A perseguição ao humor

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Temos visto nos últimos tempos uma verdadeira perseguição ao humor. Isto não acontece só na “vida real”, ed como no exemplo de Rafinha Bastos, approved mas também na “vida virtual”. Basicamente há pessoas vendo racismo, machismo, sexismo, etc, em tudo. Nenhuma piada está a salvo hoje em dia e o tipo de ação que tem sido tomada é o pior possível: a censura. No Facebook, por exemplo, denunciam imagens e até mesmo páginas, fazendo com que as mesmas sejam excluídas e tenham de ser recriadas do zero.

Mas isto tudo é sintomático, pois apenas demonstra que as pessoas não fazem ideia do que é e de como funciona o humor… O que é, obviamente, complicado devido à educação deficitária que temos hoje no país e que forma, mais e mais, pessoas sem a menor capacidade de fazer interpretação de textos (quanto mais interpretação de textos não verbais, que são basicamente imagens, pinturas, etc).

O humor tem sempre o objetivo de criticar alguém, alguma coisa, alguma ideologia, ou o que for. E, para isto, ele se utiliza todo e qualquer conteúdo para atingir este objetivo. Por isto mesmo não há como se fazer humor “politicamente correto”, afinal não há espaço para críticas dentro deste “conjunto de ideias”, digamos assim. Da Wikipedia:

politicamente correto (ou correção política) se refere a uma suposta política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racista ousexista.

O humor pode ser classificado, basicamente, em:

  • O humor conservador: aquele que tem o objetivo de criticar o “novo” ou o “diferente”, com a intenção de conservar o status quo.
  • O humor transgressor: aquele que tem o objetivo de criticar o velho e arcaico.

Por óbvio, o fato de um ser “conservador” e o outro “transgressor” não torna um bom e o outro mal. Tudo dependerá do caso específico, pois, por exemplo, uma tira com humor transgressor poderia criticar a ciência, enquanto que uma tira de humor conservador pode defendê-la. Tudo depende de como se analisa a tira em si.

O humor, isto é, a graça da coisa, está sempre na quebra da expectativa. Quer dizer, a piada costuma ter uma estrutura interna de modo que, conforme ela é contada, o ouvinte espere um resultado para, no fim, o resultado ser completamente diferente do esperado. E aí entram ferramentas linguísticas como a ironia, a ambiguidade, entre outras.

No caso da tirinha acima, a quebra de expectativa está na palavra “urnas”. Afinal, para evitar alagamentos, deve se evitar de jogar lixo nas ruas, não nas urnas. Ainda assim a crítica, se bem interpretada, faz sentido: jogar lixo nas urnas, neste contexto, não é nada além de votar em alguém que pouco liga para a população e, portanto, não faz qualquer esforço para cuidar que alagamentos não aconteçam.

Achar engraçado ou não, se ofender ou não, já é algo totalmente subjetivo. Quer dizer, uma piada de ateu pode me fazer rir, enquanto ofende outro ateu. Isto é perfeitamente normal. Mas piadas não podem ofender pessoas: no melhor dos casos é a própria pessoa quem se ofende. Se ofender = a pessoa interpreta aquilo como ofensivo a ela quando, na realidade, pode não ser.

Piadas dificilmente são direcionadas a uma pessoa em específico. No máximo, a ideias de uma pessoa, como é o caso de imagens que mostrem Malafaia como homossexual. Ainda assim, tais imagens podem ser encaradas como ofensivas por ele, isto é, ao vê-las ele pode se ofender.

O fato é que ninguém tem o direito de não se ofender. Afinal, qualquer coisa pode nos ofender, inclusive sem que haja a intenção do outro. E é por isso mesmo que a liberdade de expressão é algo garantido por nossa constituição, enquanto que um pretenso “direito de não se ofender” não o é.

