A realidade e as crenças

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As pessoas acreditam em todo tipo de coisa. Deuses, viagra buy fantasmas, hospital duendes, fadas, visitação extraterrestre… Muitos parecem mesmo viver divididos entre uma “realidade fantástica” e a nossa. Mas, claro, isto não acontece. A verdade é que tais pessoas formam uma “bolha protetora”, formada puramente de fantasias. Mas por que isso acontece?

A realidade, se bem analisada, é bastante simples. Não falo de toda a física, quântica ou clássica, da química e tudo mais, mas de como o “mundo humano”, digamos assim, funciona. Falo daquilo de que somos capazes ou não; daquilo que controlamos ou não; e, principalmente, das interações humanas com os demais humanos (isto é, de como nos comportamos nas diversas situações que encontramos) e com o meio-ambiente.

Em situações de perigo, o que fala mais alto é nosso instinto de autopreservação e de preservação da espécie. Por isso fugimos, tentamos nos esconder/proteger, ou mesmo tentamos salvar outros, cometendo atos que são normalmente considerados heroicos, quando face a face com o perigo. Algo parecido ocorre em situações de desastres, nas quais a fome e o desespero dominam, como quando o Furacão Katrina atingiu New Orleans. Em casos assim, toda a nossa civilidade e racionalidade fica de lado e tudo o que resta é nossa luta pela vida e por alimento.

Bairro residencial fica completamente inundado após a passagem do furacão Katrina na cidade de Nova Orleans (EUA) - 10/09/2005 - Fonte: David J. Phillip/AP

Bairro residencial fica completamente inundado após a passagem do furacão Katrina na cidade de Nova Orleans (EUA) – 10/09/2005 – Fonte: David J. Phillip/AP

É esse mesmo instinto, aliás, que nos leva à necessidade de ganhar mais e mais, para acumular bens e riqueza. Isto tudo para os “invernos mais severos”, períodos de necessidade, onde esse acúmulo garantiria nossa sobrevivência. E não somos os únicos, abelhas também produzem mel de sobra, mais do que suficiente para seu consumo e para um ou dois ataques de ursos ou outros animais. Humanos mesmo, quem sabe.

Outros instintos também cumprem um papel importante em nossa vida, mesmo no dia a dia. O instinto de procriação, o de predação (como onívoros, que somos, também somos predadores) e assim por diante.

Não estou dizendo que tudo isso seja bom, apenas que é natural. Para dizer se é bom ou mau teríamos de analisar cada ato, individualmente, utilizando da ética. Quer dizer, é natural do ser humano, assim como de todos os demais animais, agir de formas boas e más, dependendo de quem analisa. Em outras palavras, somos capazes de atos tão maravilhosos como o de criar uma obra de arte como a Mona Lisa, quanto de atos terríveis como o de jogar milhares de seres humanos em câmaras de gás para a morte. É o que somos.

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci - 1503-1506 - Atualmente no Museu do Louvre

Mona Lisa, de Leonardo da Vinci – 1503-1506 – Atualmente no Museu do Louvre

Talvez por isso mesmo, ou não, não sei, a realidade seja tão difícil. Pessoas são más umas com as outras; relacionamentos acabam muito mal; empregos e oportunidades são perdidas; entre tantos outros. Por isso tudo, acho, muitos de nós (senão todos) gostariam de poder controlar, de alguma forma, o que nos acontece.

Assim, criamos paraísos, para onde imaginamos que nossos entes queridos vão, após a morte. Criamos, também, deuses, que funcionam como “grandes pais celestiais”, nos protegendo e fazendo nossas vontades mais loucas, com “todo o seu poder”. Criamos, também, Estados para cumprir o papel desses deuses, já que eles não dão as caras. Criamos até locais terríveis, literalmente infernais, para onde mandamos os “vilões”. E chegamos até mesmo ao ponto de criar instituições religiosas, essas bem reais e tangíveis, para tentar impor regras de conduta ou comportamentos, que achamos “mais corretas”, aos demais. Isto é, criam verdadeiramente toda uma realidade fantástica, fantasiosa ou paralela, como preferir.

Um adendo: incluo aqui o conceito de Estado porque, hoje em dia, as pessoas esperam tudo dele – exatamente como esperavam de deuses num passado não tão remoto (que era mais do que hoje em dia). Ainda assim, ainda acho necessária a existência de um Estado, porém mínimo. Apenas para pensar e legislar as relações humanas, para impor a ordem, além da justiça (ou ela voltará para a mão dos cidadãos, só que na forma de vingança) e coisas assim. (Detalhe: esta é apenas a minha opinião sobre o tema e este texto não foca neste debate.)

Minha questão é: será que tudo isto é realmente necessário? Ou, melhor: será que isso tudo ainda é necessário? Será que a humanidade jamais crescerá, amadurecerá e aprenderá a encarar seus problemas de frente? Eu, sinceramente não sei. Mas, para mim, nada disso é mais necessário (e há um bom tempo).

Eu prefiro muito mais lidar com a realidade, por mais aterradora que ela possa ser em alguns momentos. Até porque, em outros, ela é extremamente prazerosa, fascinante e recompensadora.

“Para mim, é muito melhor compreender o universo como ele realmente é do que persistir no engano, por mais satisfatório e tranquilizador que possa parecer.”

— Carl Sagan

ceu noturno

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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3 Comments

  1. Adorei o texto…

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  2. concordo com a maior parte de suas afirmações, contudo o termo realidade embora constitua de fatos universais ainda é algo subjetivo, a interpretação dela depende da bagagem e do ponto de vista de cada um, seria dificil ser uninanime sua objetividade se levarmos em consideração a posição e o pensamento de cada um. parabens pelo trabalho.

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    • Rapaz, bom voltar a ler seus comentários. 🙂

      Já havia ficado preocupado. HEHEHE

      Abraços! 😉

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