Ateísmo, deus e ciência

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Ateísmo nada mais é do que a descrença em deidades, sejam elas quais forem: tidas como boas, como más, ou de qualquer religião. A questão sobre a inexistência de deidades já é uma história completamente diferente: suspeitar, ter algum nível de certeza ou mesmo crer que deidades não existam varia de ateu para ateu, assim como convicções políticas, gostos musicais, sexualidade, etc.

Mesmo a diferença entre ateísmo agnóstico e/ou gnóstico não define isso, já que como o ateu explica sua posição é muito mais decisivo do que como ele se posiciona. Eu mesmo, que me declaro como ateu gnóstico, não excluo a possibilidade da existência de “deuses naturais”, como disse num outro texto: Teísmo, agnosticismo, ateísmo agnóstico e ateísmo gnóstico.

Um ótimo exemplo disso é uma das mais famosas frases de  Friedrich Nietzsche: “Deus está morto”. A frase aparece em dois livros de Nietzsche, A Gaia Ciência e Assim Falou Zaratustra, e tem diversas interpretações.

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Para alguns, com essa frase Nietzsche quis dizer que, de fato, deus teria sido morto, seja pela humanidade, por Darwin, pela ciência, etc; para outros, o que ele quis dizer é que deus simplesmente não existe; outros, ainda acham que essa frase significa que “deus não se discute”; e assim por diante. Contudo, o que Nietzsche realmente quis dizer é que o assunto “deus” está simplesmente superado, deixou de ter qualquer relevância. Isso dada a total ausência de evidências de que deus exista, ao fato de a fé e religiões fazerem tanto mal e ao fato de tal conceito ser totalmente desnecessário às nossas vidas. É assim que acho que tal tema deveria ser encarado hoje em dia, mas infelizmente ainda estamos longe disso.

Não me entendam mal: acho, por óbvio, que cada um tenha o direito de acreditar no que bem entender. Contudo, acreditar é uma coisa, querer impor isso a toda à sociedade é outra completamente diferente – e é justamente aí que começa o problema. Você tem o direito de optar por viver da forma que bem entender. É sua vida, ninguém tem nada a ver com isso: você pode acreditar no que quiser, venerar o que quiser, ter o altar que quiser dentro de casa e frequentar o templo que bem entender.

O problema, de meu ponto de vista e, acredito, de muitos ateus, é quando isso tudo escapa o nível meramente pessoal e as pessoas começam a querer impor toda uma coleção de “regras de comportamento” a outros. Exemplos clássicos são questões do que se crer ou não, do “comportamento sexual esperado” (seja em relação à sexualidade, seja em relação ao número de parceiros(as), etc) e assim por diante. E, claro, clérigos por trás das mais variadas religiões não ajudam em nada nisso, já que, além de arrancar dinheiro dos pobres, ainda incentivam esse tipo de comportamento beligerante.

Em brigas de ateus e crentes, por outro lado, a ciência é sempre colocada no meio. Seja com tentativa de zoeira por parte de algum crente (que, invariavelmente, acaba zoando a si mesmo), seja com a tentativa de um ateu de explicar algo a um crente e, finalmente, em alguns raros debates mais esclarecidos sobre ciência e deus. Contudo, o fato é que a ciência é laica. Em outras palavras: a ciência está pouco ligando se você acredita ou deixa de acreditar em algo. A única coisa a respeito de deus que pode ser afirmado com base científica é que nem ele, nem nenhum sinal dele jamais foi encontrado.

Isso, por si só, não significa que esteja “provado” (ou evidenciado, como é o correto na ciência) que não exista deus algum. Mas, sem dúvidas, significa que caso ele exista, está pouco ligando para você ou para mim.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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3 Comments

  1. A frase de Nietzsche sempre me soou como “Deus não existe” !

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  2. Este é o segundo artigo que leio hoje (dos mais recentes do site) e, chegando ao final do texto, fico com a impressão de que deveria haver mais conteúdo…

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  3. Marx cunhou o termo ideologia, e basicamente pode nos mostrar como temos outras crenças com pouca ou nenhuma credibilidade. Acreditamos piamente que o que há em nossas carteiras tem valor; nos preocupamos com os ‘humores’do mercado financeiro; discursamos fervorosamente em favor de uma meritocracia ilusória; etc.
    Alguns filósofos designam a atual época como sendo do ‘capitalismo fundamentalista’. Chato não?!
    Sim, sou ateu, mas costumo sempre tentar me deslocar do próprio eixo e ver quais outras crenças adotei mesmo que sem querer.
    É como tomar a pilula azul ou a vermelha do Matrix…

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