O máximo que pode acontecer é que a fala de alguém recaia nos crimes de discurso: calúnia, injúria e/ou difamação. Mas isto só será reconhecido por uma corte de justiça caso piada faça referência explícita ao ofendido. Isto é, caso a piada seja direcionada a aquela pessoa em específico. Caso contrário, juiz algum condenará quem proferiu a fala.

Mas tudo bem, certas pessoas não têm capacidade mental suficiente para compreender isto tudo, quem dirá para respeitar a liberdade de expressão dos outros. Então que tal fazermos uma pequena lista de tudo sobre o que não se pode fazer piadas devido ao risco de ofender alguém? Vamos a ela:

  • Cor da pele/etnia
  • Formato dos olhos
  • Cores de cabelo (adeus, loiras burras)
  • Estatura (anões, nem pensar)
  • Profissões
  • Violência
  • Naturalidade/nacionalidade (esqueçam as piadas sobre portugueses)
  • Comportamentos
  • Sexo (piadas envolvendo a gravidez ou a castração? Esqueçam)
  • Sexualidade (nem mesmo no que se refere ao Malafaia)
  • Capacidade na direção (mulheres na direção? Esqueçam)

Enfim, como disse meu amigo Anderson Abreu, ficaríamos apenas com as piadas de tomates. Opa, nem piadas de tomates… Como disse minha amiga Poliana Sachertt (ambos no mesmo debate), os tomates são atropelados, o que é uma violência. Não pode. Isto sem falar que os vegetarianos poderiam achar ruim, complica.

Quer dizer, se fizéssemos isto, ficaríamos no fim com que tipo de humor? Sobre que assunto? Nenhum. Afinal, seja o que for, o tema poderá sempre ofender alguém. Assim, o humor seria riscado do mapa e centenas, talvez milhares, de humoristas perderiam seus empregos. Legal, né?

Enfim, espero ter conseguido explicar bem, além de demonstrar a imbecilidade da perseguição ao humor. Ainda assim, não estou tentando, com este texto, “censurar” aqueles que perseguem o humor: estou apenas dando meus dois centavos de argumentos. Afinal, isto eu ainda posso fazer. Acho.


Agradecimentos especiais a Anderson Abreu e Poliana Sachertt, que deram ideias importantes para o texto.

A perseguição ao humor, 6.2 out of 10 based on 13 ratings

Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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17 Comments

  1. Tem aquela dos dois pães de queijo que estavam brincando de esconde-esconde na cozinha.
    Um foi se esconder no forno. Quando o outro o encontrou, ele disse: “Assô!”

    Pode piada de pão de queijo?

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    • HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHA
      HAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHA
      HAHAHAHAHAHHAHAHA

      Sei lá! Vai saber, com o tanto de gente louca que tem por aí… 😀

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    • os mineiros podem não gostar… hahahahahahahhahahaha

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  2. Sem falar que, a piada -quando bem entendida como tal- é o melhor meio de socialização, levadas na brincadeira. Tais como um amigo chegar ao outro e dizer:
    -E aí seu viado/corno/baitola/feio/idiota como anda a vida?

    Já com mulheres os casos são mais isolados, pois estas não tem esse costume, mas…
    Quem não conhece uma mulher que nunca fez uma piada de um pinto pequeno do cara que ela deu? Qual mulher nunca fez piada de homem?

    E é por aí…

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  3. COncordo plenamente com o que foi dito. O humor está morrendo. Curiosamente, isso parece estar acontecendo por um excesso de relativismo. Eu imaginei que seria o contrário. Sendo relativista, uma pessoa tenderia a ver tal piada como direcionada não a ele ou a outro grupo social, relativizando a coisa e tal. Por exemplo, faço uma piada sobre loira e o cara fala: Ah, tranquilo, é só uma piada, nã precisamos ser tão conservadores, o piadista não está necessariamente defamando as loiras, está só brincando.

