Tiranos e o poder do povo

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Governantes tiranos, no rx sejam eles ditadores ou meros autoritários eleitos pelo povo, sempre foram um problema da humanidade. Ainda mais porque, normalmente, eles utilizam os momentos em que estamos mais frágeis para tomar o poder. Peguemos Hitler, por exemplo: seu partido cresceu e elegeu muitos deputados, o que lhe permitiu chegar ao poder, sendo nomeado Chanceler em 1932. Tudo devido a uma Alemanha arrasada pela Primeira Guerra Mundial e pela crise de 1929.

Outro que teve uma história semelhante foi Mussolini, que em maio de 1921 foi eleito deputado e, em outubro de 1922, foi nomeado Primeiro Ministro pelo rei Vítor Emanuel III. Isso devido a um período de grandes perturbações políticas e sociais. Outras semelhanças entre eles é o fato de usarem magistralmente a propaganda e terem sido capazes de conseguir muitos seguidores fanáticos.

A Revolução Russa não foi muito diferente. Na época, a Rússia tinha uma grande massa de operários e camponeses trabalhando muito e ganhando quase nada. O governo do czar Nicolau II era absolutista e gastava demais com o esforço de guerra (da Primeira Guerra Mundial, no caso). Isso desagradava profundamente o povo, que desejava um governo menos opressivo e democrático. A soma desses fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar e, no fim, deram origem à União Soviética.

O caso da Rússia é único, pois mostra o poder do povo em promover mudanças, mas também mostra o quão perigosos e oportunistas os tiranos podem ser. Lênin talvez fosse bem intencionado e até demonstrou a intenção de criar um sistema profundamente diferente do que acabou se tornando, mas logo morreu e quem acabou tomando o poder foi Stalin. O resto da história todos conhecemos: Stalin se tornou mais um tirano, houve uma ditadura que só acabou em 1991, houve perseguições, campos de concentração (os Gulags) e ainda mais opressão no povo russo do que havia antes. Gerando, enfim, algo entre 20 e 30 milhões de mortos.

Contra toda essa tirania existe uma única defesa: o conhecimento. Particularmente o conhecimento filosófico e científico, pois são conhecimentos racionais e imunes a superstições, as quais facilitam a vida de qualquer tirano – principalmente se ele for carismático. Isso faz desse conhecimento, que já é importante por si, ainda mais vital para a sociedade moderna. Ele devolve o poder às mãos de quem ele realmente pertence: o povo.

“Quando se é alfabetizado cientificamente, o mundo parece diferente à sua vista, e essa compreensão lhe dá poder.”

— Neil deGrasse Tyson

Um povo pensante é algo extremamente ameaçador e aterrador para líderes autoritários. Porque isso permite ao povo ver a realidade à sua volta, analisá-la e criticá-la para, então, exigir mudanças. E tiranos não gostam de mudanças… Eles preferem que tudo continue como está, com o povo na miséria e eles no luxo. Mais do que isso: eles contam com que grande parte da população também queira que as coisas não mudem e lutem contra os insatisfeitos.

Portanto, o conhecimento filosófico e científico é importante, mas não basta que fique apenas numa pequena elite pensante. É preciso que ele chegue a grande parte da população, afinal pequenos grupos são mais facilmente anulados. É preciso que filósofos como Nietzsche, Mário Bunge, Bertrand Russell, Karl Popper, George Bernard Shaw, Adam Smith, Voltaire e tantos outros cheguem à população. Da mesma forma, que cientistas e divulgadores científicos como Carl Sagan, Neil deGrasse Tysson, Stephen Hawking e tantos outros também cheguem. Porque, com esse conhecimento, você pode avaliar e reavaliar tudo – inclusive suas crenças, justificadas ou não, religiosas ou não, políticas ou não.

“Quando você estiver estudando qualquer assunto ou considerando qualquer filosofia, pergunte-se somente isto: quais são os fatos, e qual é a verdade que os fatos sustentam.”

— Bertrand Russell

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Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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