A vida é natural.
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. A vida é natural. A minha e a sua. Eu e você, nosso planeta e os outros, o mar magnífico e as montanhas, o mais rústico desfiladeiro e a mais fina flor, os delicados seres que flutuam no fundo do mar e os complexos feixes de neurônios que formam nosso cérebro, todos são resultados de processos naturais – como não poderiam deixar de ser –, sem nenhuma intervenção de uma deusa criadora, sem o toque de uma varinha de condão, sem magia branca ou magia negra. O Reino do Hades, o Reino dos Céus, o Inferno, o Jardim de Alá, a Estrela da Morte e as Terras Médias são espaços imaginários: não existem em parte alguma do universo, pois todo o universo é natural. Não existem anjos, deuses, sereias… – porque o mundo é natural. Não existe Jesus, não existe Maomé, não existe Zoroastro – esses homens morreram há muito tempo. Não existem a Virgem Maria, são Jorge e são Francisco de Assis. Cleópatra, D. Pedro I e o papa João Paulo II não existem mais. O mundo é natural. Nossa admirável imaginação pode se superar em inventividade. Mas […]
Read MoreConversa sobre ciência, mas…
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Você já esteve numa conversa virtual sobre ciência, particularmente biologia, ecossistemas, seres vivos, seleção natural… E no meio da conversa, trocando detalhes sobre opiniões de Stephen Gould e Richard Dawkins sobre saltacionismo etc. e alguém fala em Deus ou (pior ainda) em Jesus? Mas… não era esse o assunto. Entendi que a pessoa em questão estava sutilmente tentando abordar o mito do DI, tratando-o como ciência. (Isso é o mesmo que entrar numa conversa sobre cosmologia ou astronomia e tentar defender a astrologia.) Pois a pessoa ainda disse: “Só sei de uma coisa. Quem tem o coração puro, quem tem Jesus, não fica sozinho.” Ahn?! Mas ninguém estava falando sobre isso. Acreditem, isso acontece. Vejam como a crença joga a razão no lixo assim, solenemente, educadamente, digamos… “sem perder a ternura jamais”. Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreDiálogo bem-humorado
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Diálogo bem-humorado com uma amiga, anos atrás, mais ou menos reproduzido conforme não falha a memória: – Mas você não acredita em nada mesmo? – Pois é. Que posso fazer? Não mesmo. – Em um deus, eu já sei que não. E uma deusa? – Você diz, aquelas da Playboy? – Não, tonto. Uma deusa-mãe do universo, por exemplo. Uma assim. – Não, também não. Nem em um grupo de deuses, não adianta… Sei que é chato, mas não acredito não. – Não acredita que existe uma força? Uma energia? – Ah, bom. Nisso eu acredito sim, claro. Pode até ser comprovado. Faz parte da Física. Levei um tapa no ombro. Ela continua minha amiga assim mesmo. Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreQue fazer?
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Um colega, um professor que me encontrava de vez em quando nos intervalos de café, sem saber que eu era ateu, disse uma vez algo assim: “O ateismo está crescendo, que coisa. O que fazer para mudar isso?” (Claro que não são as palavras exatas dele, não me lembro ao certo.) Na hora, eu disse: “Pois é…” – como se essa minha resposta ajudasse muito e pudesse alterar o rumo do cosmo. Depois fui fazendo uma listinha do que poderia ser feito (já publiquei alguns itens nesses sites ateístas por aí). Algumas opções são simples, outras apavorantes. 1. Tirar a internet “da tomada”, impedindo que os ateus se comuniquem. 2. Proibir o ensino de ciências nas escolas, substituindo-o por aulas de religião (não, essa não é a apavorante, é apenas triste. Um variação seria ensinar só coisas inofensivas, como a evaporação da água, mas não o processo de formação das montanhas ou a evolução da vida, deixando essa tarefa para a criação divina.) 3. Instaurar uma teocracia intensa, com métodos de vigilância eficazes (esta é a apavorante, é claro.) 4. Demonstrar no mínimo uma evidência da existência de um deus (esta […]
Read MoreProfecias?