    Mas não, o que acontece é o contrário. Parece que o relativismo pós-modernista autoriza tanto o comportamento acima quanto o supremo conservadorismo: “Nãaaaooo, não pode fazer piada sobre nada nem ninguém pois alguém vai se ofendeeeer”. O engraçado também é que daí surge a típica visão de denuncia que o defensor do politicamente correto utiliza esse argumento somente a favor das minorias sociais mais populares, na maioria das vezes. Ou seja, esclhe-se sobre quem não se pode fazer piada, mas, ao mesmo tempo, se acham no direito de ofender quem faz a piada.

    Caraca, isso ficou confuso. rs Mas não daria pra falar de outra forma. Esses caras são confusos.

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  4. Não creio que o humor esteja sendo perseguido, apenas acho que mesmo que a passos lentos a mentalidade da população brasileira vem se desenvolvendo. Parece-me que hoje estamos nos tornando mais livres, mais pensantes, menos preconceituosos, claro que ainda existe muito preconceito,mas que ele diminuiu é fato que pode-se observar facilmente. Discordo no que diz o texto a respeito da pessoa se ofender, creio que a piadaé que seja ofensiva e não a interpretação da pessoa em si que a veja de tal forma, é como a famosa indireta que não diz necessariamente aquilo que se quer falar, mas o interlocutor a percebe devido as condições de relações que mantém com quem a mandou, logo creio que não é a pessoa que se ofende, mas sim é ofendida pela piada. Tudo que tem potencial ofensivo tem que ser revisto, deve-se tomar cuidado com piadas, em um determinado contexto certas piadas são aceitáveis, são até geniais, porém fora desse contexto sua interpretação é diferente fazendo com que ela se torne ofensiva, mesmo que esse não fosse o objetivo a princípio. No caso de uma piada direcionada a uma pessoa especifícamente,não se tem o que comentar essa pessoa pode denunciar. Por isso eu sugiro que determinadas piadas fiquem no contexto pessoal, ou seja, fique entre amigos. Ao divulga-las na internet ou qualquer outro meio de comunicação a pessoa está ciente de que tipo de interpretações ela pode gerar sendo portanto a responsável por qualquer dano a um grupo social que se sinta descriminado pela piada. Querendo ou não fazer piadas com negros é uma forma de inferiorizá-los, aliás as piadas, não só elas, mas aquilo que provoca riso é um dos mais cruéis meios de excluir alguém da sociedade ou inferiorizar esse alguém. Um negro,ao ver uma piada que inferiorize essa etnia poderia se sentir inferiorizado,já que se identifica pela etnia ali representada. Não confunda a liberdade de expressão com liberdade para descriminação, se for levar liberdade de expressão ao pé da letra deveríamos dar voz aos neo-nazistas e deixar com que façam seu discurso de ódio e preconceito, no entando o nazismo é proibido, justamente por pregar ideias preconceituosas. Já que o preconceito não pode ser pregado abertamente, restou a ele apenas sua forma cômica através das piadas.

    Agora uma crítica direcionada ao autor do texto: Obviamente não esperava por um texto escrito se baseando em dados comprovados cientificamente, isso daria um estudo longo e não é o caso aqui e nem o seria, entretanto sugiro ao autor que evite de justificar a não aceitação de um conteúdo possivelmente agressivo pela capacidade mental insuficiente dos interlocutores. Seu texto mesmo é parcial e preconceituoso ao julgar mentalmente incapaz aqueles que não tem a mesma opinião que você a respeito do tema. Por essa visão eu mesmo seja, então, um pessoa sem capacidade mental suficiente para entender seu texto. Ao mesmo tempo, me parece mais provável que seja o contrário que se passa por aqui, uma vez que podemos considerar um “atraso” na mentalidade que pessoas sejam preconceituosas e foi exatamente isso que foi ao pré-julgar a incapacidade mental daqueles que “não entendem” uma piada e por consequência “se ofendem”.

