O choro acabou
Na madrugada de quarta-feira, dia 6 de março, foi encontrado morto, em sua casa em Pinheiros, São Paulo, o músico Alexandre Magno Abrão. O Chorão, da banda Charlie Brown Jr. Especula-se, agora, se isto se deu por acidente ou suicídio, mas isto não importa. O fato é que perdemos um dos últimos grandes compositores e cantores do rock brasileiro.
É verdade, no Brasil todo mundo que morre logo “vira santo”. Assim, muitos daqueles que sequer gostavam de suas músicas se transformam, magicamente, em fãs em prantos. Mas o fato é que as palavras de Chorão, assim como as de Cazuza, Renato Russo e tantos outros, tocaram fundo em muitos de nossos jovens.
Ele, que sempre foi antenado com a juventude, soube falar sobre os ideais da juventude mais do que ninguém. Vivia andando de skate e, por isso mesmo, convivia de perto com os jovens. E provavelmente nunca voltaremos a ter outro assim.
Eu não era fã, confesso. Gostava de diversas de suas músicas, mas nunca fui de ser fã de quem quer que seja. Mesmo de cantores como Elvis Presley e bandas como Iron Maiden e AC/DC, eu nunca fui exatamente um fã. Apenas ouço as músicas e gosto disto. Por isso tudo acho (acho) que posso falar de forma razoavelmente imparcial. E digo: fará muita falta à música brasileira.
Sobre a possibilidade dele ter cometido suicídio… Bem, não tenho qualquer coisa contra. Jamais cometeria, ainda mais por ser ateu: sei que “esta” vida é tudo o que temos e não alimento qualquer ilusão. Mas a vida era dele e ele tinha o direito de fazer o que bem entendesse com ela: inclusive tirá-la. A vida pertence à pessoa, não a algum deus imaginário.
Enfim, quis escrever este pequeno texto apenas para fazer o registro. E deixo, aqui, um vídeo de uma de suas músicas que mais gostava: Não é Sério, Charlie Brown Jr. em parceria com Negra Li.
O choro acabou,



