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Que dizer de inúmeras profecias que parecem ter se cumprido? Quando eu cursava o Ensino Médio, um professor de inglês, que era padre, citou o bombardeio de Berlim ao final da Segunda Guerra lembrando que estava escrito que não ficaria “pedra sobre pedra.” Isso me impressionou, na época. Me parecia algo solene e verdadeiro, embora me decepcionasse, pois no fundo eu não queria acreditar que o futuro estivesse pronto e que todas as minhas ações durante a vida seriam inúteis. Por algum tempo aceitei contrariado essa ideia de que não podemos decidir nada, o que para um adolescente é muito chato, imagine… Só mais tarde entendi melhor essa fraude. Vou começar de novo. Que dizer de inúmeras profecias que parecem ter se cumprido? Ou não necessariamente, pois delineavam de maneira muito vaga um evento qualquer, chamando a um líder “Príncipe do Norte” ou utilizando-se de palavras genéricas como “discórdia”, “conflito”, “irmão contra irmão”, além, é claro, de expressões como “pedra sobre pedra”, que sempre podem ser aplicadas ao resultado de um terremoto ou a bombardeio, e praticamente não significam nada. Nunca há uma informação precisa, é sempre algo […]
Read MoreSuperstições: irracionalidade pura
Superstições estão associadas à suposição de que alguma “força sobrenatural” age para promover uma suposta “causalidade”. Em outras palavras, superstições são a crença de que tudo que acontece na vida, tanto de bom quanto de mal, tem uma causa sobrenatural, muitas vezes devido a alguma deidade. Assim, superstições não têm fundamentação, não podem ser verificadas de qualquer forma e nem demonstradas de forma racional. Elas normalmente são tradições populares e estão relacionadas com o pensamento mágico. O supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de alguma maneira a sua vida. Pseudociências também são superstições ou, ao menos, são baseadas em superstições. Isso porque, da mesma forma, não têm qualquer embasamento racional ou científico. Um exemplo clássico disso é a homeopatia, que é a crença de que o “semelhante se cura pelo semelhante”, ou seja, o tratamento se daria a partir da diluição (quase infinita) e dinamização (através da movimentação ou agitação) da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável. Quer dizer, se você tem alergia a pelos, seu “medicamento” deveria ter pelos como “princípio ativo”. (A homeopatia não é uma pseudociência apenas por isso: todos os […]
Read MoreOs hebreus não têm culpa de nada.
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Os hebreus não têm culpa de nada. Como é que um povo, entre os mais primitivos da Idade do Bronze, que não dominava engenharia, navegação, nem mesmo a domesticação de cavalos, e vivia à sombra de grandes civilizações consolidadas, dotadas de astrônomos e matemáticos, poderia sequer imaginar uma pequena fração do que sabemos hoje? O jeito é inventar histórias, tecer lendas… Como surgiu o mundo? Assim, assim… E os seres vivos? Assim, assim… E o ser humano? Assim, assim… Não culpem esses caras, eu faria o mesmo no lugar deles, no tempo deles, nas condições deles… – ou será que eu seria honesto e diria: “Não sei.”? Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreEm nome de tudo
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. No princípio era o verbo – era nada. Era nada: outras eras desfizeram mais dessas doces mentiras. Eu sei, você sabe: palavras sempre serviram a nos enganar – claro, em nome de tudo. Que lindos são nossos livros. Que lindos, nossos ideais. Quem adivinha as lacunas mata a charada em nome de tudo. Em nome do rei. Em nome da lei. E vamos brincar de forca. Eric, Iara, Cândido, Marta. Pedro e Paulo, João e Maria… Que nomes nos damos! Que palavras nos condenam? Por que nos danamos? Quanto dura seu nome? – por que duraria? Colônia de corpúsculos, microscópicos cósmicos micróbios renomeando-se ininterruptamente, assustadoramente, reconhecendo-se entre a centelha viva e a vertigem. Ou entre um galope e um golpe. O ótimo agouro e o óbito. Um espelho, uma esperança: e um espectro. Um canto, um cânone, um credo. Uma queda. Quanto dura seu nome? – e quando ele some? Vocábulo, signo, termo… – que nos importa, afinal? Por que mais palavras aprisionando as palavras? Uma vez foram grunhidos, alguém se lembra? – e se moldaram. Podemos pensar sem elas? Quem disse? Palimpsestos as guardam, que […]
Read MoreEu, adolescente, cristão.
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Pensando sobre o que Jesus havia dito: sobre ser mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Eu, com meus botões, considerava: “Coitados… Imagine… O Pelé, o Sílvio Santos, o Roberto Carlos… (enfim, uma lista de ricos que me vinha à mente naquela idade.) excluídos para sempre do Reino dos Céus…” É que, na época, eu acreditava que existia mesmo um Reino dos Céus – assim como existiam o Reino do Hades ou a Valhala, enfim.. Que vergonha… E eu já era grandinho, 15 ou 16 anos… Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreCoitados, que responsabilidade!