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    • Bem, meu caro Rafael… De duas a uma: ou você sequer leu o meu texto, ou está incluído naquele rol de mentalmente incapacitados que citei no texto. 🙂

      Mas, caso seja o segundo caso, não se preocupe: este “mentalmente incapaz” é plenamente corrigível. Basta, para isto, estudar. 🙂

      Sobre eu não ter apresentado estudos científicos, é bem simples:
      1 – Este NÃO É uma área de estudos científicos. É uma área de estudos da línguistica. Assim, até podem haver artigos científicos publicados a respeito, maa será de alunos/professores da área de letras. (E foi justamente de um deles que tive uma aula sobre o tema.)
      2 – O único estudo científico que conheço sobre isto tem um tema lateral: fala de como as pessoas interpretam as piadas, principalmente se elas seofendem ou não. Ainda assim, apesar do que o estudo afirma em sua conclusão, ele é totalmente INCONCLUSIVO. Os dados que ele apresenta NÃO permite que se conclua qualquer coisa. Isto sem falar que é um estudo totalmente parcial, o que fica bem claro quando eles se surpreendem quando encontram um resultado que não favorece a conclusão que eles querem.

      Mas, enfim, isto ficará para outro texto. O que coloco aqui tem base apenas linguístico, como já disse, e filosófico (quando afirmo que não existe “direito de não se ofender”).

      Abraços! 😉

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      • Pois bem, hora da tréplica:
        Primeiramente gostaria de elucidar que o senhor não negou nenhum dos meus argumentos. Depois não interessa o fato de ser uma visão científica ou não (e não é), de um blog com esse nome eu esperava reflexões de um autor a cerca do tema,podendo concordar com elas ou não e nem vou entrar na questão de que a área da linguística pode sim ser científica, conheço amigos de um curso chamado Letras e eles estudam linguística e é algo científico.

        Sua única argumentação contra as críticas que fiz a sua visão expostas no texto foi me ofender,típico de um preconceituoso que suponho, e acho que estou certo, que seja. Você apenas desmereceu o que eu disse afirmando que eu sou um dos “mentalmente incapacitados”. Típico do demagogo, do sofista,do alienado, desmerecer o outro para que o que ele diga perca o valor, utilizando para isso também um alto tom de ironia (algo comum, no seu caso representado através dos emoticons).

        O seu maior erro não está em ter tais opiniões a respeito do humor,mas sim na intolerância para com opiniões divergentes. Você se acha o dono da razão e sendo assim só “mentalmente incapacitado” para não achar o mesmo.

        Toda a crítica que lhe fiz foram baseadas no conhecimento que adquiri a respeito da sociedade através de todo o estudo que tive até hoje, o qual continuarei dando procedimento. Sugiro que o senhor passe a estudar também,que pelo menos aprenda a aceitar que existam ideias discordantes.

        Apenas uma pergunta (não precisa responder):
        Onde é que está a filosofia desse seu texto ?
        O mais perto disso que vejo é a representação de um senso-comum…

        Sugestão:
        Mude o nome de “Livres Pensadores”. Porque embora me pareça a primeira vista “livre” lhe falta ser pensador. Seu “pensamento” não chega ao nível de um “filósofo de boteco”, no entanto se julga superior a mim ao me dizer como “mentalmente incapacitado”. Antes de fazer um texto faça pesquisas, e ao publicar um texto saiba que estará sujeito a críticas e sua posição deve ser defendida racionalmente e não inferiorizando os críticos.

        Eu não poderia ter esperado réplica diferente de alguém que em seu texto julga aqueles que se sentem ofendidos como “mentalmente incapacitados”.Pare e penso um pouco, leia novamente tudo isso. Acha mesmo racionalmente certo o que disse ? Você comete o erro de ver sua visão particular das coisas ou de seu grupo e expandir a toda sociedade. As coisas não são tão simples assim.

        Enfim, já vi o suficiente para perceber que com você não haverá diálogo, afinal de contas você está certo e todos os que tem uma posição diferente são “mentalmente incapacitados”. Afinal de contas no que se baseia para afirmar que tais pessoas são mentalmente incapacitadas ? Você não tem fatos,você não tem argumentos. Você tem um preconceito e uma arrogância de aparecer desmerecendo os outros. Dessa forma não há debate,porque se eu insistir em estabelecer um é provável que continue reafirmando seus preconceitos e fugindo dos questionamentos.

