Sobre não acreditar

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


As pessoas que creem pensam que as que não creem vivem mal – e mil outras coisas relacionadas. Pensam que, no momento do sofrimento, os descrentes devem repensar a fé e se apegar a algo.

Mas não, isso não funciona assim.

Se estou perdido numa floresta, não espero a ajuda de Diana, a caçadora, ou do Curupira.

Para quem não crê, não há hipótese alguma de ser salvo por uma entidade sobrenatural, seja ela qual for.

E não adianta dizer: “Peça uma graça. Não custa nada. Quem sabe…”

Não, não funciona assim.

Pode ser que uma pessoa não se sinta bem com sua descrença, que decline a alguma tristeza ou viva menos motivada, consciente de sua condição. Mas não passa a crer em anjos por causa disso. Não por teimosia ou recusa, mas porque simplesmente não lhe é possível. Sua mente rejeita o sobrenatural, a fantasia, o absurdo, e trabalha naturalmente com o que entende e sente como possível, como disponível, como real, custe-lhe a dor que custar – se por acaso lhe custar alguma dor, se for esse o caso, bem entendido.

Postado por Perce Polegatto


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

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Autor(es):

Perce Polegatto

Nascido em Ribeirão Preto, SP. Publicou seu primeiro livro em 1985, “A canção de pedra”, que traz alguns de seus primeiros trabalhos, ainda sob forte influência do romantismo tardio de autores alemães e franceses. A metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial são algumas das principais marcas de seus textos. É autor de “A conspiração dos felizes”, “A seta de Verena”, “Lisette Maris em seu endereço de inverno” e “Os últimos dias de agosto”, romance recentemente reeditado pela All Print Editora, São Paulo.

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