Terror na Cidade Luz

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Nessa última quarta-feira, dia 7 de Janeiro de 2015, terroristas islâmicos invadiram a sede da revista francesa Charloe Hebdo e mataram, ao todo, 12 pessoas. As vítimas foram: os cartunistas Stéphane Charbonnier (Charb), Wolinski, Jean Cabu, Bernard Verlhac (Tignous) e Phillippe Honoré; o vice editor Bernard Maris; o revisor Mustapha Ourad; a psicanalista Elsa Cayat; os policiais Franck Brinsolaro e Ahmed Merabet. o funcionário da Sodexo Frédéric Boisseau; e um convidado que visitava a redação, Michel Renaud. Tudo isso, apenas para variar, motivado pela publicação de caricaturas do profeta islâmico Maomé, por parte da revista francesa.

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Infelizmente, esse tipo de ação, por parte de fundamentalistas islâmicos, já não é mais novidade. Não foram os primeiros cartunistas mortos ou ameaçados de morte devido a esse exato motivo. É por isso mesmo que foi criada a campanha Draw Mohammed Day (Dia de Desenhar Maomé), da qual o Livres Pensadores já participaram (como pode ser visto aqui).

A questão aqui não é apenas o direito à vida, do qual ninguém discorda (ao menos em sã consciência). A questão é a liberdade de expressão e de imprensa: eles tinham o direito de publicar caricaturas que oprimem os islâmicos? Ou mesmo que oprimam cristãos, coisa que eles também fizeram, como pode ser visto abaixo? Será que a liberdade de expressão não teria de ser limitada, de forma a não oprimir pessoas, como têm alegado islâmicos, cristãos e mesmo a esquerda brasileira? Esquerda e direita, é bom que se diga. Pelo menos eu não me esqueci de toda censura, perseguição e mortes da ditadura militar.

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O primeiro ponto a ser colorado é que ou temos liberdade irrestrita, ou simplesmente não temos liberdade. A liberdade, uma vez limitada, deixa de ser liberdade e se torna mera permissão seletiva – pouco importando de que liberdade estejamos falando! A liberdade serve até mesmo para cometer crimes, um assassinato por exemplo. Serve para discursos de odio e tudo mais.

“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.”

– George Orwell

Não é questão de “defender o indefensável”. A questão é que a punição por crimes cometidos vem sempre depois do cometimento do crime em si. Você sequer teria como denunciar um crime antes de seu cometimento. Tão pouco teria como impedi-lo. E o motivo é muito simples: não é possível prever o futuro. Ah menos, claro, que se crie algo como no filme Minority Report, de 2002.

“Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.”

– George Bernard Shaw

No caso da liberdade de expressão, o foco deste texto, precisamos lembrar que absolutamente nada está acima de críticas. Nem a religião, nem a política, nem a sociedade, nem o preconceito, nem os movimentos sociais. Tudo pode e deve ser criticado, até mesmo para que mude e melhore.

“Religiões, como todas as outras ideias, merecem crítica, sátira, e, sim, nosso destemido desrespeito.”

— Salman Rushdie, fonte: www.huffingtonpost.com/2015/01/07/salman-rushdie-charlie-hebdo_n_6430904.html

Apenas como exemplo, as feministas se ergueram já no início do século passado e criticaram a sociedade, fazendo-a mudar e abrir espaço para as mulheres. Ainda não existe plena igualdade entre gêneros, mas se comparamos a 1900, estamos infinitamente melhores. Ao mesmo tempo, hoje temos a misandria no movimento feminista, que o transforma num “machismo de saia”. Femismo, ao invés de feminismo.

Não é calando preconceituosos que o preconceito desaparecerá. Ao contrário, calar os preconceituosos faz com que eles não mais manifestem seu preconceito, mas continuem agindo de forma preconceituosa! A única forma de mudar as opiniões das pessoas, preconceituosas ou não, é através de argumentos, da razão, lógica e evidências. Em outras palavras, através do debate – que não tem como existir se houver censura, pouco importa se essa censura é classificada como “do bem” ou não. Debate é parte fundamental da democracia, portanto sequer a democracia poderia existir com censura e sem imprensa livre.

É por isso mesmo que a campanha Draw Mohammed Day volta a se tornar extremamente necessária. Precisamos repeti-la e logo! A data para isso pouco importa. Mais que isso, acho importante que vários sites brasileiros se unam para isso. Exatamente por isso, procurarei contatar alguns deles e fazer a proposta. Se você que está lendo tem um blog com página no facebook, deixe um comentário aqui.

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Fontes:

Terror na Cidade Luz, 5.5 out of 10 based on 2 ratings

Autor(es):

Mário César

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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