        Portanto utilizarei meu tempo de forma útil, me dedicando aos livros os quais preciso ler e debatendo com pessoas que saibam argumentar e não apenas ofender.

        Ou seja, se quiser falar qualquer coisa agora para agradar seu ego de que “venceu” uma debate, sinta-se a vontade. Não mais responderei,independente do que escrever.

        Até mais

        PS. Repare no quanto usei o termo “mentalmente incapacitados” no que escrevi. isso foi feito com o objetivo de que lendo isso perceba qual foi sua “explicação” para tudo. Você sabe que está certo na medida em que afirma minha suposta incapacidade mental. No entanto você nem sequer definiu o que é essa incapacidade ou apresentou provas de que as ditas pessoas “mentalmente incapacitadas” realmente o são.

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        • É… Só mais mimimi [ad infinitum]… 🙂

          Quem realmente apresentou argumentos, fiz questão de responder. Infelizmente, não é seu caso. Parece-me que sequer o que é argumentar você parece saber. 🙂

          Sobre a questão de linguística ser ciência ou não, sobre curso de Letras ser científico ou não… Pergunte ao seu amigo. 🙂

          Pergunte também a este seu amigo sobre o humor e se o que eu falei aqui está correto ou errado. Aí, depois, podemos conversar de novo. 😉

          Abraços!

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  5. eu sou vegetariano e adoro piada de tomate.tem aquela:Um tomate mudo estava andando na rua, e viu uma plaquinha escrita: Escolinha para mudos.
    Aí ele entrou e gesticulou que queria fazer a inscrição. A mulher respondeu:
    – Espere aí que eu já volto.
    Ela voltou com um machado na mão, e ameaçou bater no tomate. Ele gritou:
    – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Ela respondeu:
    – Amanhã você volta pra aprender o “B”! como diria Millôr Fernandes:Eu não quero viver num mundo em que não se
    possa fazer uma piada de mau gosto.

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  6. “Este NÃO É uma área de estudos científicos. É uma área de estudos da línguistica.” Como assim? A linguística, por definição, é o estudo científico da linguagem.
    Outro ponto:”Se ofender = a pessoa interpreta aquilo como ofensivo a ela quando, na realidade, pode não ser.” Mas, a piada ou peça humorística pode ser realmente ofensiva. Assim como no bulling o ofendido com piadas, apelidos e deboches é vítima de tortura psicológica. A vítima não está só achando que é ofendida, ela é ofendida – é vítima de violência verbal.
    “O máximo que pode acontecer é que a fala de alguém recaia nos crimes de discurso: calúnia, injúria e/ou difamação. Mas isto só será reconhecido por uma corte de justiça caso piada faça referência explícita ao ofendido.” Você diz isso, no país da impunidade, onde vítimas de crimes muito mais graves se calam por não crerem que a justiça seja feita.Parece até um convide à ofensa.
    Em todas as áreas existem os bons, os maus e um número grande de medíocres exercendo a profissão. Por que seria diferente entre os artistas e em especial os humoristas? Está aí uma outra classificação básica: a qualidade do profissional do humor. A qualidade é independente do estilo ou se é o humor instituinte ou instituído. Além disso, mesmo o ótimo profissional tem seus dias ruins.
    Mário,considero importante a liberdade de expressão, mas também sei que uma regra básica é saber conviver e isto implica, no mínimo, em não agredir na expectativa de também não ser agredido. Dizer que o público é burro e iletrado, pois não gosta e se sente ofendido porque não entende, é muito simples. Piadas ruins e realmente ofensivas não são novidade, mas parece que há uma estratégia nova: o palhaço trabalha mal, o público não gosta, vaia e ele se ofende – é a vitimização do palhaço sem graça. “Enfim, espero ter conseguido explicar bem, além de demonstrar a imbecilidade da perseguição ao humor.” Mário, você não conseguiu, mas ficou engraçado. Também tenho duas hipóteses: a primeira é que você não tinha muita noção do assunto quando escreveu o artigo; a segunda é que você estava num dia ruim; e a terceira uma combinação das duas anteriores. Desculpe, foram três, mas procure não se ofender.

