

 

 

Parte 4

 

 

Parte 5

 

 

Parte 6

 

 

Parte 7

E em 25 de Julho de 2008 Randy Pausch nos deixou… Mas presenteou sua vida àqueles que os amavam, e nós, seus alunos, agradecemos por essa brilhante lição, mesmo diante do inevitável soube se portar como herói, e todo herói é imortal.

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Autor(es):

Gregori

Sou nato da cidade de Fortaleza no estado nordestino do Ceará, filho de pais professores, neto de imigrantes italianos e admirador do físico Albert Einstein, desde pequeno sonhava em ser cientista, incentivava os colegas ao mesmo, pesquisava teorias cientificas que explicassem o mundo que nos cerca, a gravidade, as moléculas, a energia, tudo me fascinava... Sempre muito curioso, "bulia" nos objetos a fim de descobrir como tais funcionavam (e quase sempre quebrava-os). Amante de computadores desde 1996, aprendi que essa ferramenta me oferecia oportunidades únicas de aprendizado, o primeiro contato com internet ocorreu em fevereiro de 1999 e guardo na lembrança esse momento, escutava os sons nada harmônicos da conexão 56kbps esperando pelo milagre da "janela colorida", como assim chamava a página de internet; nesse mesmo ano fiz primeira eucaristia no Colégio Santa Cecília, tradicional católico, onde estudava, boas e inesquecíveis lembranças; a eucaristia era quase uma obrigação familiar, saudoso avô (e padrinho) era católico fervoroso, contudo, meu interesse para tal era nulo e por consequência nunca decorei as "benditas" rezas, conclusão: a professora quase me reprovou! O tempo passou e sai desse colégio, indo para de ensino evangélico, onde a religião não era tão enraizada na mentalidade dos profissionais que ali trabalhavam, nesse ambiente fui líder de grupos e fiz parte do editorial do jornal da escola, e assim conheci principal habilidade: a criatividade, promovendo muito das exposições realizadas pela instituição, tive oportunidade de visitar emissoras de T.V. e jornais locais, finalizei o curso alguns anos depois; atualmente estudo Audiovisual e Novas Mídias na Unifor. Esportista radical, cineasta, escritor e poeta; enfim, aqui terão a oportunidade de melhor conhecer-me, um jovem que coleciona belas histórias.

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