Ateus, cristãos e o debate sobre deus

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Todos devem conhecer a imagem abaixo. Já rodou muito pelo Facebook, buy tendo sido publicada por diversas páginas. O motivo pelo qual ela foi criada chega a ser óbvio: esse debate já cansou. E é verdade, cure qualquer debate com caráter interminável, medications como é o caso desse, realmente cansa. Eu também já me cansei por um bom tempo e me abstive de participar nele. Depois, voltei a debatê-lo. É do ser humano se cansar e enjoar das coisas. O problema, contudo, é o que a imagem afirma: “ateus afirmam sua posição, crentes afirmam a sua e os idiotas debatem a respeito”.

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Para ficar mais claro o problema da imagem, vamos tentar trocar seu tema (já que, nesse caso, não faria sentido inverter o que afirma). Digamos a política: “direitistas afirmam sua posição, esquerdistas afirmam a sua e os idiotas debatem a respeito”. Nesse caso, acaba-se a democracia, já que ela se baseia na ideia de que pessoas pensam diferente e que é apenas através do debate que se chega ao convencimento ou, ao menos, a um meio termo.

Outro exemplo, no caso da luta pelo direito dos LGBTs: “LGBTs afirmam sua posição, homofóbicos afirmam a sua e os idiotas debatem a respeito”. Quer dizer, acaba a possibilidade de entendimento e avanço nessa questão. LGBTs continuariam sem seus direitos e os únicos satisfeitos com isso seriam os homofóbicos.

Você pode estar pensando agora que a comparação não é justa, afinal democracia, direitos LGBTs e a maioria de outros possíveis temas que poderíamos escolher importam para a vida diária das pessoas, enquanto que a existência ou não de deus não faria a menor diferença. Talvez você tenha pensado até se tratar de uma falácia: declive escorregadio, bola de neve ou derrapagem, como preferir. (Para leitura sobre essa falácia, leia em ateus.net e na Wikipédia.) Mas definitivamente não é o caso.

Não estou comparando a importância dos temas, nem dizendo que seriam possíveis consequências da imagem, mas apenas demonstrando a importância do debate. Não importa o tema do debate, ele é quase sempre importante. A excessão é quando o debate se torna inútil, devido ao comportamento de alguns debatedores, que querem apenas brigar ou ter razão.

No caso sobre o debate a respeito da existência ou inexistência de deus, sua importância é principalmente para aqueles que estão em dúvida, pouco importando se a pessoa se tornará ateu ou não. Esse debate ganha ainda mais importância porque envolve mitos que são extremamente importantes para alguns e dizem respeito com nossa própria noção de quem somos: se resultado de bilhões de anos de evolução ou se a obra de um criador, tenha ele o nome que tiver.

Além do que envolve ainda uma outra questão: direitos. Você tem todo o direito de não gostar e de não querer participar de determinado debate, mas não tem o direito de impedir outros de travá-lo. Se as pessoas querem debater, eles têm esse direito e liberdade – e ninguém pode impedi-los. Até porque debater não é crime.

Enfim, cada pessoa é de um jeito, pensa de um jeito e tem diferentes preferências. Da mesma forma, preferem debater sobre assuntos diferentes, ou dão mais ou menos importância para diferentes temas a se debater. Isso é perfeitamente natural. Vão debater determinados assuntos e evitar outros. O importante é respeitar essas diferenças e aceitar que certas pessoas não vão querer debater determinados assuntos, mas vão querer debater outros. Mesmo aqueles que você não gosta.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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One Comment

  1. Eu sou ateu desde que penso por mim próprio, com muito orgulho. Até agora ainda ninguém me provou que Deus existe.
    Deus não existe, nem é preciso para nada, e porquê?
    O homem é fruto de uma evolução que começou (para o homem, porque a evolução vem de muito mais longe, há cerca de 3,8 mil milhões de anos) há cerca de 7 milhões de anos. Esta evolução durou milhões de anos, até que há cerca de 300 mil anos o homem evoluiu para formas mais modernas e há cerca de 50 mil anos evoluiu finalmente para o que conhecemos hoje. O homem criou Deuses ao longo do tempo para responder a medos e superstições. A origem da crença religiosa nos nossos ancestrais evolutivos distantes que viviam em cavernas é decorrente do medo das forças ruidosas e assustadoras da Natureza (como o vulcão, trovão, terramotos, relâmpagos, enchentes etc.), e como modo de espantá-las e apaziguá-las, surgiram os cultos que lentamente se transformaram em religiões, com suas variadas cerimónias, que se tornaram cada vez mais complexas e sofisticadas como as denominações da actualidade.

    Deus, com as características que hoje lhe atribuímos só foi inventado, imaginado, criado pelo homem há pouco mais de 3 mil anos.

    E NOS MILHARES E MILHÕES DE ANOS QUE ANTECEDERAM ONDE ESTAVA DEUS? Em lado nenhum, porque ainda não tinha sido inventado pelo homem.

    Tudo o que disse é muito resumido, mas para mim é mais que evidente que a ideia de deus é absurda.

    Por causa de deus, ou melhor, a história de Deus tem sido palco de lutas e tensões atrozes. Os profetas de Israel sentiam o seu Deus como uma dor física que lhes retorcia violentamente cada membro e os enchia de raiva e júbilo. Lemos sobre cimos de montanhas, trevas, desolação e terror. Como disse acima, o Antigo Testamento, principalmente no Deuteronómio, retrata quase só guerras sangrentas, ordenadas, segundo a Bíblia, por Deus. Mas ao longo dos tempos podemos falar das guerras para impor a religião ao ocidente, as guerras das cruzadas, a Inquisição, a época da «caça às bruxas», as guerras para dizimar populações inteiras de Cátaros ou Albigenses, de Maniqueístas, as guerras francesas, a guerra dos trinta anos, o conflito da Irlanda do Norte, etc. No Islão vemos o conceito de Jihad ou “guerra santa”, este conceito tem sido usado para descrever a guerra contra os infiéis na expansão e defesa do território islâmico. Esta lista não é de forma alguma exaustiva. Estas ordenadas por homens, mas por causa de Deus.
    Não me vou alongar mais. Só direi o seguinte: Se Deus existisse mesmo, sem sombra de dúvidas, dadas as qualidades que lhe imputam “Omnisciência, Omnipresença, Omnipotência, além de outras mais”, e, sabendo que existem milhares de religiões no mundo, sabendo que há muito boa gente que põe em causa a sua existência, ele deveria aparecer e dizer: quem disse que eu não existo, aqui estou, isto é, devia dar-se a conhecer de facto, e na realidade, sem sombra de dúvidas. Isso é que era de mestre, acabava com todas as dúvidas.
    Mas é óbvio que tal não acontece. Logo, Não Existe.
    Tudo o resto que digam são tretas.

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