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    • Linguística não é exatamente uma ciência, exatamente por ser uma área que permite interpretações. Isto é, ela é subjetiva, enquanto a ciência tenta ser mais objetiva (tenta ser mais geral).

      Outra coisa é que aqui estamos falando de HUMOR, não de bullying. Bullying não é um tipo de brincadeira, é um tipo de agressão mesmo. É direcionado. O que não acontece com tirinhas de humor publicadas em jornais e/ou no Facebook. Percebe a diferença?

      Sobre o bullying em si eu escrevi um outro texto. Basta você procurar aqui no Livres Pensadores mesmo e o encontrará. Ah, e detalhe: encarei bullying por toda a minha viida, então sei bem a diferença.

      “Mas, a piada ou peça humorística pode ser realmente ofensiva.”

      Aí eu vou ter de pedir para você provar isto…

      A questão da justiça, meu caro, é devida à preguiça do próprio povo. Primeiro, o povo tem de denunciar TUDO. Segundo, tem de EXIGIR, até em protestos se necessário for, que a justiça seja feita e com celeridade.

      Num país (mesmo que com regime ditatorial, como vimos no Egito e outros, quem dirá numa democracia) o poder está SEMPRE na mão do povo. Mas nosso povo prefere ficar em casa assistindo novela a tirar a bunda do sofá e ir exigir seus direitos… Enfim.

      “Mário,considero importante a liberdade de expressão, mas também sei que uma regra básica é saber conviver e isto implica, no mínimo, em não agredir na expectativa de também não ser agredido.”

      Então você não sabe o que é liberdade de expressão e porque tanto humoristas, quanto jornalistas e outros que trabalham com isto devem ser deixados em paz. Ter liberdade de expressão significa que você está LIVRE para dizer o que bem entender, inclusive aquilo que as demais pessoas não vão gostar.

      “Eu não concordo com uma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las.”
      – Evelyn Beatrice Hall (normalmente má atribuída a Voltaire)

      “Dizer que o público é burro e iletrado, pois não gosta e se sente ofendido porque não entende, é muito simples.”

      Pode até ser simples, mas é a realidade. Basta pesquisar sobre o que tem ocorrido com nossa educação nas últimas décadas.

      “Piadas ruins e realmente ofensivas não são novidade, mas parece que há uma estratégia nova: o palhaço trabalha mal, o público não gosta, vaia e ele se ofende – é a vitimização do palhaço sem graça.”

      Então, cara… Aí você está confundindo um pouco. Caso a piada seja sem graça, é direito do público de não rir dela e até de vaiar. Só não é direito do público querer censurar o palhaço. E esta tentativa de censura é a vitimização não do palhaço, mas dos ofendidinhos.

      “Também tenho duas hipóteses: a primeira é que você não tinha muita noção do assunto quando escreveu o artigo; a segunda é que você estava num dia ruim; e a terceira uma combinação das duas anteriores. Desculpe, foram três, mas procure não se ofender.”

      De forma alguma, não me ofendo. Ao contrário, rio. 😀

      Sempre que alguém tenta desqualificar o que outros dizem, apelam para ad hominem mesmo. 😉

      Abraços!

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      • Humor é uma coisa; bullying e assédio moral são coisas completamente diferentes. O povo politicamente correto nunca entenderá isso. Se o bullying provoca risos em uns não é porque é engraçado, e sim porque está sendo prazeroso para quem está praticando ou assistindo.

