A humanidade será extinta por uma pandemia?

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Micrografia eletrônica de varredura do vírus de ébola (em vermelho) sobre a superfície de uma célula de cultivo. Crédito: NIAID.

Micrografia eletrônica de varredura do vírus de ébola (em vermelho) sobre a superfície de uma célula de cultivo. Crédito: NIAID.

Uma pandemia é uma epidemia de doença infecciosa, normalmente grave e até letal, que se espalha numa população, seja localizada em uma grande região geográfica (como um continente), seja no planeta como um todo. Entre os exemplos mais recentes temos o Ebola (gerado pelo ebolavírus), na África, e a gripe suína” (Gripe A, gerada pelo vírus Influenza A H1N1), que começou no México (Março de 2009) e, depois, se espalhou pelo mundo. Outra possível (e futura) pandemia é a gripe aviária” (gerada pelo vírus Influenza H5N1), que foi inicialmente identificada em 1900 na Itália e se espalhou pelo mundo. Hoje ocorre mais na Ásia. Contudo, essa gripe ainda não foi passada de humano para humano, apenas de aves para humanos.

Cenários de pandemias, portanto, são bastante comuns. Elas, de fato, são plausíveis e realmente acontecem, como visto acima. E teóricos da conspiração (vide o canal History – que, acreditem, já foi infinitamente melhor) vivem especulando se a espécie humana poderia ser extinta por uma dessas pandemias – ou até por outra, causada por um “vírus ou bactéria extraterrestre”.

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Veja, a existência de vírus e bactérias extraterrestres, apesar de não ser o foco aqui, são plausíveis. A possibilidade de chegarem aqui até existe também, apesar de ser algo extremamente difícil de ocorrer. Astronomicamente difícil, eu diria. Algo assim, tenha origem que tiver – terrestre ou não – , realmente tem o potencial para causar muito estrago, mas… Seria capaz de exterminar a espécie humana?

A resposta simples, curta e direta é não. A vida é frágil, verdade, mas nem tão frágil assim. Qualquer pandemia, por mais grave e letal que seja, não tem a capacidade de exterminar uma espécie por completo. E o motivo é simples: muitos, sem dúvida alguma, seriam naturalmente imunes à doença. Até mesmo à AIDS existem pessoas imunes, como pode ser visto aqui: Estudo: imunes à Aids têm “células assassinas” mais fortes.

Isso acontece devido à variação genética de qualquer dada população de seres vivos de uma espécie específica. Quanto maior essa população, por óbvio, maior será essa variedade. Imagine então em nosso caso, seres humanos, que somos mais de 7 bilhões de indivíduos. Isso garante que certas mutações aconteçam e, caso não sejam prejudiciais à saúde do indivíduo, se propague por seus descendentes. São justamente essas mutações que garantem a imunidade a certos tipos de doenças.

É assim com qualquer doença, mesmo que provocada por vírus ou bactérias “aliens”. É, aliás, como a evolução funciona: alguma mudança no ambiente (incluindo o surgimento de novas doenças) faz com que os não aptos à nova realidade morram, enquanto os aptos sobrevivem e deixam descendentes.

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No caso do HIV, por exemplo, a imunidade (mesmo que parcial) se deve a uma mutação genética, que faz com que o indivíduo não produza uma proteína chamada CCR5. Essa proteína é utilizada pelo HIV para penetrar a membrana celular das células-alvo, para, então, infectá-las. (Essa imunidade é parcial porque existem subtipos de HIV que usam outras proteínas para isso, como o CXCR4, por exemplo.)

Um ótimo exemplo, de demonstra bem que espécie alguma poderia ser extinta por uma pandemia, é o caso do HIV felino (o FIV). Embora ainda possa ser grave para gatos domésticos, gerando inclusive uma “AIDS felina” (FAIDS), ele não gera maiores problemas para grandes felinos, como leões africanos. O motivo é simples: o FIV atacou os leões, aqueles que eram suscetíveis à doença foram infectados e morreram, não deixando descendentes, enquanto aqueles que tinham algum nível de imunidade (que convivessem com o vírus sem ficar doentes, por exemplo) sobreviveram e deixaram descendentes, que são os ancestrais da população atual de leões.

Assim, “uma” pandemia não seria capaz de nos exterminar. Com diz o ditado, “vaso ruim não quebra”. Seriam necessárias diversas pandemias ocorrendo ao mesmo tempo, isso é, diversas doenças ao mesmo tempo. Quantas é algo difícil de dizer, talvez 3, 4, 5… O que seria difícil de ocorrer. Já é difícil uma epidemia global, algo assim raramente acontece, imagine tantas e ao mesmo tempo. Eu diria mais fácil acontecer algo como há 65 milhões de anos atrás: vir um asteróide gigantesco e BOOM, já era.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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