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Li no blog de Paulo Lopes que o cardeal Mauro Piacenza, do Vaticano, disse que os padres e os sacerdotes têm que evitar que as nações caiam no ateísmo. (Coitados, que responsabilidade!) E o que fazer para evitar que as “nações” caiam no ateísmo? Reforçar a lavagem cerebral nas crianças desde já, pensando nas próximas gerações? Impedir o estudo de ciências nas escolas? Impor um regime teocrático? Desligar a internet “da tomada”? Mostrar alguma evidência da existência de um deus? – Opa! Essa última parece ser uma ótima e eficiente opção! Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreTruques antigos dos crentes
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. 1. Dizer que o teólogo fulano de tal é que sabe interpretar e nós não. (Se é assim, por que ele não publica uma interpretação definitiva para todos? Por que nos deixar sempre de fora desse… conhecimento?) 2. Dizer que tal palavra ou expressão foi mal traduzida, não era bem isso que ela significava nos originais. (Se é assim, por que não publicam as novas edições com a tradução certa?) 3. Dizer que Jesus veio ao mundo (entre outras coisas, claro) para corrigir o Antigo Testamento. (Se é assim, por que não ficamos só com os evangelhos? Por que precisaríamos do Antigo Testamento, se ele já não servia mais no século 1?) Mas o pior mesmo é quando dizem: “Você precisa falar com um padre…” / “Você precisa conversar com o pastor…” E o velho recurso (que se torna um novo problema) de remendar uma fantasia com outra fantasia. Depois com outra e outra, até não acabar mais… Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MorePoliteísmo moderno
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Fico pensando: o cristianismo não seria um tipo de politeísmo disfarçado? Há pessoas que cultivam Jesus em primeiro lugar; outros, a Virgem Maria. Há devotos de são Francisco de Assis, de são Judas Tadeu, mas quase ninguém é devoto de são Caetano, de são Bruno ou de são Cirilo. Há santos e santas em departamentos específicos, uma para cuidar da saúde dos olhos, outro para proteger os taxistas – na prática, nada funciona: pessoas perdem a visão, taxistas são assaltados, por vezes assassinados… Enfim, são tantas entidades divinas que poderiam ser diagramadas em uma pirâmide hierárquica, por ordem de poder ou de preferência do público. E isso me lembra o velho Petrônio, que ironizava dizendo serem tantos os deuses que era mais fácil esbarrar em uma divindade pelas ruas do que em um cidadão romano. Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreO Dilúvio acabou
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. O dilúvio acabou. Parte 1. Predadores. A água baixou. (Como? Para onde foi? Se cobria toda a Terra, baixou para onde? Bem, não importa.) O casal de leões, faminto, mata uma zebra, e com isso extingue para sempre a espécie zebra, pois um só indivíduo não pode continuar a prole. No dia seguinte, a fome volta. E o casal de leões mata um antílope. (Enquanto isso, um casal de tigres mata um búfalo.) Depois, uma gazela de Thomson. Em poucos dias, não há mais presas de grande porte, e o casal de leões, por lógica simples, acaba morrendo de fome. O dilúvio acabou. Parte 2. Humanos. Os humanos não possuem geladeira e não podem estocar alimentos por muito tempo. Mas a Terra (e a terra do planeta Terra) está devastada. Por muito tempo será impraticável a agricultura. E mesmo que se pudesse plantar hoje, só poderiam colher algo meses e meses depois. A família de Noé não pode matar um porco, uma galinha, uma vaca: a espécie será extinta se fizerem isso. O dilúvio acabou. Parte 3. Peste. A Terra está coberta de cadáveres putrefatos dos afogados. […]
Read MoreLugar
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Tua alma… a teu ver eterna-inútil. Tua morte… sonho de renascer absurdo-vão. Teu corpo… lugar que te cabe e não outro. Deuses-deus… de que te servem? Rosto dos que te conhecem:… amanhã nada-ninguém. Universo alheio a ti:… quando e sempre lugar-nenhum. Teu futuro… minha ausência: o futuro. Tua mente… que isto absorve-imagina. Postado por Perce Polegatto http://www.percepolegatto.com.br/2012/10/05/lugar/ Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
Read MoreAteu antigo
Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores. Imagine que no antigo Egito, por algum motivo, um indivíduo passasse por um processo de conscientização resultante da atividade normal de sua própria inteligência e tenha percebido, compreendido, assimilado que Amon-Rá não existe, que é a personificação de um mito. Agora imagine se ele dissesse isso aos seus contemporâneos. Talvez sentissem pena dele. Talvez ódio. Provavelmente ele seria visto como um rebelde, um ignorante, um ressentido, alguém sem virtudes, até mesmo… um louco. Postado por Perce Polegatto Artigo submetido por um leitor do Livres Pensadores.
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