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      • Ops, respondi para pessoa errada. 😛

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      • Mário, que Mário? Aquele que não sabe o que é linguística atrás do armário?
        “Sempre que alguém tenta desqualificar o que outros dizem, apelam para ad hominem mesmo.” Tá vendo, eu fiz uma piada e você disse que eu apelei para uma falácia. Será que o que você escreveu para o Rafael foi uma projeção: ou “você sequer leu o meu texto, ou está incluído naquele rol de mentalmente incapacitados que citei no texto.” Cara, mentalmente incapacitado, porque a pessoa não concordou? Quem desqualificou aqui? Longe de mim dizer que você é um pouquinho arrogante, Sr. Mário! A tal liberdade tem limites, o pessoal da imprensa não pode falar qualquer coisa sobre qualquer pessoa. Lembra da Escola Base? Você mesmo já citou os casos de crimes. No caso da Escola Base o prejuízo foi irreparável! Além disso, as pessoas têm o direito a privacidade. Isso é outro assunto, com o Berlusconi e a família Real Britânica. Digo, no entanto, que uma imprensa livre é essencial para a democracia – mas, como se trata de um poder (“o quarto poder”), sem limites torna-se um monstro. Bem, a liberdade do humor também tem limites. Penso que é você que está confuso sobre liberdade.
        Já que parece ser seu foco principal a liberdade e que, para você, os brasileiros, ou a maioria de nós somos bocós preguiçosos e mentalmente incapacitados, não vou citar a CF. Vejamos o que a Declaração Universal dos Direitos do Homem, da ONU, diz no seu Art XXIV ” … 2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.”
        Bem, parece que existem outras pessoas no mundo além de profissionais de imprensa e humoristas. Isto posto, os direitos de todos e não apenas o de alguns que podem ser bons ou maus profissionais e ter boas ou más intensões, devem ser respeitados. Vale destacar os termos: limitações – moral – ordem pública e bem-estar de uma sociedade democrática. Que saco, hem?!
        Já ia esquecendo. Piada sem graça pode ser aquela cujo tema seja inoportuno, mal empregado, preconceituoso e por aí vai… É por isso que o cara tem que ser bom pra fazer rir. Humorismo é uma arte, não uma ideologia. A ofensa não tem graça, só isso.

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  7. Não vejo o humor, no caso geral, como fundamentalmente baseado na crítica, como sugere a seguinte passagem: “O humor tem sempre o objetivo de criticar alguém, alguma coisa, alguma ideologia, ou o que for”. Sob o meu ponto de vista, este é apenas um tipo de humor. Não é preciso ir muito longe para encontrar um exemplo de piada que não é exatamente crítica (as dos tomates, pontinhos coloridos, etc). Mais adiante tem uma passagem que captura um pouco a minha noção geral de um critério necessário para o humor, que é a quebra da expectativa. Mas este, por si só, não me parece um critério suficiente para o humor. Quer dizer, é preciso ter quebra de expectativa, mas não só, do contrário ser assaltado no supermercado seria considerado humor. Mas enfim, gostaria de procurar uma definição mais precisa de humor, mas não tenho tempo.

    Sobre o restante do texto, acho que ele não aprofunda o suficiente a questão. Parece que ele parte de uma concepção um pouco ingênua do cenário todo. Mas não vou ter tempo de comentar tudo que acho sobre o texto. Em vez de falar do texto, vou tentar colocar a minha posição sobre o tema.

    De modo geral, acho tanto a censura quanto o abuso de liberdade, extremos nocivos. Tanto a onda do politicamente correto como a onda do politicamente incorreto me irritam, praticamente em igual intensidade (a censura me irrita um pouco mais, mas enfim).

    Sobre o abuso de liberdade, pergunto: para que fazer uma piada e divulgá-la nas redes sociais, sabendo a priori que milhares de pessoas se sentirão ofendidas? Qual o sentido disso? Que prazer há nisso?

