Superstições: irracionalidade pura

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Superstições estão associadas à suposição de que alguma “força sobrenatural” age para promover uma suposta “causalidade”. Em outras palavras, here superstições são a crença de que tudo que acontece na vida, case tanto de bom quanto de mal, case tem uma causa sobrenatural, muitas vezes devido a alguma deidade. Assim, superstições não têm fundamentação, não podem ser verificadas de qualquer forma e nem demonstradas de forma racional.

Elas normalmente são tradições populares e estão relacionadas com o pensamento mágico. O supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de alguma maneira a sua vida.

Pseudociências também são superstições ou, ao menos, são baseadas em superstições. Isso porque, da mesma forma, não têm qualquer embasamento racional ou científico. Um exemplo clássico disso é a homeopatia, que é a crença de que o “semelhante se cura pelo semelhante”, ou seja, o tratamento se daria a partir da diluição (quase infinita) e dinamização (através da movimentação ou agitação) da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável. Quer dizer, se você tem alergia a pelos, seu “medicamento” deveria ter pelos como “princípio ativo”. (A homeopatia não é uma pseudociência apenas por isso: todos os testes aos quais ela foi submetida demonstraram que ela não tem resultados melhores que o de um placebo. Leia mais em Homeopatia Desmascarada”, do blog Ceticismo.Net)

As religiões também têm uma profunda ligação com a superstição. A função das religiões é de conseguir o “religare”, que nada mais é que se “re-ligar” a algum deus, dependendo da religião. A ideia é que o ser humano e deus eram um só e essa “ligação” foi desfeita em algum momento: seja no momento da criação, conforme algumas visões teológicas, seja no momento da expulsão do paraíso. E é exatamente através da superstição que se define como se consegue – e se perde – essa re-ligação.

Afresco “A Criação de Adão”, de Michelangelo Buonarotti, simbolizando a “ligação perdida”. Observe que os dedos não se tocam.

Afresco “A Criação de Adão”, de Michelangelo Buonarotti, simbolizando a “ligação perdida”. Observe que os dedos não se tocam.

Escrevi detalhadamente sobre esse tema (leia em O que está por trás da religião”), mas basta dizer que não há uma forma de se saber se a re-ligação foi atingida ou não, assim a coisa funciona na mera suposição de “acerto e erro”: aquilo que parece funcionar é mantido e vira tradição; o que parece não funcionar é abandonado. Quase como se fazia com aquelas TVs antigas, que ia se colocando e tirando peças de metal de palha de aço das antenas – com a diferença, é claro, que no caso da TV você tem como saber quando funciona ou não. Assim são decididos os dogmas, rituais, comportamento ideal, etc, de cada religião.

Mas as religiões também colabora para a criação de novas superstições. Exemplo disso é a ideia de que gatos pretos dão azar: durante a Idade Média, acreditava-se que os gatos pretos eram bruxas transformadas em animais ou até mesmo o diabo encarnado. A própria bíblia contém e aceita as superstições do povo judeu antigo, já que seu texto foi produzido por eles. Entre essas superstições estão: a questão da “pureza sexual”, a ideia de que alguns alimentos são impuros, o não contato com cadáveres, o conceito de pecado, etc.

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Pessoas de diferentes religiões consideram a crença dos outros como “meras superstições”. Quer dizer, o que é considerado uma crença perfeitamente aceita por um grupo pode ser visto como supersticiosa por outros grupos. De qualquer forma, toda a crença não fundamentada e empírica é, por si, uma superstição, independentemente de quantas pessoas acreditam nela ou por quanto tempo. Religiões, portanto, se enquadram nisso.

Mesmo outras superstições, que aparentemente não têm relação com religiões, podem ser vistas nesse contexto. Talvez até tenham tido origem no contexto religioso. Por exemplo, superstições como passar por baixo de escada ou quebrar espelho, ambas ações que atrairiam azar, podem ser vistas como ações que quebram a re-ligação com a deidade.

Também há superstições que podem, de fato, funcionar. Exemplo clássico é o de colocar uma vassoura atrás da porta, que teria o poder de expulsar visitas indesejadas. A questão é que, se você vai visitar alguém e vê uma vassoura atrás da porta da casa da pessoa, percebe que é indesejado(a) ali, seja pelo motivo que for. Então, numa situação assim, o que você faria? Eu, particularmente, daria o fora. Você não?

E lembre-se: superstições não são apenas ideias de coisas que dão azar, mas também sorte. Encontrar trevo de quatro folhas, jogar moedas numa fonte, jogar sal sobre o ombro direito (ou esquerdo), ferraduras, pés de coelho, etc… É verdade que, se numa moldura bonita, ferraduras felhas até dão bons enfeites para sua sala, mas, ainda assim, tudo isso também são superstições e tão irracionais quanto todo o resto.

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Acreditar nisso tudo, enfim, ou mesmo em parte dessas coisas, não é tanto o problema. É algo irracional, mas você tem liberdade de pensamento (que, atenção, não é o mesmo que pensamento livre) e pode pensar e acreditar como bem entender. O problema é que tudo isso pode te tornar um alvo fácil para charlatões de todo tipo (desde religiosos, como pastores, até gente que promete “curas milagrosas”), que querem apenas uma coisa: seu suado dinheirinho. Por isso tudo o ceticismo é tão importante: te livra de crenças irracionais e desses riscos, além de muitas outras vantagens que ficam para outro texto.

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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