Uma história de terror

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Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.


Deveria haver, anualmente, um dia, uma semana, em memória a todas as vítimas da Igreja.

É espantoso que essa instituição ainda exista, com o mesmo nome e tudo o mais.

 

A história da Igreja é uma história de terror.

 

“A crônica dos que foram consumidos pelo fogo, somente na cidade de Würtzburg, e apenas no ano de 1598 […] a velha sra. Kanzler; a mulher gorda do alfaiate; a cozinheira do sr. Mengerdorf; […] o velho ferreiro da corte; uma velha; uma menina de nove ou dez anos; uma menina mais moça, sua irmãzinha; a mãe das duas meninas acima mencionadas; a filha de Liebler; a filha de Goebel, a menina mais bonita de Würtzburg; um estudante que sabia muitas línguas; dois meninos do Minster, cada um com doze anos; a filhinha de Stepper; a mulher que guardava o portão da ponte; uma velha; o filhinho do intendente do conselho da cidade; a mulher de Knertz, o açougueiro; a filhinha de colo do dr. Schultz; uma menina cega…”

E assim por diante. Alguns recebiam atenção humanitária especial: “A filhinha de Valkenberger foi executada e queimada privadamente”.

Houve 28 imolações públicas, cada uma com quatro a seis vítimas em média, nessa pequena cidade num único ano. Isso era um microcosmo do que estava acontecendo por toda a Europa. Ninguém sabe quantos foram mortos ao todo – talvez centenas de milhares, talvez milhões. Os responsáveis pela acusação, tortura, julgamento, morte na fogueira […] não podiam estar errados.”

 

(Extraído de Carl Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios”)

 

Seria muito pedir ao papa que, como parte da agenda de suas viagens, pedisse desculpas em público pela tradição de arrogância do cristianismo? Ou ninguém nunca tem nada com isso, porque já passou?

 

 

Postado por Perce Polegatto


Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.

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Autor(es):

Perce Polegatto

Nascido em Ribeirão Preto, SP. Publicou seu primeiro livro em 1985, “A canção de pedra”, que traz alguns de seus primeiros trabalhos, ainda sob forte influência do romantismo tardio de autores alemães e franceses. A metalinguagem, a busca da identidade humana e o questionamento existencial são algumas das principais marcas de seus textos. É autor de “A conspiração dos felizes”, “A seta de Verena”, “Lisette Maris em seu endereço de inverno” e “Os últimos dias de agosto”, romance recentemente reeditado pela All Print Editora, São Paulo.

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