    O direito de ir e vir é assegurado ao cidadão, mas isso não significa que o sujeito possa esbarrar em mim de propósito, para manter seu curso enquanto caminha, assegurando o seu direito. Não significa que o sujeito posso furar filas para entrar nos lugares cuja entrada é organizada por filas, simplesmente porque ele tem esta liberdade assegurada. Há as liberdades asseguradas, por outro lado há os costumes, e os acordos que tentam organizar tudo aquilo que foge ao escopo da lei.

    O fato da constituição não proibir, ou garantir, não significa que eu estou justificado em meus atos de abuso das liberdades. Isso pode gerar entrechoques desnecessários entre as pessoas. E é justamente nesse aspecto que a coisa fica complicada.

    O ideal é o bom senso…Saber usufruir das liberdades garantidas, sem abusar das mesmas, me parece totalmente relacionado a este tipo de sabedoria.

    É óbvio que não estou dizendo que devemos nos pautar unicamente pelos costumes, sempre. Isso pode levar a um tipo de convergência prematura, estagnação. O questionamento dos costumes é evidentemente importante. Diversas mudanças sociais que consideramos positivas atualmente envolveram questionamentos dos costumes. E sabemos que o humor tem um papel importante nesse processo. Como ficou famosa por Molière, diz a frase “Ridendo castigat mores” (Rindo, castiga-se os costumes).

    Enfim…Defendo uma dose de reflexão no humor. Mas tem me irritado o sujeito que parece estar só tentando causar por causar. Aquele cara que era do CQC é um exemplo disso. Fico com uma sensação de vergonha alheia na maior parte das tentativas de humor dele.

    Resumindo…De modo geral, o ideal é a possibilidade de qualquer um dizer qualquer coisa e fazer a piada que quiser sobre o tema que quiser. Eu defendo o direito daquele tal Rafinha Bastos continuar fazendo as tentativas frustradas de humor dele, por exemplo. Do mesmo modo que defendo o direito de fundamentalistas religiosos expressarem sua opinião sobre diversos assuntos, apesar de eu discordar abissalmente delas. No entanto, considerando este o direito geral, me reservo o direito de apontar o que considero humor de péssima qualidade, no caso de certos humoristas. E defendo uma certa dose de usao da razão antes de emitir qualquer opinião.

    Tem uma frase que eu costumo dizer (eu deixo citar, hehe) que é a seguinte: Gosto de gente que diz o que pensa, mas gosto ainda mais de pessoas que pensam no que dizem.

    Agora, pra finalizar: Quem combate certos tipos de humor, pela emissão da opinião, não está apenas usando este direito que tu mesmo defendes no texto?

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  8. Mário, você tem algumas visões que não entendi muito bem…

    “Linguística não é exatamente uma ciência, exatamente por ser uma área que permite interpretações. Isto é, ela é subjetiva, enquanto a ciência tenta ser mais objetiva (tenta ser mais geral).”-Mário

    Como assim? Não é o que eu acho da linguística. Parece que você está confundindo linguística com literatura. Linguística estuda cientificamente a linguagem. Conhece os trabalhos de Noam Chomsky? Mas enfim, eu não conheço tanto a linguística pra falar com autoridade sobre ela, mas não a vejo como tu a caracterizaste.

    “Outra coisa é que aqui estamos falando de HUMOR, não de bullying. Bullying não é um tipo de brincadeira, é um tipo de agressão mesmo. É direcionado. O que não acontece com tirinhas de humor publicadas em jornais e/ou no Facebook. Percebe a diferença?”-Mário

    Ora, Mário…Mas é justamente esta diferença que é difícil determinar objetivamente. Tanto é que o agressor, quando é flagrado em bullying, costuma defender-se: “Mas era só uma brincadeira”. Achar que esta divisão é óbvia me parece ser uma diminuição do problema.

    Sobre a carência de estudos científicos, aqui tem um bem recente sobre os efeitos do humor sexista:
    http://psp.sagepub.com/content/34/2/159.short
    (e não é da área da linguística, hehe)

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